Gabriela Valente
O Globo
Déficit nas contas externas bate recorde para o mês e alcança US$ 8,3 bilhões em abril, aponta BC
No ano, rombo nas transações do país com o mundo soma US$ 33,2 bilhões, quase o dobro do registrado nos mesmos meses de 2012
BRASÍLIA — O Brasil registrou um déficit de US$ 8,3 bilhões nas contas externas em abril. É o pior desempenho para o mês dos últimos 66 anos, desde quando o Banco Central (BC) começou a registrar os dados. De acordo com o relatório divulgado nesta quarta-feira pela autoridade monetária, o rombo nas transações correntes — o resultado de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo — cresceu 55% em relação ao mesmo mês do ano passado. O turista brasileiro contribuiu para esse rombo.
No mês passado, o brasileiro viajou mais e gastou mais. As despesas aumentaram 17% em relação ao mesmo mês de 2012. Só em abril, os turistas daqui desembolsaram US$ 2,1 bilhões: recorde para o mês desde 1947, quando o BC iniciou sua série histórica. O que os estrangeiros gastam no Brasil não compensa nem um quarto do que o brasileiro deixa lá fora.
— A massa de salário real cresce em torno de 6% por ano — afirmou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, ao dizer que o aumento da renda é o principal motivo, já que o câmbio não anda tão favorável aos viajantes. — E boa parte dos destinos turísticos encontra-se em países em crise e surgem as oportunidades de viagens.
Desde o início do ano, o rombo nas contas externas é de US$ 33,2 bilhões: praticamente o dobro do que foi registrado no mesmo período do ano passado.
Ontem, o presidente do BC, Alexandre Tombini, antecipou-se aos números ruins e afirmou que é possível ter déficits recordes como esse num momento de retomada da economia. Em cenários como o atual, é comum o país gasta mais com importação de máquinas e com frete internacional, por exemplo.
— No entanto não devemos perder de vista que os atuais níveis de liquidez e de taxas de juros fazem parte de circunstâncias muito especiais, que tendem a desaparecer em poucos anos. Mas o Brasil está e estará preparado para enfrentar eventuais “ventos contrários” — afirmou Tombini aos parlamentares da Comissão Mista do Orçamento.
Os investimentos que entram no país para aumentar a capacidade produtiva das fábricas — considerados de melhor qualidade — não foi suficiente para cobrir o rombo das contas externas em abril. No mês passado, ingressaram US$ 5,7 bilhões. Já nos quatros primeiros meses do ano, os chamados investimentos estrangeiros chegaram a US$ 19 bilhões: US$ 1,2 bilhão a menos que no mesmo período do ano passado.