Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Pena que o programa tenha sido exibido em um horário em que a maioria estivesse dormindo. Afinal, era domingo. Porém, bem que a Rede Globo poderia reapresentar a edição deste domingo do seu GLOBO RURAL em horário nobre, para que o máximo de brasileiros pudessem assisti-lo. Seria uma lição e tanto.
O que teve de especial? A reportagem sobre a Colômbia. A matéria era para tratar sobre “O café mais suave do mundo”. Porém, como querendo apresentar a Colômbia aos brasileiros, parte de sua história, passada e atual, parte de sua geografia, para desenhar assim o cenário na qual o café colombiano construiu um histórico próprio, a reportagem precisou, claro, falar da guerrilha promovida pelo narcotráfico. Assim, acabamos conhecendo um programa social digno do nome. O texto completo da reportagem você acessa clicando aqui. Vale a pena. A seguir, destacamos a parte referente a ação social do governo colombiano. Compare com “aquilo” que se faz no Brasil, e tirem suas conclusões. Dificilmente alguém, depois disto, conseguirá ver no programa Bolsa Família alguma coisa além do assistencialismo vagabundo, algo além do clientelismo com fins eleitoreiros. Segue a reportagem.
A Colômbia vive hoje uma situação relativamente calma e um dos retratos desta tranqüilidade é a praça Simón Bolívar, bem no coração de Bogotá. Fica rodeada pelos principais poderes, Congresso Nacional, Prefeitura, Palácio da Justiça. O presidente mora na região.
Mas a história deste país é de um conflito atrás do outro. Hoje a luta é contra o tráfico de cocaína e a guerrilha ainda incrustada na Cordilheira dos Andes. No passado foi a luta política. Que diria Simón Bolívar, o grande libertador, sobre o que fizeram com seus ideais?
Seria exagero dizer que nesta praça tombou mais gente do tem agora pombo voando. Para ficar num só episódio: novembro de 1985. O grupo guerrilheiro M-19 toma o Palácio da Justiça. Depois de uma batalha de 27 horas, mais de 150 mortos, entre eles, 12 juízes.
Nos últimos anos, o histórico da violência diminuiu bastante. Mas os conflitos não saíram da rotina.
A manifestação do fia, hoje, em Bogotá é de um grupo de campesinos, agricultores que tiveram que fugir de suas terras porque correm risco de vida.
Dom Nivaldo Gardiz, que produzia mandioca e laranja, conta que um grupo guerrilheiro se instalou nos fundos da fazenda dele. Quando os militares, ou os paramilitares vinham combatê-los, a família ficava entre os dois fogos. Não conseguia mais produzir direito, foi ameaçado, dois filhos morreram. Teve que abandonar a propriedade.
Assim como dona Teresa Travardina que também perdeu um filho e outros três tiveram que fugir para o Peru, pois foram confundidos com os combatentes.
A luta armada desalojou centenas de proprietários rurais. Hoje, eles vivem em grupos de refugiados sem-terra vagando pela capital.
Em frente ao Palácio da Justiça, clamam por emprego, moradia, assistência médica, indenização pelo que perderam, enfim, uma vida digna como levavam antes.
Muitos que fugiram do campo foram acolhidos em programas como o “Bogotá Sem Indiferença”, frase que está escrita no braço da Marta Salinas. Ele integra o chamado grupo dos amarelinhos que também são vistos em quase toda esquina do centro de Bogotá. Pessoas recrutadas pelo governo para prestar serviços à comunidade. Por exemplo: dar orientação no trânsito ou divulgar campanhas como a de “Não às Armas!”
Além dos sem-terra, tornaram-se amarelinhos também dependentes de drogas, pessoas envolvidas com a criminalidade e muita gente desempregada.
Yolanda Fonseca conta que ficou quatro anos sem ganho fixo. No programa “Bogotá Sem Indiferença”, recebe pouco mais do que seria equivalente a um salário mínimo, por mês, no Brasil. Trabalha oito horas por dia, tem seguro saúde e, importante, participa de cursos de recapacitação profissional. Para ela, é um novo “sendero”, um novo caminho que lhe abre a chance de mudar pra melhor. Junto, a cidade dê um passo à frente nas questões de segurança.
Dom Alberto Piñeda, nascido e criado na região, lembra que dez, 15 anos atrás, Bogotá era um inferno. As pessoas tinham medo de sair às ruas.
Hoje, a professora pode levar os alunos para conhecer o belo centro histórico da Candelária. Os casarões coloniais das ladeiras que descem das montanhas andinas.
É possível sair para passear com jóias e roupas de grife. E há sossego para saborear a “oblea”, uma panquequinha típica de milho branco recheada com doces, geléias e queijo. Um petisco, um passa-boca, como dizem na região.
