sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Produzir sem fazer mais buracos

Luciano Martins Costa (*) – Brasil Econômico

Nestes tempos de mudanças radicais, quando novas terminologias se instalam no vocabulário dos negócios, falar em construções sustentáveis é quase um pleonasmo, uma vez, que, a rigor, qualquer construção que não seja sustentável vira escombros.

Também se busca melhor definição para produtos, estratégias e empreendimentos que não sejam simplesmente chamados de verdes para significar que são respeitosas ao meio ambiente.

À medida em que se consolida a sustentabilidade como condicionante das iniciativas humanas, torna-se mais necessário aprimorar os conceitos que a cercam. Em alguns setores, mais do que em outros, a compreensão dessa nova complexidade acompanha o surgimento de novos termos, que também definem práticas inovadoras.

No caso da construção civil, por exemplo, é preciso encontrar a expressão que congregue os cuidados com o meio ambiente com o enfrentamento de outros dilemas, como a questão social e a qualidade das intervenções no contexto urbano.

Fala-se em habitat sustentável, mas essa expressão ainda frequenta apenas a vanguarda do movimento por qualidade de vida.

De qualquer modo, o que se pode observar, independentemente de como sejam chamadas, é que as iniciativas em favor de construções mais inteligentes, que utilizam material reciclado e reciclável, prevêem economia de energia e de água e além de tudo contemplam as conveniências do entorno e a melhor arquitetura são uma novidade cada vez mais presente em nossas cidades.

As características da indústria de construção civil, dependente de variados fornecedores e com altíssimo grau de influência no ambiente social, exigem de seus gestores uma visão muito larga do conceito de sustentabilidade. Cada fornecedor que investe em inovação com vistas a oferecer materiais e processos sustentáveis, ajuda a consolidar essa tendência no setor.

No caso dos perfis de alumínio anunciados pela Alcoa, com 80% de insumos reciclados, acrescente-se aos benefícios para a construção civil aqueles que indiretamente podem ser contabilizados no ambiente das jazidas de bauxita.

A oferta de materiais produzidos com alumínio reciclado permite à empresa administrar melhor as demandas sobre as áreas de mineração, ampliando as possibilidades de implantar ou dar prosseguimento a projetos de redução de impactos ambientais e sociais.

A Alcoa já tem em sua carteira de realizações o Projeto Juruti, no Oeste do Pará, apontado como modelo internacional de manejo na indústria da extração mineral. Iniciado em 2000, o empreendimento reúne a oportunidade de explorar uma das maiores reservas de bauxita de alta qualidade do mundo com os riscos ambientais de atuar em pleno coração da floresta amazônica e nas proximidades de um município fundado há 125 anos.

Esse antecedente deve ser levado em conta quando se questiona a ausência de certificação externa para os perfis de alumínio reciclado.

No processo de mudanças que envolve os negócios, motivado pela urgência ambiental ou pela consciência de que a sustentabilidade assegura melhores resultados no longo prazo, um bom critério para se avaliar estratégias ditas sustentáveis é a observação das ações de uma empresa ou setor em seu conjunto. Independentemente do nome que lhes sejam dados, os projetos têm de ser coerentes.

(*) Luciano Martins Costa é jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade