quarta-feira, março 07, 2012

Retirar crucifixo das repartições públicas é imoral, ou a decisão estúpida de um pedido ignóbil.

Adelson Elias Vasconcellos

Que a liga brasileira de lésbicas não siga religião alguma, é um problema de consciência contra o que ninguém deve meter o bedelho. Cada um que viva sua escala (ou falta de) de valores e responda por ela. Ponto.

Contudo, não cabe ao estado, através de qualquer uma de suas instituições, em nome de um grupo insignificante de pessoas, impor  os valores ou a falta deles à imensa maioria de uma nação. Noventa por cento dos brasileiros são cristãos, grande parte praticante,  divididos em inúmeras seitas e religiões. Toda a “humanização” da nação nasceu a partir do cristianismo, e é esta escala de valores que nos guia e nos torna melhores do que os primatas. Portanto, ignorar nossa essência, nossa raiz histórica e nossa escala de valores, para satisfazer um grupelho, é de uma estupidez sem par.

Que as instituições de estado não se guiem por orientações ou dogmas religiosos, é uma coisa. Contudo, proibir que um símbolo da nossa civilização seja afixado em paredes de repartições públicas, é uma idiotice que só representa a total falta de compromisso do próprio estado para com a sociedade que ele DEVE representar e servir. 

O fato é que o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) decidiu acatar um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de algumas outras entidades para que sejam retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos dos espaços públicos ligados à Justiça gaúcha. 

Para a turma que “resolveu” proclamar” esta irracionalidade, pergunto: em que, a simples presença de um crucifixo na parede, é capaz de interferir no senso de julgamento de um juiz, de qualquer juiz?  Afinal, qual deve ser a orientação de qualquer corte, um crucifixo na parede ou a letra da lei?  E vou além: qual o percentual de cristãos que comparecem em tribunais comparativamente ao de lésbicas e simpatizantes? Por que a vontade de uma minoria irrelevante deve prevalecer sobre a vontade da maioria expressiva de uma sociedade? E quem mais sustenta o Estado, a sociedade cristã brasileira ou a ONG das lésbicas? 

O Estado deva preservar direitos, trata-se de uma missão constitucional, e uma das razões dele existir. Estes direitos não podem levar em conta ou privilegiar grupos, raças, credos etc. Por conta disto ele é laico. Contudo, e este é precisamente o espírito da democracia, é a vontade da maioria que prevalece na sociedade, e a ninguém é lícito chutar os valores desta sociedade, sua tradição, sua cultura, sua história, seus costumes. Alguém questionou a vontade da maioria sobre a manutenção ou retirada dos crucifixos de órgãos públicos? A ignorância deste gente só não é maior do que sua estupidez. O crucifixo que se encontram nas paredes de repartições públicas, não está representando nenhuma religião. Ele representa é a escala de valores que nos guiam, que nos direcionam enquanto sociedade. Ou seja, ele representa precisamente a sociedade brasileira, ou sua imensa maioria. Daí a decisão ser estúpida, e o pedido ignóbil e injustificado. E só para sacanear: qual dos valores cristãos (atenção: não confundir a crença e valores cristãos com a religião católica, ou evangélica, ou luterana, dentre outras) é tão ofensivo assim à comunidade de lésbicas?  Adoraria conhecer a resposta...

Portanto, até que a vontade da maioria dos brasileiros seja conhecida, a decisão é estúpida, e sequer legal ela é. Trata-se de uma ditadura de uma minoria inexpressiva desta sociedade. E este não deve ser o papel de juiz algum, seja em que tribunal for. Eis uma decisão idiota e burra, apenas para atender aos caprichos de um grupelho irrelevante, que nada representa em relação à sociedade brasileira, e que por conta de seus valores distorcidos e de baixa moral, se ofende diante da cruz que,  acima de tudo, representa e prega o amor ao próximo.  

É, de certa forma, sob este ângulo, a decisão até faz sentido quando atende a qualidade moral do grupo. A cruz deve ofendê-las justamente pelo padrão moral que representa. Mas voltarei ao tema. Há mais podridão que se esconde nesta decisão imbecil.

Isto me lembra muito  um verso de um grande sucesso de Dorival Caymi, “Samba da minha terra”:

Quem não gosta de samba 
Bom sujeito não é!
É ruim da cabeça
Ou doente do pé.

No caso de quem pediu e dos acataram o pedido, são todos doentes da alma. A hipocrisia maior desta gente é que, em dezembro, eles se põem a comemorar o Natal com o maior cinismo e, depois, ainda querem gozar do feriado da Sexta-feira Santa...  

Considerando a atuação desta gente, talvez fosse melhor até retirar o crucifixo, Cristo não merece presenciar tanta sordidez. Contudo, e é bom que se registre: a presença do crucifixo é a representação da verdadeira sociedade brasileira, e não de minorias sem moral alguma.