Adelson Elias Vasconcellos
Primeiro, foi Lula. Depois, veio José Dirceu e o terceiro cavaleiro adulador andante é Ciro Gomes.
Estes três tentam seduzir Aécio a se posicionar contra Serra, tentar ganhar-lhe a vaga de candidato da oposição à eleição que escolhera o sucessor de Lula. Ou seja, Ciro está apenas jogando intriga.
Há mais de um ano, Lula impôs Dilma Roussef como sua candidata e, mesmo contrariando opiniões de muitos petistas caboclos de guerra, acabou prevalecendo sua opinião e, por conseguinte, sua escolha.
E, desde o início, Lula deixou claro que ele fará seu sucessor, independente de quem sejam os candidatos da oposição. Isto é fato, está registrado em várias ocasiões, não se trata,portanto, de um palpite.
Sendo assim, por conta de que ele, e outros petistas e aliados, iriam adular Aécio para sair candidato da oposição? Por considerá-lo mais perigoso, mais temível como adversário? Ora, convenhamos, se a oposição, tucanos e democratas, são capazes de caírem nesta esparrela, não estão prontos ainda para capitanear o Brasil pós-Lula.
E por que eles escolheram justo Aécio Neves? Porque sabem ser fácil adulá-lo, já que o mineiro se diz mais agregador do que Serra. O governador de São Paulo, jamais se sentaria com Lula, ou José Dirceu ou até mesmo com Ciro Gomes para tratar de questões partidárias, quanto mais de quem será o candidato de seu partido.
É preciso ter um pouco de amor próprio nesta questão. Aécio deveria considerar o quanto Lula e toda a sua base aliada tentaram desqualificar o governo tucano que, até no exterior, é reconhecido como o pai da estabilidade econômica brasileira.
Além disto, e Ciro Gomes nunca escondeu de ninguém, ele foi escolhido por Lula para ser o candidato da base do governo ao governo de São Paulo, e a tal ponto isto é correto que mudou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo.
Aí, de repente, sem mais nem porque, ele resolve se aproximar de Aécio Neves, e se oferece até para ser seu candidato a vice caso o mineiro seja escolhido candidato pelo PSDB, em detrimento à Serra! Será que Aécio vai cair neste papo?
Em 2005, os tucanos já cometeram a insanidade de escolher Alckmin em lugar de Serra, e pelas razões que Aécio alega agora. Deu no que deu. Em momento algum, Alckmin ocupou a dianteira nas pesquisas. Até ali, quem liderava era Serra. Feita a escolha, com Serra saindo da corrida presidencial, quem passou a ocupar o seu espaço? Lula, claro.
Agora, de novo, e já sem Lula, serra lidera com folgada margem, e a depender do instituto, com condições de vencer ainda no primeiro turno. Assim, quem seria o candidato mais perigoso, aos olhos do governo, Serra ou Aécio, que perde até para Ciro e Dilma ?
A grande oportunidade que as oposições tem de retornar ao poder é esta. E não seria um retorno curto, não. Seria bastante longo. Sendo Serra agora com Aécio como vice, em 2014, poderia ser Aécio com outra liderança, tucana ou não, e teria Aécio conquistado a projeção nacional que ainda não tem junto ao eleitorado. E, não havendo mudança na lei eleitoral, ainda poderia concorrer à reeleição em um segundo mandato. A dobradinha poderia garantir um período de três mandatos, tempo suficiente para reorganizar o Brasil que Lula faz força enorme para desestruturar.
Separados, Serra e Aécio, com o mineiro preferindo candidatar-se a Senador por seu estado, estão abrindo uma larga avenida para o retorno de Lula em 2014. E é bom lembrar: quem suceder Lula, seja Aécio ou Serra, tanto faz, terá um mandato de difícil condução, em razão das bombas relógio instaladas por Lula. Tais bombas desarmadas suavizariam e muito o caminho seguinte que teria, vejam só, Aécio como protagonista.
Claro que em política, principalmente a brasileira, nada é tão duradouro que não possa ser modificado no dia seguinte. Mas o cenário que temos hoje é esse, porque então lutar contra a lógica, golpear o bom senso e insistir no erro passado? Tivesse Aécio um pingo de visão em relação ao seu futuro e não titubearia em alinhar-se e compor-se com Serra em 2010, visando justamente a reconquista do poder para, num trabalho conjunto e inteligente, abrirem uma estrada de longa permanência no poder e sob o comando do mineiro, a partir de 2014.
Deixar-se embalar pelos cantos de sereia daqueles que cansam de se posicionar como inimigos, é entregar a eleição de bandeja para Dilma no ano vem e, em conseqüência, assistirem a volta de Lula quatro anos depois.
Que se joguem no lixo quaisquer ressentimentos ou ambições pessoais em nome de um projeto muito maior, porque o interesse Brasil pode congregar juntos, num mesmo palanque, São Paulo e Minas Gerais. Quem perde neste jogo? Justamente aqueles que acenam bandeira de triunfo para Aécio, justamente para dividir a oposição, fragilizando a tal ponto dela não ser páreo para Lula e Dilma. Porque, estejam certos, o que Lula, petistas e partidos aliados da base governista mais temem é justamente a união, numa mesma chapa, de Serra e Aécio, ou a chamada chapa puro-sangue.
Insistirão, tucanos e democratas, na teimosia, na birrinha regional que só diminui e não constrói coisa alguma? Neste caso, sinto informar, com tal propensão à derrota, melhor que fiquem em casa e assistam tudo pelo noticiário...