domingo, janeiro 30, 2011

Sofre o inimigo número um das ditaduras: o jornalista

O Globo

Os quatro jornalistas franceses detidos nesta sexta-feira, no Cairo, onde ocorrem as manifestações contra o regime de Hosni Mubarak, foram libertados, informou o redator-chefe do jornal "Le Figaro". A prisão havia sido anunciada pelo porta-voz do ministério francês das Relações Exteriores, Bernard Valero.

Segundo uma fonte diplomática, os jornalistas presos trabalham para os jornais "Le Figaro" e "Journal du Dimanche", a agência de foto "Sipa" e a "revista Paris-Match".

Mais cedo, um jornalista da BBC, Assad El Sawey, afirmou ter sido espancado com barras de aço pela polícia secreta egípcia ao cobrir uma manifestação que reuniu cerca de 15 mil pessoas no centro da capital do Egito, Cairo, nesta sexta-feira.

Ele disse que policiais à paisana o detiveram mesmo depois de ter se identificado como repórter.

- Quando me prenderam, começaram a me bater com barras de aço, do tipo que se usa aqui para abater animais - afirmou. - A polícia foi "muito, muito brutal".

O repórter, que sofreu ferimentos na cabeça, disse ainda ter sido alvo de pancadas com cassetetes elétricos.

- Um grande número de jornalistas estrangeiros estava lá e todos foram levados em boleias de caminhão.

O ataque aconteceu, por volta das 13h (9h, em Brasília), logo após as orações tradicionais de sexta-feira, na Praça Ramsés, uma das maiores do centro do Cairo. Mesmo mantendo-se longe dos confrontos, o repórter foi abordado pela polícia secreta.

- Eles estavam obviamente atrás de jornalistas - afirmou o repórter, que teve uma máquina fotográfica confiscada.

As manifestações no Egito foram inspiradas pelos protestos populares na Tunísia que levaram à derrubada do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, há duas semanas. Manifestantes e policiais voltaram a se enfrentar nesta sexta-feira no centro de Cairo. A polícia disparou para o ar e usou gases lacrimogêneos e jatos de água para dispersar a multidão.