Comentando a Notícia
Se há uma selvageria que é insuportável, deplorável, são os tais trotes humilhantes que alguns animais, estúpidos por convicção, tem a mania de aplicar em estudantes que chegam à universidade.
Há um texto nesta edição sobre a dificuldade das autoridades do país em combater o trabalho escravo. Certa ocasião, afirmei que o sujeito que enfia numa tapera caindo de podre alguns trabalhadores em condições de escravidão, ou sub-humanas, deveria ser preso, ter seus bens confiscados, leiloados e o dinheiro repartido entre os trabalhadores. No dia em que se aplicar penas severas para estes mentecaptos, garanto que o recado será suficiente para não incentivar que outros se sintam atraídos à prática criminosa.
Neste mesmo sentido, os tais trotes. Não se trata de brincadeira coisíssima nenhuma. Submeter quem quer que seja a humilhação e constrangimento públicos (vejam as fotos dos animais que se dizem “seres humanos”), já é crime passível de prisão.
No caso da UNB, não há nenhuma justificativa para a estupidez cometida. Deixar estes animais soltos,e ainda frequentando livremente o convívio social, é aplaudir o crime, a intolerância, a brutalidade, a selvageria. Não basta prendê-los, condená-los a cumprirem pena severa, sem direito de abrandamentos de espécie alguma: deve ser enjaulados sem direito a atenuantes, ou qualquer privilégio.
E isto ainda é pouco: devem ser expulsos da universidade imbecis que, mais tarde, quando formados, e pelo caráter que demonstram agora, se tornarão péssimos profissionais.
Não há desculpas para que as autoridades, não apenas a Reitoria da UNB, mas Polícia e Ministério Público também, atuem com o máximo rigor para ver estes animais pagando, de forma exemplar, pelo crime que cometeram. Os imbecis, e as fotos não deixam dúvida alguma, sequer podem alegar se tratar de uma brincadeira. Nada. São pessoas que tiveram boa formação, muito embora, não aprenderam a lidar com ela no meio social. E que não se venha alegar seremde filhos boa família. Família, boa ou má, não é desculpa para a barbárie e selvageria, até pelo contrário: é aí que a desculpa se torna insuportável e insustentável.
Gente desta natureza, não pode ficar solta para continuarem a agir de forma tão brutal. Liberdade para estes cafajestes, é salvo conduto para cometerem outras atrocidades e brutalidades. E, por favor, que a Justiça não aplique “penas alternativas”. A única alternativa decente para os imbecis é cadeia, com total isolamento.
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A 'festa da humilhação' das mulheres no trote da UNB
Thássia Alves, Secretaria de Comunicação da UnB
Reitoria e Faculdade de Agronomia e Veterinária e Administração vão compor comissão para investigar acusações de desrespeito às mulheres
A Universidade de Brasília vai abrir sindicância para apurar denúncia de discriminação contra mulheres durante o trote da Agronomia. Uma comissão formada pela direção da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) e integrantes da Reitoria vai verificar em que situação o trote ocorreu, quais alunos participaram e se houve infração penal. Terá 30 dias para se pronunciar.
O reitor José Geraldo de Sousa Junior também anunciou que os decanos vão concluir na próxima segunda-feira, 31 de janeiro, as diretrizes para as políticas estudantis de convivência comunitária. O documento vai passar por consulta pública e depois será encaminhado ao Conselho Universitário (Consuni).
Cícero Lopes, diretor da FAV, recebeu do reitor o pedido de esclarecimento encaminhado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Ele conta que desconhecia a participação de integrantes do Centro Acadêmico no trote.
"No semestre passado, fui até o CA e perguntei se eles haviam participado da brincadeira da linguiça. Eles negaram. Agora que vi as fotos, percebi que eles participaram, sim, junto com os alunos do 2º semestre", disse.
No dia 11, às 10 horas, 250 estudantes se divertiram com um ritual sexista patrocinado pelo Centro Acadêmico de Agronomia: uma fila de calouras obrigadas a chupar uma lingüiça lambuzada de leite condensado pelo presidente do CAAGRO, Caio Batista, que estava fantasiado de mulher e usava uma faixa presidencial.
Todos os presentes ouvidos pela UnB Agência gostaram da “brincadeira” e as meninas disseram que não foram obrigadas a participar. Embora os autores da “festa” tenham dito que não houve consumo de bebidas alcoólicas, um dos alunos entrevistados, muito alegre, teve dificuldades para formular uma frase.

