Do G1, em São Paulo
Ruy Quintans alerta para expansão das compras baseada no crédito.
O Brasil deve crescer cerca de 5% no próximo ano, mas o investimento e o consumo preocupam, na opinião do professor de Finanças da escola de negócios Ibmec-RJ, Ruy Quintans.
Ele alerta que o consumo está hoje muito apoiado no crédito e isso tem um limite. "O governo não pode basear suas previsões otimistas no consumo do povo brasileiro", diz o economista.
"O consumidor brasileiro é 'jovem', por ter entrado no mundo do consumo recentemente. O consumo é feito em cima do crédito e isso tem limite. Uma das limitações é a capacidade de produção. Não podemos nos tornar um país em que tudo se importa", afirma Quintans.
O especialista falou a internautas em chat na nova série de entrevistas do G1, com o tema "O Brasil é a bola da vez da economia?", que discute as razões do otimismo com a economia brasileira e também os possíveis obstáculos no meio do caminho.
Na opinião de Quintans, o consumo das classes C, D e E, que avançou muito, não é baseado na distribuição de renda. "Normalmente essas classes consomem com base no crédito, não é pelo Bolsa Família ou por distribuição de renda. Não é distribuição de renda e sim de dinheiro", critica o economista.
Infraestrutura
O especialista também alertou para a falta de infraestrutura no país para permitir mais investimentos e sustentar o crescimento da economia. "A falta de infraestrutura inibe o investimento. O consumidor consome e o empresário investe. O que faz você consumir é sua vontade, seu desejo. O empresário não, ele precisa ver condições como logística, segurança, energia, esgoto etc., que é a parte do governo", diz Quintans.
O economista acredita que a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil podem trazer "disposição e oportunidade de criar investimentos em infra estrutura". "Esse é o aspecto que vejo como mais positivo", diz ele.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí o resumo de todos os alertas que temos emitido em relação à política de crédito barato desenvolvido pelo governo. Vejam lá a diferença que ele acentua entre distribuição de renda e distribuição de dinheiro. Então vale repetir: a política implementada pelo governo como programa social, por não ter porta de saída é assistencialista na sua essência e eleitoreiro nos seus objetivos. E aquilo que de forma esfuziante o governo comemora como inclusão no mercado de consumo das classes C,D e E está calcada em bases falsas e tem prazo de validade. É uma política de tiro curto em seus efeitos. Para efeitos puramente eleitoreiros, ela até pode produzir resultados. Mas como política de desenvolvimento econômico e social e, também, de real distribuição de renda, está longe de ser benéfica para o país.