segunda-feira, dezembro 13, 2010

Ameaçada promessa de campanha na área da Saúde

Eliane Oliveira e Henrique Gomes Batista, O Globo

A equipe de transição que prepara as primeiras ações do futuro governo Dilma Rousseff descobriu que a promessa de campanha de criação de 500 unidades de pronto atendimento (UPAs) está ameaçada. E o motivo é falta de profissionais de saúde.

Há duas semanas, ao conversar com representantes do setor, a equipe de Dilma se deparou com números preocupantes. Para cumprir a principal meta no setor, faltam aproximadamente 40 mil médicos - um total que não está disponível ainda no país.

Outra constatação é que 30% das equipes do programa Saúde da Família não contam com esse tipo de profissional.

Um dos secretários de Saúde que estive no encontro com a presidente eleita, o baiano Jorge Solla, afirmou que praticamente se firmou um consenso na linha de que, no governo Dilma, será necessário repensar a formação de médicos para suprir a carência, da mesma forma que se tem feito com engenheiros para tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Uma saída analisada no encontro, realizado em Brasília, seria facilitar o reconhecimento de diplomas de outros países, embora a categoria médica ainda enfrente dificuldade para aceitar essa possibilidade.

- Conheço uma tribo que tem dois índios formados em outro país, mas eles não podem atuar por causa da falta de reconhecimento de diploma - disse Solla.

Outra discussão polêmica foi sobre a criação do serviço civil obrigatório, semelhante ao serviço militar. Seria alternativa para minimizar a falta de profissionais de saúde nos rincões do país.

- Essa poderia ser uma boa solução para reforçar as equipes do Saúde da Família - afirmou Solla, um dos cotados para assumir o Ministério da Saúde no lugar de José Gomes Temporão.

Arthur Chioro, secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP), reforçou que a falta de médicos, que antes era algo que ocorria em locais longíquos, agora é percebida nos grandes centros. Disse que o problema afeta mais algumas especialidades, como pediatria e psiquiatria, e que o governo terá de enfrentar essa questão, inclusive realizando um planejamento de longo prazo que utilize incentivos na residência médica para formar determinados especialistas.

- Nem mesmo o Rio, que é a cidade que proporcionalmente tem mais médicos no Brasil, está livre da carência de alguns profissionais - disse.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Qualquer outro candidato, se tivesse sido eleito, poderia alegar mil razões para o não cumprimento deste tipo de promessa durante a campanha eleitoral, menos Dona Dilma. Melhor do que ninguém, ela tinha totais condições de saber se sua promessa era viável ou não.

Sem dúvida, é mais um estelionbato eleitoral que se soma a outros mais que Dilma Rousseff já comete antes mesmo de assumir. A coisa está começando mal. Vamos rezar para terminar melhor do que o aperitivo.