Comentando a Notícia
Creio que já critiquei muito este verdadeiro despropósito que foi a construção da nova sede do TSE. Até hoje não conseguiu nem ouvir tampouco nenhum argumento que justificasse tamanho desperdício de dinheiro público. Ora, gastar mais de R$ 400 milhões e, ainda por cima, como informa o texto de Mariângela Gallucci , para O Estado de S.Paulo, ser construído com problemas de acústica que provocam inclusive mais lentidão às decisões que se esperam do TSE, convenhamos, é um verdadeiro atentado não apenas à racionalidade e respeito ao dinheiro público, é um legítimo atestado de total incompetência. Além disto, e conforme reportagem de O Globo, o prédio se dá a um luxo inexplicável: mesmo estando completamente vazio, à noite, seus andares permanecem totalmente iluminados. E depois tem gente do Judiciário que ainda quer culpar a imprensa de tentar desmoralizar a instituição. Neste ponto, convenhamos, a desmoralização não precisa da ajuda de ninguém. O Judiciário é que se desmoraliza sozinho, e não por uma, mas por muitas razões que a sociedade já percebeu faz tempo.
Nova sede do TSE:
monumento inútil ao desperdício
Diga lá quem puder, qual a necessidade da Justiça Eleitoral ter uma sede suntuosa para abrigar sete ministros - dos quais três integram o Supremo Tribunal Federal e dois pertencem ao Superior Tribunal de Justiça. Lá eles já dispõem de amplos gabinetes e de estruturas próprias, o que torna a obra do TSE desnecessária.O Tribunal Superior Eleitoral é o braço do Poder Judiciário com menor demanda de serviços. Em 2009, ele recebeu somente 4.514 processos. No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal recebeu mais de 103 mil ações e o STJ e o TST julgaram 354 mil e 204,1 mil processos, respectivamente.O TSE é uma corte que atua basicamente nos períodos eleitorais - a cada dois anos. Dos sete ministros, apenas dois precisariam de gabinetes, por não pertencerem aos quadros da magistratura.
Nada justifica o tamanho e o luxo nababesco da nova sede do TSE. Em vez de gastar rios de dinheiro com palácios suntuosos e desnecessários, a Justiça agiria de maneira mais responsável se concentrasse seus gastos na modernização e na melhoria de atendimento da primeira instância, para dar aos cidadãos comuns que dependem de seus serviços o tratamento digno e eficiente a que têm direito.
E, diante deste momento à inutilidade e desperdício, ainda ser erguido com defeito de fabricação? Quanto custará a mais para os contribuintes o conserto ? Não é à toa que o número de miseráveis soma milhões e mais milhões!!!!
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Plenário é caro e chique, mas ninguém ouve nada
Depois de gastar R$ 327 milhões na construção de uma moderna e sofisticada sede, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi reprovado no teste da acústica.
Responsável por decidir o futuro de políticos, a Corte dedicou parte de sua sessão de julgamentos da terça-feira a discutir problemas de acústica do prédio. Projetado por Oscar Niemeyer, o edifício, inaugurado em dezembro, tem 115.578 metros quadrados.
Ministros reclamaram que não entendiam o voto de seus colegas. Marco Aurélio Mello chegou a pedir vista de dois processos, alegando que não tinha condições de votar, pois não havia compreendido o que o relator tinha dito. "Não vejo como tocar as sessões dessa forma", disse Marco Aurélio. Ele chegou a sugerir que o plenário do TSE se instalasse provisoriamente em outra sala ou até no Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro ministro, Marcelo Ribeiro, disse enfrentar dificuldades para votar por causa da ressonância existente na sala. O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, informou que o consórcio responsável pela obra ficou de apresentar uma solução neste mês - serão feitos alguns reparos, sem custo para o tribunal.
Apresentado em 2006, o projeto começou a ter andamento no ano seguinte - quando Marco Aurélio, presidindo a Corte, emitiu a ordem de serviço para seu início. Na sessão de terça-feira, Marco Aurélio chegou a dizer que daqui a pouco teria de se consultar com um otorrinolaringologista porque não estava entendendo nada do que os colegas falavam. Admitiu ainda ter saudades do prédio antigo do TSE. Lewandowski discordou.
De acordo com informações divulgadas ontem pelo TSE, há um problema reverberação de som no plenário, devido ao seu formato de cúpula. Não há problemas nos equipamentos, mas na configuração do ambiente.
Segundo o TSE, o consórcio Via-OAS concluiu, durante a construção, que duas medidas bastariam para conter a reverberação: colocar três placas de gesso no teto e aumentar a área do carpete, instalado no chão e nas paredes. No entanto, as medidas não foram suficientes.
