quinta-feira, maio 23, 2013

Conexões aéreas brasileiras reproduzem desigualdade entre grandes e pequenas cidades, diz IBGE


Danielle Nogueira 
O Globo

Rotas entre São Paulo e seis cidades concentram 25% do fluxo de passageiros
Para pesquisador, plano de aviação regional do governo federal não necessariamente vai promover desconcentração da malha

RIO - As conexões aéreas brasileiras reproduzem a desigualdade econômica e espacial entre grandes e pequenas cidades, com uma concentração de voos e rotas nos municípios mais populosos e de maior peso econômico. A conclusão é do estudo “As ligações aéreas 2010”, divulgado nesta terça-feira pelo do IBGE.
As conexões de seis cidades com a capital paulista concentravam 25% do fluxo de passageiros em 2010, ano de base do estudo. Entre as 20 rotas que atraíam mais passageiros, São Paulo era a origem ou o destino de 11 delas. O Rio ficava em segundo lugar, sendo partida ou ponto de chegada em oito. Brasília vinha em terceiro, com quatro.

Para Marcelo Paiva da Mota, pesquisador da Coordenação de Geografia do IBGE, o plano de aviação regional do governo federal, que prevê construção ou reestruturação de 689 aeroportos de pequeno e médio portes, não vai necessariamente promover a desconcentração da malha aérea.

— A acessibilidade vai melhorar, pois pessoas que antes tinham que percorrer cem ou 300 quilômetros para chegar a um aeroporto poderão pegar um avião sem ter que sair de suas cidades. Mas os voos que partirão desse aeroporto poderão continuar indo para os mesmos destinos. Não necessariamente haverá uma desconcentração. A tendência é que as ligações aéreas reproduzam a hierarquia urbana — disse Mota.

Em 2010, apenas 135 dos 5.565 municípios brasileiros tinham ao menos um aeroporto com voos regulares, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

BH tem custo médio por viagem mais baixo; Tabatinga tem o mais alto
O custo médio da viagem aérea, levantado pelo IBGE, também é um indicador de concentração. Belo Horizonte e São Paulo apresentavam os menores custos: R$ 186,23 e R$ 209,24 por trecho, respectivamente. Rio de Janeiro vinha em terceiro, com R$ 209,32. Quem pagava mais para viajar de avião eram os moradores de Tabatinga, no Amazonas. O custo médio da viagem aérea lá era de R$ 1.368,26 em 2010.

De acordo com pesquisadores envolvidos no estudo, o maior número de ligações aéreas no Centro-Sul, bem como a maior concorrência entre as empresas que oferecem o serviço são as razões para os menores preços das passagens. No Norte e Nordeste, o quadro é o inverso. Além do custo operacional maior — gasta-se mais combustível para percorrer distâncias maiores —, a concorrência é menor.

O estudo também constatou a redução da importância do Rio de Janeiro como um hub (centro de distribuição de voos) no país, com a ascensão de São Paulo como o principal eixo das rotas domésticas a partir dos anos 80. Mota enfatizou que o Rio vem apresentando uma recuperação no fluxo de passageiros desde 2005, com o desenvolvimento da atividade petrolífera e a perspectivas da Copa e dos Jogos Olímpicos, mas disse que dificilmente o Rio voltará a assumir a liderança no ranking de movimentação de passageiros, posto ocupado nos anos 60 e 70. Em 2010, passaram pelos aeroportos paulistas 26,8 milhões de passageiros. No Rio, foram 14,6 milhões.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não basta, como pretende o governo Dilma, deslocar bilhões de reais em investimentos para aparelhar aeroportos regionais. De que adianta estes existirem, se não houver companhias que os opere e utilizem?

O que o governo deveria, paralelamente, era por um ponto final no monopólio que vem praticado (com incentivos do próprio governo petista), pela duas empresas Gol e TAM. 

Incentivar que surjam e possam se manter pequenas empresas aéreas para fazer esta interligação entre municípios de menor, vedando que as duas grandes possam se utilizar destes aeroportos. 

Companhias de porte menor podem oferecer serviços e tarifas mais baratas, facilitando o acesso da população do interior do país. 

Ou seja, não serão os tais trocentos aeroportos prometidos por Dilma Rousseff que resolverão o problema. É sim um programa estratégico que evite o monopólio, e incentivos para o aparecimento de companhia menores que sejam engolidas pela concorrência predatória que Gol e TAM vem praticando há muitos anos.