Comentando a Notícia
A reportagem a seguir, do Portal G!, nos traz uma informação sobre a base brasileira na Antártica que não pode ser ignorada e, quem sabe, seja através dela que se encontrará a causa para o incêndio que a destruiu.
Mas, antes, é preciso considerar alguns aspectos. Por exemplo, a base estava construída em um único bloco, inclusive o que chamam de “praça de máquinas com geradores”. Estes geradores funcionavam com óleo diesel até que, recentemente, foi substituído por etanol. Aliás, conforme se informa, a estação brasileira era a única na Antártica a usar esse biocombustível para produção de energia.
Na medida em que a gente toma conhecimento de como estava construído o complexo com 2.600 metros quadrados de área, alguma coisa começa a formigar, uma espécie de que, provavelmente, o próprio projeto necessitasse ser revisto. Vamos aguardar mais alguns dias para que se conheça mais detalhes sobre o que fato aconteceu, e a causa que determinou a tragédia.
Mas uma coisa é imperdoável: o sigilo mantido pelo governo em relação ao naufrágio, acontecido em dezembro, com uma embarcação transportando 10.000 litros de óleo diesel. Há um compromisso internacional firmado pelo Brasil comprometendo-se em não poluir aquelas águas. A turma que resolveu silenciar sobre o acidente, é no mínimo irresponsável. O que esta formação de quadrilha esperava, que ninguém fosse saber do naufrágio? Que poderiam içar a embarcação sob segredo para não serem descobertos da derrapada? Qual é!
Juntando-se esta irresponsabilidade com os seguidos vazamentos que vem ocorrendo em alto mar na exploração de petróleo pela Petrobrás – só neste ano já tivemos dois – é preocupante a capacidade da estatal quanto a exploração do pré-sal por toda a tecnologia que ainda precisa ser desenvolvida, além das medidas de segurança que precisarão ser adotadas para evitar desastres.
Não que o Brasil não possa alcançar tecnologia e segurança capazes de nos garantir que o pré-sal será explorado dentro do mais rigoroso cuidado para evitar desastres. Porém, o temor se dá pela pressa que os calendários eleitorais poderão impor para que a extração e produção se deem em prazos menores do que o recomendado.
Desastres acontecem? Sem dúvida, e tanto poderão ser por falha mecânica ou humana, ou até as duas combinadas. Porém, este péssimo critério ou hábito de esconder-se a informação sobre eles – aliás, característica típica da tirania soviética – é, sim, preocupante. Mesmo tendo assumido compromisso perante a comunidade internacional, sonegar do conhecimento público algo tão grave, não apenas demonstra irresponsabilidade, mas um total despreparo e falta de amadurecimento que, por fim, roubam a credibilidade do país, tão duramente reconquistada, e que numa situação como essas, pode por tudo a perder. É irritante um comportamento de tamanho descaso adotado pelas autoridades brasileiras.
Sendo assim, o governo brasileiro, principalmente os ministérios envolvidos no “indesculpável” sigilo, tem a obrigação de se explicar não apenas perante a opinião pública brasileira, mas também à toda a comunidade internacional. Explicações e desculpas.
Segue trecho da reportagem do G1.
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Na madrugada deste sábado (25), um incêndio atingiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base da Marinha do Brasil na Antártida, deixando um militar ferido e dois mortos. A base foi inaugurada em fevereiro de 1984, e serve hoje basicamente como estação de pesquisa nas áreas de biologia, geologia, ciências espaciais e ciências atmosféricas - além de abrigar militares da Marinha.
Segundo Alberto Setzer, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que já fez 25 expedições ao local para pesquisa na área de meteorologia, a base abriga três "blocos" de pessoas. "Um grupo é o de militares da Marinha, encarregados do dia-a-dia da estação, de manter a base funcionando. A manutenção é feita pelo segundo grupo, que são civis do arsenal da Marinha, fazem a manutenção básica, de construção, estrutura. E tem um terceiro grupo que é dos pesquisadores civis, sendo que esses estão mais presentes no período de verão - por exemplo agora estavam cerca de 30 pesquisadores. Durante o inverno esse numero cai muito. Não tanto pelo frio, mas porque as atividades ficam muito mais restritas."
De acordo com o site do programa antártico brasileiro, o complexo tem cerca de 2.600 metros quadrados de área construída, com laboratórios, oficinas, heliponto, praça de máquinas com geradores, cozinha industrial, padaria, biblioteca, lavanderia, academia, enfermaria, acomodações, entre outras instalações.
Segundo informações do Jornal Nacional, em janeiro deste ano houve uma mudança de combustível em parte dos geradores da base, uma troca de diesel para etanol. A estação brasileira era a única na Antártica a usar esse biocombustível para produção de energia.
(Foto: Agência Estado)
Imagem de 2011 mostra a Estação Antártica Comandante Ferraz,
base científica e militar brasileira localizada na Ilha do Rei George,
a 130 km da Península Antártica, na baí¬a do Almirantado

