Comentando a Notícia
Convido os leitores a fazerem uma pesquisa na imprensa. Revejam as matérias esportivas, dia seguinte a grande jogos, envolvendo times e com torcida numerosa, e em todos os grandes centros do país. De um ano para cá, chegaremos a triste constatação que raros foram os que, terminados os jogos, as “comemorações” ou o simples retorno para casa, não resultaram em pancadaria, vandalismo, violência, mortos e feridos.
Esta constatação me vem à lembrança ao assistir ao vivo a palhaçada protagonizada por torcidas de algumas escolas de samba de São Paulo, durante as apurações das notas que indicariam a grande campeã do carnaval paulista de 2012.
Aliás, é justamente em São Paulo, mas também no Rio, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Salvador, que o país assiste estarrecido, como uma triste rotina, tais cenas estúpidas. E todas as cidades citadas são subsedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014.
É evidente que o vandalismo aqui é aplicado no sentido mais amplo possível, indicando todos os tipos de violência cometidas em partidas de futebol. E este vandalismo generalizado, que sequer respeita uma simples apuração de votos sobre as escolas de samba que participaram de uma festa, por si só deveria servir de alerta para as autoridades não contemporizarem na punição. Não há justificativa, sob qualquer ângulo que se analisar, para as cenas que o país inteiro assistiu. Comportamentos irracionais como aqueles não podem ser aceitos como “descontrole momentâneo”. Justamente por não serem “momentâneos”, mesmo que os personagens não sejam os mesmos. Aliás, não me admiraria se Tiago Faria também participasse das torcidas que se digladiam antes, durante e depois de grandes clássicos de futebol.
Preocupa-me, sobremodo, as reiteradas vezes que cenas como aquelas se repetem pelo país afora. Porque, vejam bem, se os arruaceiros não se corrigirem nos próximos dois anos, temo, sim, pela segurança da Copa de 2014. Enquanto a seleção brasileira for vencendo seus jogos e ultrapassando etapas, tudo correrá bem, sem dúvida. Mas, se porventura alguma desgraça acontecer no percurso, do tipo desclassificação no meio da disputa, não me surpreenderá que cenas lamentáveis possam acontecer em sinal de protesto.
Portanto, doravante, seja para os imbecis que mancharam de maneira injustificada o carnaval paulista, seja para aqueles bandidos travestidos de torcedores que promovem badernas e vandalismos em dias de jogos envolvendo grandes times, não pode haver indulgência de nenhuma espécie. As autoridades precisam deixar claro que a punição será rigorosa para quem quer seja promova violência em eventos de qualquer natureza. Não há nem plano B, nem meia solução.
É preciso rigor, seja na punição seja no policiamento preventivo, para inibir a ação marginal desta praga de baderneiros que fazem da violência seu esporte predileto. Esporte é uma atividade de congraçamento, não uma batalha campal. O carnaval é uma festa de alegria popular, não uma arena de gladiadores. E, além das autoridades, também o papel da imprensa deve ser revisto. É impressionante a maneira subliminar com que alguns jornalistas e comentaristas “convocam” as torcidas para a “grande batalha”. Portanto, adotar uma linguagem menos agressiva, seria de bom tom e serviria como canal de orientação e reeducação para os torcedores. Chega de se “aliviar” a barra de bandidos. O país está virando um caldeirão em que a vida se tornou irrelevante. Mata-se por um qualquer motivo fútil. Quem não tem capacidade para conviver harmonicamente na sociedade, que dela seja expurgado e permaneça trancafiado.
Quanto mais o país permanecer condolente com os criminosos, quanto mais justificativas para o perdão penal forem arroladas para reduzir as penas da bandidagem, mais a violência tende a crescer e fugir ao controle. Creio que 50 mil homicídios por ano, fora as toneladas de outros crimes, já sejam o bastante para a sociedade refletir sobre si mesma e buscar a resposta do tipo “onde é que nós erramos”. E, por favor, não me venham com a lamúria cretina de que a violência se origina da pobreza e miséria do povo, porque há bandidos em todos os níveis socioeconômicos. Parem com a imbecilidade de se rotular os pobres como criminosos em potencial. Aí não existe correlação alguma de causa e efeito. Acreditem: grande parte da violência atual se deve a eterna impunidade que acontece no andar de cima – classe política em geral -, e com a comiseração burra para com a bandidagem que algumas entidades tipo ong's, que nada tem de útil para fazer, e ficam invetando causas para mamarem nas tetas do Tesouro Nacional.