Comentando a Notícia
É impressionante como estes anos em que o PT está no poder, o gerenciamento racional de recursos públicos definhou. Não se vê um único canto do governo federal onde não haja “esquemas de corrupção”. Não é possível encontrar um único serviço público em que podemos qualificar de razoável ao menos. O aparelhamento da máquina pública, o esfacelamento do Estado em pequenos feudos partidários, consomem tempo, recursos, pessoal, qualidade que acabam prejudicando exatamente as classes que mais precisam de um Estado minimamente competente.
As poucas que funcionavam e outras que começavam a funcionar, entraram chão adentro. O Congresso que já não era lá um primor, acabou tornando-se um mero despachante servil aos caprichos do Executivo.
Os órgãos de controle e fiscalização, quando autorizados a bisbilhotar os meandros do poder, mal conseguem apurar a quantidade de irregularidades existentes.
Não, o governo não funciona em favor da sociedade que o sustenta não é por falta de recursos, é por falta de governo mesmo. E, quando se inaugura um programa com belas intenções em favor do país, ele acaba ou ficando pela metade ou simplesmente parando de vez.
Dilma assumiu sob o espectro de um imenso leque de promessas. As que conseguiram sair do papel, acabam virando caso de polícia como a gente lê no texto a seguir do Celso Calheiros, para o Portal Terra.
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PE: cisternas do 'Brasil sem Miséria' chegam com defeito no sertão
O primeiro lote de cisternas feitas de plástico entregues pelo programa Água para Todos - braço do Brasil sem Miséria, principal iniciativa social do governo federal - tem peças com defeito. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) classificou o problema em duas peças de "defeitos de fabricação" em nota oficial divulgada na segunda-feira e já providenciou a troca dos reservatórios de água.
A Codevasf faz parte do Ministério da Integração e é responsável pelo programa. A assessoria do Ministério da Integração respondeu que, das 3 mil cisternas de plástico (polietileno) que estão sendo entregues, apenas duas apresentaram problemas. Elas foram entregues em Cedro, município de Pernambuco que fica no Sertão do Araripe, a 480 km da capital, e que faz limite com o Estado do Ceará.
As cisternas são fundamentais para quem vive em localidades rurais no semiárido em períodos de grande estiagem. Elas armazenam a água da chuva coletada por um sistema de calhas ao redor das casas. Com parte da estrutura enterrada, mantêm a água potável e fria. Embora o semiárido seja seco na maior parte do ano, em três meses do ano a chuva é abundante.
Os reservatórios de plástico foram entregues com defeito na sexta-feira e substituídos no mesmo dia, de acordo com a nota oficial da Codevasf. As peças apresentaram um afundamento na parte superior e foram devolvidas ao fabricante, a empresa mexicana Acqualimp. A Codevasf afirmou que a origem do defeito está sendo analisada. A Acqualimp foi procurada e não respondeu as perguntas enviadas.
Desde o fim de 2011, o Ministério da Integração é alvo de denúncias e desconfianças. A principal delas colocaram o ministro Fernando Bezerra (PSB) sob suspeição por ter beneficiado seu Estado de origem, Pernambuco, com a maior parcela de recursos oficiais. Ele também foi acusado de privilegiar o deputado Fernando Filho (PSB), seu filho, no empenho das emendas parlamentares.
As revelações não foram suficientes para promover modificações no topo do ministério, mas a presidente da Repúbica, Dilma Rousseff, mexeu no segundo escalão. Ela é apontada como dona da decisão de mudar todas as diretorias das principais empresas vinculadas à pasta, como a própria Codevasf e o Departamento de Obras contra as Secas (DNOCS). O último diretor do DNOCS a sair deixou o ministério antes do Carnaval.
O programa Água para Todos tem como meta entregar 300 mil cisternas de plástico e 450 mil de placas de cimento. A primeira licitação foi feita no ano passado, e a Acqualimp foi a vencedora do certame para a fabricação e entrega de 60 mil reservatórios. O diretor comercial da empresa, Amaury Ramos, disse para a revista Carta Capital que se interessava muito pelo mercado. "É o maior programa de compra de sistemas de abastecimento de água no mundo."
A Acqualimp também anunciou a instalação de novas fábricas em Penedo (AL), Teresina (PI), Montes Claros (MG) e em Petrolina (PE), a cidade do ministro Fernando Bezerra (PSB), que tem como pré-candidato a prefeito o deputado Fernando Filho (PSB).
A decisão do governo de investir em reservatório de plástico criou um mal-estar entre as ONGs com tradição de atendimento de famílias do semiárido, sob a coordenação da Articulação pelo Semi-Árido (ASA). A principal atividade da ASA é a execução do Programa 1 milhão de Cisternas, que já entregou 372 mil depósitos de água em todo o semiárido.
A ASA possui uma metodologia que obedece alguns preceitos. Antes da instalação de uma cisterna sua, a comunidade se reúne e escolhe a casa que receberá o equipamento. Todos envolvidos são capacitados para a construção, e são os próprios beneficiados constroem a cisterna.
As críticas dos militantes da ASA vão além da durabilidade da cisterna de plástico, que o Ministério da Integração afirma ser de 20 anos - e a ASA contesta, apontando as primeiras que deformaram antes mesmo de serem usadas. Eles destacam o custo unitário superior a R$ 3 mil, enquanto os reservatórios em placas de cimento custam em torno de R$ 2 mil e têm como subproduto a organização comunitária e a capacitação dos agricultores na construção da estrutura.