Comentando a Notícia
Um dos artigos que mais acessos este blog teve no ano passado, foi um sobre a oposição. Lá havia uma afirmação: oposição que não faz oposição, não ganha eleição.
Parece que o PSDB resolveu escolher mesmo este caminho. Se a atuação do partido após o pleito presidencial já era de uma apatia de doer, e que se acentuou ainda mais após Dilma Presidente ter assumido – mesmo que não tenha começado a governar -, hoje, o programa do partido que foi ao ar em cadeia nacional, tinha todos os ingredientes errados.
Leio no blog do Reinaldo Azevedo que o programa original era outro. Alguém resolveu editá-lo. De certo, deve ter achado que o original estava muito oposição, e resolveu dar uma caprichada na reedição, desculpem-me a expressão, deixando o programa meio bunda-mole.
Começo pela aparição – até que enfim! – de FHC, quiçá a mais ilustre figura política que o PSDB tem no momento. É bom lembrar para os esquecidos: foi ele quem modernizou o Estado e o país, e venceu Lula duas vezes, ambas no primeiro turno.
No dia em que outro político do partido tiver histórico mais ou menos semelhante, terá moral para aparecer mais do que o ex-presidente.
Contudo, a estratégia adotada, com um público numa arena, e perguntas e respostas decoradas, não mostra o melhor de FHC. E suas conquistas no período em que governou? Por que alguns tucanos ainda são refratários em exibir o legado que abriu os caminhos para um futuro melhor para o país e seu povo? Inveja? Ciúme? Ressentimento?
Sinceramente, adoraria conhecer os motivos reais. Porque o melhor que FHC poderia fazer seria mostrar, mesmo que em diminuto tempo, as grandes marcas de seu governo, tanto no campo econômico quanto no social.
Olha, enquanto vigorar no partido esta briga de vaidades, esta guerrinha vagabunda e provinciana de PSDB mineiro contra PSDB paulista, os tucanos estão condenados à irrelevância. Ao invés de escolherem ser oposição a quem está no poder e dá as cartas, resolveram inovar: fazer oposição entre si. Beleza, não?
Os gênios que escolheram este caminho devem estar exultantes de seu êxito: o PT caminha para emplacar doze anos no poder, e com possibilidade de emplacar depois mais uns quatro ou oito, ou até outros doze.
Falar de reformas? Tudo bem, mais quais reformas, cara pálida? E com que objetivos? No que a reforma política, ou a tributária, por exemplo, melhorarão a vida das pessoas? FHC falou que o partido precisa se aproximar da sociedade e dar seu recado. Realmente, este é o caminho que apontei ainda no calor da contagem dos votos no segundo turno. E isto precisava ter sido feito na semana seguinte às eleições. Não, os modernosos preferem perder tempo em discutir a relação, preferem andar na navalha das picuinhas internas ao invés de dizer a que vieram, ou criticar as ações ruins do governo – e são muitas. Motivos para fazer oposição digna do nome é que não faltam. Faltam são políticos do partido com tal disposição.
Ora, será que não existe uma única preocupação atormentando a vida dos brasileiros, que pudesse ser apontada como erro do governo Lula e que Dilma ainda não tenha sinalizado uma solução?
O PSDB escolheu seguir o caminho do inexpressivo, igual ao discurso de Dilma no Congresso. A diferença é que o PT está começando seu nono ano no poder. Quem tem de dizer coisa com coisa, às claras e concretas, quem precisa dar seu recado para a sociedade, é o PSDB. Dilma pode até planar nas abstrações, nas promessas, nos “compromissos”, nas boas intenções. Os tucanos não!
Foram 44 milhões de brasileiros que disseram não ao PT e à Lula. Por alguma razão eles deram este recado. Alguém das oposições se preocupou em avaliar minimamente as razões do veto? Garanto que não.
Assim, enquanto o partido fica dividido entre seções mineiras e seções paulistas, enquanto um tenta reduzir o espaço dos outros, para somente ele, o sabotador, aparecer na foto, não há como o partido sair do buraco em que se meteu por suas próprias mãos.
Que o PT jamais respeitou o país quando oposição, tendo sabotado todos os governos que lhe antecederam, que o partido seja adepto da mentira, da mistificação, da empulhação, disto todos sabemos. Foi com esta maca que alcançaram o poder e nele se mantém. Agora, o que o PSDB precisa entender é que há um enorme espaço em que há um povo bem informado, que discorda desta política de farsas e de aparelhamento do Estado, com a degradação de costumes e da qualidade dos serviços, e ele que precisa ser conquistado. Mesmo entre os que pouco ou nenhum estudo tem, existe enorme insatisfação pelo que o Estado deixa de lhes oferecer. Neste sentido, que opção o PSDB tem para oferecer?
Na outra ponta, há um enorme resgate com o passado recente do país que o PT, e especialmente Lula, manipularam para lhe emprestar cores falsas. Há verdades que precisam ser renovadas na memória das pessoas, assim como conquistas que foram, ardilosamente, desqualificadas, e que precisam ser resgatadas.
Com este papinho de adolescente, fazendo juras de amor eterno para a primeira namorada, coisa que ninguém crê, o PSDB não vai a lugar algum. Está na hora desta gente se dar conta que a briga é com o PT e não de tucanos mineiros contra tucanos paulistas. Jogaram dez minutos no lixo. Dilma deve ter ficado tranquila, nem precisará fazer um governo razoável. Os petistas devem ter aplaudido de pé o discurso do senhor Sérgio Guerra. É a garantia de que o poder ficará com eles por um bom tempo...