quarta-feira, novembro 18, 2009

Mantega cita dólar a R$ 2,60 como ideal e promete novas desonerações

Martha Beck e Geralda Doca, Valor Online


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu novas ações para estimular a competitividade das exportações. Mantega foi aplaudido por empresários no 4º Encontro Nacional da Indústria (Enai), ao citar estudo da Goldman Sachs que apontou R$ 2,60 como a taxa de câmbio de equilíbrio para o Brasil.

- Imagina, Armando - disse o ministro ao presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. - Com um câmbio a R$ 2,60, nós venceríamos todos, venceríamos os chineses, a indústria coreana. Temos ciência de que o câmbio é fundamental, e vamos trabalhar essas frentes - completou o ministro.

Mantega disse que novas desonerações virão pela frente e lembrou que o governo já reduziu R$ 100 bilhões em tributos nos últimos cinco anos. Nos bastidores do governo, uma das medidas estudadas é reduzir o prazo para que as empresas exportadoras aproveitem créditos de PIS/Cofins na compra de matérias-primas.

O ministro também disse que a economia brasileira pode crescer entre 6% e 6,5% de 2010 a 2016. Ao participar de debate no Enai, o ministro afirmou que o país já retomou seu ciclo de crescimento e que o Produto Interno Bruto (PIB) já crescerá 5% no ano que vem.

- Entre 2010 e 2016 podemos ter um forte ciclo de crescimento, alcançando entre 6% e 6,5%, com uma situação fiscal sólida e uma inflação sob controle - disse ele.

Segundo Mantega, o bom desempenho da economia dependerá do aumento dos investimentos, que deverão registrar uma elevação entre 13% e 15% em 2010.

Competitividade
Mantega falou sobre o câmbio ao ouvir do presidente de Armando Monteiro cobranças sobre medidas que deem competitividade aos produtos nacionais, que estão sendo prejudicados pela excessiva valorização do real em relação ao dólar e pela enxurrada de produtos chineses no mercado brasileiro.

- Precisamos de medidas defensivas para o câmbio. A valorização do real exige mais celeridade na busca pela competitividade. Preocupam-nos o valor da moeda chinesa e os movimentos de arbitragem em relação ao Brasil - disse Monteiro.

O ministro admitiu que o governo precisa agir para a indústria ficar mais competitiva e garantiu:

- Não vamos deixar que a indústria seja vencida por uma concorrência desleal. Ela será um dos protagonistas do crescimento nos próximos sete anos. Vamos tomar medidas para estimular a competitividade das exportações. A indústria brasileira tem muita competência, capacidade. Mas nós temos uma desvantagem cambial.