Pena que o programa tenha sido exibido em um horário em que a maioria estivesse dormindo. Afinal, era domingo. Porém, bem que a Rede Globo poderia reapresentar a edição deste domingo do seu GLOBO RURAL em horário nobre, para que o máximo de brasileiros pudessem assisti-lo. Seria uma lição e tanto.
O que teve de especial? A reportagem sobre a Colômbia. A matéria era para tratar sobre “O café mais suave do mundo”. Porém, como querendo apresentar a Colômbia aos brasileiros, parte de sua história, passada e atual, parte de sua geografia, para desenhar assim o cenário na qual o café colombiano construiu um histórico próprio, a reportagem precisou, claro, falar da guerrilha promovida pelo narcotráfico. Assim, acabamos conhecendo um programa social digno do nome. O texto completo da reportagem você acessa clicando aqui. Vale a pena. A seguir, destacamos a parte referente a ação social do governo colombiano. Compare com “aquilo” que se faz no Brasil, e tirem suas conclusões. Dificilmente alguém, depois disto, conseguirá ver no programa Bolsa Família alguma coisa além do assistencialismo vagabundo, algo além do clientelismo com fins eleitoreiros. Segue a reportagem.
A Colômbia vive hoje uma situação relativamente calma e um dos retratos desta tranqüilidade é a praça Simón Bolívar, bem no coração de Bogotá. Fica rodeada pelos principais poderes, Congresso Nacional, Prefeitura, Palácio da Justiça. O presidente mora na região.
Mas a história deste país é de um conflito atrás do outro. Hoje a luta é contra o tráfico de cocaína e a guerrilha ainda incrustada na Cordilheira dos Andes. No passado foi a luta política. Que diria Simón Bolívar, o grande libertador, sobre o que fizeram com seus ideais?
Seria exagero dizer que nesta praça tombou mais gente do tem agora pombo voando. Para ficar num só episódio: novembro de 1985. O grupo guerrilheiro M-19 toma o Palácio da Justiça. Depois de uma batalha de 27 horas, mais de 150 mortos, entre eles, 12 juízes.
Nos últimos anos, o histórico da violência diminuiu bastante. Mas os conflitos não saíram da rotina.
A manifestação do fia, hoje, em Bogotá é de um grupo de campesinos, agricultores que tiveram que fugir de suas terras porque correm risco de vida.
Dom Nivaldo Gardiz, que produzia mandioca e laranja, conta que um grupo guerrilheiro se instalou nos fundos da fazenda dele. Quando os militares, ou os paramilitares vinham combatê-los, a família ficava entre os dois fogos. Não conseguia mais produzir direito, foi ameaçado, dois filhos morreram. Teve que abandonar a propriedade.
Assim como dona Teresa Travardina que também perdeu um filho e outros três tiveram que fugir para o Peru, pois foram confundidos com os combatentes.
A luta armada desalojou centenas de proprietários rurais. Hoje, eles vivem em grupos de refugiados sem-terra vagando pela capital.
Em frente ao Palácio da Justiça, clamam por emprego, moradia, assistência médica, indenização pelo que perderam, enfim, uma vida digna como levavam antes.
Muitos que fugiram do campo foram acolhidos em programas como o “Bogotá Sem Indiferença”, frase que está escrita no braço da Marta Salinas. Ele integra o chamado grupo dos amarelinhos que também são vistos em quase toda esquina do centro de Bogotá. Pessoas recrutadas pelo governo para prestar serviços à comunidade. Por exemplo: dar orientação no trânsito ou divulgar campanhas como a de “Não às Armas!”
Além dos sem-terra, tornaram-se amarelinhos também dependentes de drogas, pessoas envolvidas com a criminalidade e muita gente desempregada.
Yolanda Fonseca conta que ficou quatro anos sem ganho fixo. No programa “Bogotá Sem Indiferença”, recebe pouco mais do que seria equivalente a um salário mínimo, por mês, no Brasil. Trabalha oito horas por dia, tem seguro saúde e, importante, participa de cursos de recapacitação profissional. Para ela, é um novo “sendero”, um novo caminho que lhe abre a chance de mudar pra melhor. Junto, a cidade dê um passo à frente nas questões de segurança.
Dom Alberto Piñeda, nascido e criado na região, lembra que dez, 15 anos atrás, Bogotá era um inferno. As pessoas tinham medo de sair às ruas.
Hoje, a professora pode levar os alunos para conhecer o belo centro histórico da Candelária. Os casarões coloniais das ladeiras que descem das montanhas andinas.
É possível sair para passear com jóias e roupas de grife. E há sossego para saborear a “oblea”, uma panquequinha típica de milho branco recheada com doces, geléias e queijo. Um petisco, um passa-boca, como dizem na região.