domingo, janeiro 30, 2011

Déficit de meteorologistas faz Inmet e Inpe fecharem durante a madrugada

O Globo

RIO - A previsão meteorológica no Brasil, segundo especialistas, tem alto padrão e bom índice de acerto, mas não para perto. Francisco Albuquerque, do Laboratório de Meteorologia Aplicada da UFRJ, explica que falta o acompanhamento local, capaz de informar com precisão onde as chuvas fortes irão cair. Radares em terra conseguiriam acompanhar a trajetória das nuvens. Outro problema é o déficit de pessoal. Tanto o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) quanto o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ficam parados de madrugada, período em que as chuvas da Região Serrana caíram com mais intensidade.

Além disso, falta coordenação de dados. O Inmet, representante oficial do Brasil entre os institutos meteorológicos internacionais, é do Ministério da Agricultura, enquanto o Inpe está ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. As estações que coletam dados, fundamentais para alimentar os modelos matemáticos responsáveis pela previsão do tempo, são de diferentes instituições, entre as quais Marinha, Aeronáutica e órgãos estaduais e municipais, qu e, em alguns casos, não trocam informações. O radar do Pico do Couto, que pertence à FAB, não estava operando no momento das chuvas.

Mais de R$ 15 milhões para meteorologia no estado

Diante desse cenário, e ainda com sob os efeitos da chuva na Região Serrana, a Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia promete investir, até o final do ano, mais de R$ 15 milhões em equipamentos e pessoal. O objetivo é fazer o acompanhamento local das nuvens e aproveitar as diferentes informações dos órgãos que fazem a previsão do tempo, coordenando esforços para melhorar o sistema.

- A previsão do tempo alerta para chuva forte numa região, mas é o radar que consegue, com duas ou três horas de antecedência, confirmar a previsão, indicar se o volume é alto e quais as localidades mais prováveis em que a chuva pode cair - explica Francisco Albuquerque, da UFRJ.

O coordenador do grupo de previsão do tempo, o meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec) do Inpe Gustavo Escobar reconhece a falta de pessoal e estrutura para cobrir com informações locais toda área de um país continental. Ele confirma a informação de que o radar da Aeronáutica, no Pico do Couto, não estava funcionando quando ocorreram as chuvas na Região Serrana:

- Temos que fazer previsão para todo Brasil, seria complicado fazer essa de curto prazo. Se o Inpe quisesse, poderia fazer, mas precisaria de mais gente.