Ricardo Setti, Veja online
(Foto: exame.abril.com.br)
Aldo Rebelo, palmeirense de escol,
quer eleições diretas para a presidência do clube. Já para...
Está certo, certíssimo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo — o principal quadro político do PC do B –, em defender que os sócios do Palmeiras, seu clube do coração, elejam diretamente o presidente, no começo de 2013.
Como a grande maioria dos clubes de futebol do Brasil, o Palmeiras é dirigido bionicamente por presidentes eleitos por algumas centenas de conselheiros que, estes sim, são eleitos pelos sócios. Excetuados, é claro, os vitalícios, cuja existência é prevista nos estatutos de muitos clubes.
Esse sistema atende com grande frequência a interesses particulares e políticos dos mesmos de sempre, que, ora na oposição, ora no poder, são os que conduzem os grandes clubes.
A eleição direta tem como grande exemplo internacional o Barcelona, por acaso o melhor time do mundo, que desde 1953 assim elege seu presidente. O atual, Sandro Rosell, foi legitimado por 61% do impressionante número de sócios que votaram — pouco mais de 60 mil –, em junho de 2010.
(Foto: Agência Brasil)
Congresso da UNE em Goiânia, em julho do ano passado:
os picaretas não querem eleição direta de jeito nenhum
No Brasil, entre outros, o Corinthians é um dos poucos times que, por milagre, se livraram das eleições biônicas.
Está tudo muito bem, está tudo muito bom. Rebelo é a favor de eleição direta no Palmeiras.
Mas por que ele também não estende essa sede de democracia para a União Nacional dos Estudantes (UNE), cujos picaretas mamadores nas tetas do governo são eleitos de forma biônica e se opõem com a energia de cães raivosos à menção de eleições livres ?
Por acaso, por mera coincidência, naturalmente, a UNE é há anos dominada por grupelhos do PC do B, partido do ministro.

