sexta-feira, fevereiro 04, 2011

O truque dos cortes sem anúncio

Comentando a Notícia

Quase ao apagar das luzes de seu governo, e diante da emitente e urgente necessidade de se aplicar cortes no orçamento de 2011, Lula desmentiu alguns de seus ministros afirmando que no PAC não haveria cortes.

Há poucos dias atrás, dona Dilma Presidente desautorizou sua ministra do Planejamento, Mirian Belchior, que havia declarado que os cortes – projetados em torno de 60 bilhões – iriam atingir investimentos do PAC.

Comentando sobre estes cortes, afirmamos que não poderia haver mágica capaz de sustentar, pelo tamanho do corte a ser realizado, que os investimentos mantivessem o nível dos últimos anos, e do que está projetado para os cronogramas de cada uma das obras. E disse mais: uma das formas seria ampliar os prazos finais de execução, até para adequar o volume de recursos disponíveis às execuções.

Pois bem: Renata Lo Prete, em sua coluna Painel, Folha de São Paulo, informou hoje :

O governo trabalha numa fórmula que lhe permita reduzir os investimentos na segunda fase do PAC 2 sem que isso comprometa o discurso de Dilma Rousseff - em mais de uma ocasião, a presidente afirmou taxativamente que os recursos do programa escapariam do contingenciamento orçamentário a ser anunciado neste mês pela equipe econômica.

Uma das manobras em estudo no Planalto é o atraso deliberado no cronograma de obras pontuais. Com isso, o governo faria caixa durante alguns meses, contribuindo para o esforço fiscal necessário ao cumprimento da meta de superávit primário de 3,1% do PIB.

Ou seja, não mesmo há mágica capaz de se manter o nível de investimentos, podando-se do orçamento 60 bilhões de reais, único valor possível de sustentar, sem sustos, o equilíbrio fiscal das contas públicas.

Cortar sem anunciar ou fazer alarde, demonstra o quanto o governo Dilma terá apreço pela transparência e pela verdade: NENHUM.

Já disse aqui, comentando os primeiros trinta dias de governo de Dilma Presidente, que a pior coisa que este governo pode fazer é continuar mudo e calado, sem apontar qual a direção que irá seguir, seja em torno de programas, seja em torno de reformas, seja em torno de políticas públicas, ou até mesmo dos investimentos para os quais dará prioridade. Isto é ruim dado que, sendo início de um novo governo, muitos investimentos privados dependem desta sinalização para também serem dimensionados e planejados.

Sem que o governo mostre o seu rumo, tais investimentos ficam sendo retardados, em prejuízo do próprio país.

Assim, espero que a nota da coluna Painel, seja apenas uma espécie de bisbilhotice. Não é possível conviver com um governo dando tiro no escuro, e achar que a economia vai respirar sob incertezas. Sinceramente, presidente, não é por aí.