segunda-feira, dezembro 13, 2010

Lula 12 anos

Guilherme Fiúza, Revista Época

Seguindo a nova linha de austeridade do governo, o presidente Lula tomou posse para o seu terceiro mandato de maneira discreta.

Nada de grandes celebrações ou convidados internacionais. Nem um centavo gasto com banquetes. A cerimônia foi simples, no formato mais singelo possível.

Dispensando todos os protocolos, Lula tomou posse no grito. Esperou o momento propício, em que seu velho novo ministro da Fazenda anunciava uma medida para o suposto governo Dilma.

Lula entrou em cena, desmentiu o ministro, passou por cima de Dilma e vestiu a faixa presidencial pela terceira vez.

Guido Mantega, o homem forte da economia brasileira que faz jus ao sobrenome, desmanchou-se imediatamente. Avisara que os cortes orçamentários no próximo governo não poupariam as obras do PAC. Lula interveio: não será cortado “nenhum centavo do PAC”.

O ministro Mantega soltou então uma nota em seu estilo direto e inconfundível: custe o que custar, doa a quem doer, o chefe tem razão.

Foi bom Lula antecipar sua posse para o mês de dezembro. Ele estava há mais de seis meses sem trabalhar, passeando de palanque em palanque, e essa pré-temporada vai lhe fazer bem – a exemplo dos jogadores de futebol, curando a ressaca das férias.

E foi oportuno que o terceiro mandato começasse com uma polêmica abstrata. Oportuno e coerente.

Como se sabe, o PAC é uma criação literária de razoável sucesso. Sob seu condão, até dragagem de lodo virou aceleração do crescimento. O PAC é tudo. Conseqüentemente, não é nada. E um centavo de nada também é nada.

Nada mais apropriado do que um ministro abstrato dando uma declaração contundente sobre um programa abstrato, a mando da Mãe do PAC – a abstração em pessoa – e tudo sendo dissolvido em uma frase por Lula, o concreto.

Agora, anunciando que continuará concreto a partir de janeiro.

Lula 12 anos. Se dá certo com uísque, por que ele também não pode envelhecer sem sair da garrafa?