Ricardo Setti, Veja online
Criminoso atrás das grades:
quando conseguiremos colocar mais assassinos na cadeia?
A iniciativa, do Ministério da Justiça, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, não poderia ser mais oportuna e adequada: um mutirão nacional, coordenado por um órgão especial, o Enasp (Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública), com gente trabalhando além do horário e levando trabalho para casa, visando retomar e terminar, até o fim do ano passado, 143 mil inquéritos – exclusivamente versando sobre homicídios ou tentativas de homicídio – abertos até o ano de 2007 pela Polícia Civil dos Estados e que estavam amontoados em delegacias e abandonados.
Esse trabalho meritório está dando com os burros n’água: dos 147 mil inquéritos, só foram examinados 28 mil, e, desses, 80% foram arquivados de vez devido à má apuração dos fatos. De todo modo, 4.652 inquéritos foram concluídos como se deve e remetidos para o Ministério Público dos Estados oferecer denúncia.
Mas esse total é um magro, magérrimo percentual de apenas 3% dos 147 mil que o Enasp tinha como alvo.
O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, Jânio Bosco Tandra, atribuiu o fato à “falta de estrutura” para as investigações.
É claro!
Você já viram algum dirigente sindical assumir que pelo menos parte de seus associados NÃO faz o trabalho direito?
Ou – muito pior – que parte deles, policiais corruptos, cometem erros propositais, em troca de propina, para que inquéritos defeituosos mais tarde resultem em processos que a Justiça derruba?
O Enasp prorrogou até o final de abril o prazo para tentar terminar a tarefa.
Os amigos do blog, porém, já perceberam onde fica um dos muitos buracos por onde escorre a possibilidade de punir criminosos – no caso, assassinos! – neste que o Hino Nacional chama de “Gigante pela própria Natureza” ou “Florão da América” que, contudo, para esses assuntos, prefiro chamar de o País da Impunidade.
Voltarei ao tema.
