domingo, janeiro 30, 2011

Ou uma coisa, ou outra, senhor Zymler. As duas juntas não dá!

Comentando a Notícia

Durante o tempo em que Lula, o ex, abriu guerra ao TCU, por este cumprir com sua obrigação de denunciar irregularidades na execução de obras públicas, fui um dos primeiros a me posicionar em favor do órgão. Como ainda defendi e defendo a total independência daquela instituição, com mais poderes, autonomia e, o que é vital, que o preenchimento de qualquer cargo seja por concurso, eliminando-se as indicações políticas que, no Brasil, é vírus mortal para infectar qualquer repartição estatal.

Agora mesmo, ao apresentar denúncia conta a Fundação José Sarney, mais uma vez se demonstra a importância do papel fiscalizador que o Tribunal de Contas da União representa. Há também os TCEs, no âmbito, os quais também deveriam reger-se pelo mesmo critério, chutando para fora da instituição aqueles afilhados políticos que enlameiam o Poder Público do brasileiro em toda a sua extensão e níveis.

Este preâmbulo é para pedir que o atual presidente do TCU, Benjamin Zymler, em nome da credibilidade do órgão, da sua história, da importância, peça, sem perder um minuto sequer, demissão do cargo.

Não pode haver em órgão fiscalizador das ações o menor resquício de má conduta. O comportamento do senhor Zymler. Cobrar por palestras concedidas a empresas e órgãos que serão investigados pelo próprio órgão? Convenhamos, é um tanto imoral, não é mesmo?

Mas, ao que parece a atividade digamos...paralela, do senhor Zymler parece não se resumir a palestras eventuais. A notícia a seguir é da Folha de São Paulo, texto de Rubens Valente, e demonstra que existe uma espécie de fraternidade amistosa entre o presidente do TCU e uma empresa de Consultoria. No final eles dividem os lucros das palestras que Zymler dá e que a consultoria se encarrega de contratar.

Zymler, não perca tempo em enxovalhar um órgão sobre o qual não pode haver suspeita de espécie alguma. O órgão não te pertence, é do Estado, da sociedade. Peça demissão e vá se dedicar a atividade de palestrante que, parece, tem sido mais rentável para você e parceiros, ok?

Matéria da Folha de São Paulo e texto de Rubens Valente.

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Por que o presidente do TCU não pede demissão?

Consultoria que recebeu R$ 2,1 mi de órgãos federais vende palestras de Zymler. Ministérios contratam a Elo e pagam inscrições de servidor, que chegam a R$ 3,9 mil; outros 2 ministros dão aulas

Uma empresa contratada por órgãos da União fiscalizados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) vende na internet palestras do presidente do tribunal, Benjamin Zymler, de sua chefe de gabinete e de dois ministros-substitutos.

A Elo Consultoria Empresarial e Produção de Eventos recebeu R$ 2,1 milhões entre 2008 e 2010 de ministérios e órgãos do Executivo.

Segundo a empresa, também são ou foram seus clientes o Senado, a Câmara dos Deputados, a Petrobras e a Caixa Econômica, dentre outros -todos passam por fiscalização do TCU.

Zymler é anunciado no site da Elo na internet como um de seus principais "apresentadores". A Elo recebe o pagamento de seus clientes e repassa a Zymler a parte que lhe cabe pela palestra.

Não se sabe quanto fica com o presidente do TCU e com os outros palestrantes. Zymler, por meio da assessoria do tribunal, se recusou a falar sobre o assunto.

Algumas palestras para turmas de 30 pessoas feitas pela Elo podem arrecadar até R$ 120 mil -cada inscrição chega a custar R$ 3.900.

A próxima palestra do ministro ocorreria entre os dias 11 e 14 de fevereiro. Contudo, ontem à tarde, após a Folha procurar informações com o TCU e a Elo, a empresa postou em seu site a mensagem: "Curso cancelado".

Os valores repassados pela Elo são diferentes dos R$ 228 mil que Zymler recebeu entre 2008 e 2010, conforme revelou a Folha anteontem.

Naquele caso, os pagamentos, feitos por órgãos e entidades fiscalizados pelo ministro e pelo tribunal, ocorreram direto para Zymler ou sua empresa, a EMZ.

Em relação à Elo, como é a empresa que deve remunerar Zymler, a partir dos recursos recebidos da União, os registros de pagamentos ao ministro em 2010 não vão para o Siafi, o sistema de acompanhamento de gastos do governo federal.

Em 2009, Zymler aparece no Siafi recebendo R$ 71,1 mil por duas palestras. No ano passado, o sistema não apontou pagamento. Mas o ministro continuou prestando os serviços, que classifica de "exercício do magistério".