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Com Agência Reuters
Companhia retirou a refinaria de Pasadena do plano de desinvestimento porque busca capturar margens de lucro com uma melhora do mercado
Germano Luders/EXAME
Plataforma da Petrobras:
plano 2013-2017 prevê desinvestimentos totais de 9,9 bilhões de dólares
Brasília - A Petrobras retirou a refinaria de Pasadena, nos EUA, do plano de desinvestimento porque busca capturar margens de lucro com uma melhora do mercado, disse nesta quarta-feira a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, em uma audiência no Congresso.
Ela foi convocada por parlamentares para explicar detalhes da aquisição da refinaria, operação que está sob investigação.
Graça Foster, como prefere ser chamada, disse que o objetivo da suspensão da venda da refinaria é "capturar margens que até agora não capturou".
Ela explicou que as margens de refino de Pasadena voltaram agora ao patamar de 9 dólares por barril registrado quando a empresa comprou a refinaria.
A presidente lembrou ainda que, durante a crise financeira, as margens caíram e chegaram a ser negativas em algum momento.
A compra da refinaria está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União, que apura se a Petrobras sofreu prejuízo na negociação que resultou na compra da refinaria.
Em 2006, a Petrobras comprou 50 por cento da refinaria em Houston, por 360 milhões de dólares. Mas, em seguida, entrou em uma batalha judicial com o parceiro no projeto, a Astra, que possuía os 50 por cento restantes.
No fim de junho de 2012, a estatal encerrou o litígio com a Astra, após quase seis anos de disputas, aceitando pagar 820 milhões de dólares para ficar com os 50 por cento da sua sócia no negócio.
A Petrobras desembolsou quase 1,2 bilhão de dólares pela refinaria, que possui capacidade de produção de 100 mil barris/ dia.
O plano 2013-2017 da Petrobras prevê desinvestimentos totais de 9,9 bilhões de dólares, ante 14,8 bilhões de dólares no programa anterior.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A Petrobrás pode dar a desculpa que quiser, mas o correto é que a venda (que seria num valor muito menor do que a estatal pagou pela compra), transpareceria no balanço da companhia o tamanho do prejuízo. Assim, ela prefere ficar com o mico, para azar dos acionistas, é claro.
Quanto a “capturar margens” em um refinaria que ninguém quer, e cuja viabilidade econômica exigiria investimentos tão altos que mais fácil e mais barato seria construir uma nova partindo do zero, é só balela. Se fosse possível “capturar margens”, convenhamos, quem passou o elefante branco para a Petrobrás não o teria vendido, não é mesmo?
