João A. de Godoy, Tribuna da Imprensa
O carro nacional, mesmo com esse preço absurdo, teria algum sentido se a produção fosse inteiramente realizada no país. O consumidor, tendo um pouco de boa vontade, poderia pensar: o preço é caro, mas a causa é nobre, pois o carro produzido no Brasil gera emprego e renda para toda a cadeia produtiva. Certo?
Errado! Agora estão sendo importados muitos itens, desde projeto, ferramental até as autopeças. E para se ter uma ideia, só a cadeia produtiva de ferramentaria da indústria automobilística emprega cerca de 423 mil trabalhadores. Estes postos de trabalho estão ameaçados pelas importações de ferramentas, principalmente da China.
Se não bastasse a importação de ferramentas novas, há também a importação de ferramentas usadas. Detalhe: essa importação de ferramentas e moldes desestimula o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional, especialmente porque nossa indústria tem hoje condições de fabricar estes itens com tecnologia de ponta.
Segundo a Associação Brasileira de Fundição (Abifa), em decorrência do crescimento das importações, o setor de fundição deixou de produzir cerca de um milhão de toneladas, apenas três anos.
É a desindustrialização que se avizinha, como um fantasma assustador.