sexta-feira, novembro 12, 2010

Ataques a alvos cristãos deixam pelo menos 5 mortos em Bagdá

BBC Brasil

Braço da Al-Qaeda alega que todos os cristãos no país são alvos legítimos

Uma série de explosões e ataques com morteiros contra alvos cristãos mataram pelo menos cinco pessoas e deixaram mais de 20 feridos em Bagdá, capital do Iraque.

Seis distritos com população majoritariamente cristã foram atingidos. Ainda é incerto o número de cristãos mortos nos ataques.

Segundo uma autoridade que falou à agência AFP, sob a condição de anonimato, dois morteiros e dez bombas caseiras atingiram residências cristãs em diferentes bairros de Bagdá entre 6h e 8h locais (1h e 3h, pelo horário de Brasília).

No último dia 31, mais de 40 pessoas morreram depois que ativistas invadiram uma catedral católica. O grupo Estado Islâmico para o Iraque - um braço da Al-Qaeda - reivindicou a ação, dizendo que queria forçar a libertação de muçulmanos convertidos que estariam sido detidos pela Igreja Ortodoxa Copta no Egito.

O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir afirma que a intenção dos ataques é ressaltar a ameaça feita pelo Estado Islâmico para o Iraque de que todos os cristãos no país são alvos legítimos.

Um total de 34 cristãos iraquianos e um guarda muçulmano feridos na catedral foram levados à França para receber tratamento médico. O governo francês já afirmou que dará asilo àqueles que pedirem.

Êxodos
No fim de semana, o arcebispo ortodoxo iraquiano Athanasios Dawood pediu, em Londres, que os cristãos do Iraque – cerca de 600 mil – deixem o país, devido ao suposto perigo que todos correm. "Se ficamos, eles nos matarão", disse.

No entanto, no Iraque, clérigos e políticos têm pedido que os cristãos - presentes no país há mais de 2 mil anos - não fujam.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, disse, segundo a agência EFE, que lamenta que "o governo de Bagdá não proteja os cristãos. É um problema que já discutimos com as autoridades iraquianas e que esperamos que seja levado em consideração".

Enquanto isto, líderes políticos iraquianos estão em meio a negociações para resolver a paralisia política do país, que ainda não conseguiu formar um governo desde as inconclusivas eleições gerais de março.