Comentando a Notícia
O sempre excelente Sebastião Nery, da Tribuna da Imprensa, figurinha carimbada do blog, publicou o texto que segue abaixo e que serve de enorme consolo para este blogueiro. Não estou sozinho, finalmente. Há pelo menos três anos venho denunciando a enorme mentira que emoldura a propaganda petista na sua arte de desgovernar e mistificar.
Infelizmente, poucos se deram conta da desfaçatez, e a mentira acabou ganhando o mundo como fato pronto e acabado. Como mentira, com certeza, como verdade, jamais.
A balela da “nova classe média” é um dos maiores trampos que este país conheceu ao longo de seus mais de quinhentos anos de existência. E o que é pior: vem servindo para um dos maiores confiscos salariais já sofridos pelos trabalhadores. Já provei com números, e até hoje não desmentidos - e nem conseguirão – que Lula, ao assumir em 2003, encontrou a faixa de isenção do imposto de renda na fonte em até 5 salários mínimos. Ao passar o bastão para dona Dilma, a isenção caíra para menos de 3 salários. Sua sucessora, em dois anos, deu continuidade à extorsão, conforme se pode concluir no resumo a seguir:
Em 2002 (último ano de FHC)
Salário mínimo - R$ 200,00
Faixa de isenção de IRF : até R$ 1.058,00 ou até 5,29 salários mínimo
Em 2010 (último ano de Lula):
Salário mínimo: R$ 510,00
Faixa de isenção do IRF: até R$ 1.499,15 ou 2,94 salários mínimos
Em 2011 (primeiro ano de Dilma):
Salário mínimo: R$ 545,00
Isentos de IRF: até R$ 1.566,61 ou 2,87 salários mínimos
Em 2012 (segundo ano de Dilma ou o décimo do governo petista)
Salário Mínimo: R$ 622,00
Isentos de IRF: até R$ 1.637,11 ou 2,63 salários mínimos
Parabéns e obrigado Nery: num tempo em que a nossa grande imprensa resolveu aderir à farsa e esconder do povo brasileiro a sua própria realidade, é preciso ter coragem para desmascarar mais esta grande mentira. Vamos ver quantos mais assumirão de vez uma postura de honestidade para difundir que, a tal nova classe média, não passa de arremedo estatístico prá lá de canalha.
Segue o artigo do Sebastião Nery.
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Filemon Teles, o Tio Filé, presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, recebeu pedido de um amigo da Paraíba, também deputado, para amparar um criminoso que fugira de lá e estava chegando ao Ceará. Tio Filé encaminhou o paraibano para o coronel Amâncio, do Cariri, poderoso chefe político do Crato.
Algum tempo depois, Tio Filé encontrou o coronel Amâncio:
– Como é, compadre, resolveu o problema do rapaz da Paraíba?
– Está tudo certo, já está trabalhando e é um homem de confiança para serviços de responsabilidade. Foi uma boa aquisição.
TIO FILÉ
Tio Filé agradeceu, já ia saindo, voltou:
– E os documentos dele, como é que você fez?
– Fiz um atestado de óbito dele no cartório do Crato e mandei a certidão para a Paraíba. Aí, aquele ele se acabou. Depois, fiz um registro novo para ele no mesmo cartório, com outro nome. E ele virou um homem novo.
– E a mulher dele?
– Ora, compadre, a viúva casou com o novo.
E o Sertão do Cariri ganhou mais um cidadão de confiança para serviços de responsabilidade.
CLASSE MÉDIA
Economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) usaram a receita do coronel Amâncio em 2008 e resolveram o problema da pobreza no País. Foram ao cartório do governo Lula, fizeram um atestado de óbito para a nossa classe média, acabaram com ela, arranjaram um registro novo, com números novos e ela virou uma classe média nova, muito mais vasta e numerosa.
E a classe média, de uma hora para outra, virou um truque “de confiança para serviços de responsabilidade” na propaganda do governo. Mais do que um truque, uma fraude.
Assim, em 2008 decidiram que “um lar da classe média” é o que tem renda de R$1.064 a R$4.591. E, num toque de mágica, 52% da população brasileira passaram a ser classe média. Abaixo disso, é pobre ou miserável. Acima de R$ 16 mil, é rico.
Só mesmo muito óleo de peroba para dizer que renda de mil reais (!) colocava uma família na classe média. São pouco mais de dois salários mínimos. Era a mensalidade de grande parte das faculdades particulares ou dos planos de saude. No Rio, era salário da imensa maioria das empregadas domésticas, cozinheiras, arrumadeiras. A FGV perguntou se elas são da classe média?
O senador Sarney, com cinismo classe alta, comemorou para “puxar”:
– “É uma grande mudança. Viramos um País de classe média. E a boa notícia chega também para os ricos, que cresceram de 11,61% para 15,52%”.
NA ARGENTINA
Clóvis Rossi (Folha) tem razão: – “A Argentina é um tiquinho mais exigente: para ser classe média, a família precisa ter renda mínima equivalente a R$ 1.830. Pois bem: 70% dos argentinos pertencem à classe média”.
– “É uma baixaria. Fiquei revoltado quando vi a notícia na TV. A classificação é vazia e mentirosa”, diz João Galdino, presidente da Associação de Moradores da Vila Progresso, no Rio”(Elvira Lobato, Folha).
O “novo rótulo” foi uma brutal e indisfarçada fraude, uma farsa: – 52% de classe média, 15% de ricos e 33% de pobres e miseráveis.
E ainda vão casar a viúva, o povo brasileiro, com o novo, com a mentira.