sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Conheça Leopoldo López, oposicionista radical na Venezuela

Guilherme Dearo
Exame.com

López foi preso pelo governo por organizar protestos em Caracas e é acusado de homicídio e terrorismo

Jorge Silva/Reuters 
Líder opositor Leopoldo Lopez discursa na Venezuela: 
ele se entregou à polícia depois de liderar três semanas de protestos

São Paulo – Leopoldo López tem sido o nome mais citado dos recentes protestos na Venezuela, que já deixaram mortos e feridos.

Líder da ala mais radical da oposição venezuelana, do partido de direita Voluntad Popular, López foi preso no dia 18 depois de se entregar à polícia.

Ele é tido como o maior incentivador e organizador dos protestos em Caracas e em outras cidades do país e o governo de Nicolás Maduro anunciara o seu mandato de prisão dias antes.

Para Maduro, ele é um terrorista, homicida (responsável pelas mortes dos manifestantes) e tem a intenção de promover um golpe de estado.

López disse que não deixaria a Venezuela e nem viveria na clandestinidade. Para se consagrar como “mártir”, se entregou em meio aos seus apoiadores – com uma flor e uma bandeira nacional na mão.

Ele chegou a publicar um vídeo no YouTube com a descrição “Se estão vendo este vídeo é porque o estado venezuelano emitiu uma ordem de captura contra mim”. 

López não é um novo nome pop da oposição venezuelana, apesar de Henrique Capriles ter sido mais citado em 2012 e 2013.

Henrique Capriles, do partido social-democrata Primero Justicia, foi, sim, o opositor de Chávez e Maduro nas urnas.

Capriles e López podem concordar em discordar do chavismo e de querer o “filho de Chávez” longe do poder, mas a camaradagem para por aí – apesar de já terem estado lado a lado no passado.

López é visto como explosivo, muito mais radical e de direita. Capriles, mais brando, negociador e seu partido social-democrata tem tendências humanistas e progressistas.

O próprio Capriles disse que não concordava com os meios usados por López para protestar contra Maduro.

Já López quer deixar claro que não é somente a alternativa a Maduro: é a alternativa até da alternativa, Capriles.
 
O líder opositor Leopoldo López se entrega a polícia
 durante um protesto em Caracas, na Venezuela

Questões genéticas
Natural de Caracas, López tem 42 anos e estudou sociologia, políticas públicas e direito até se envolver totalmente com política.

Chegar à presidência da Venezuela depois de tirar Maduro do poder parece ser um chamado dos genes de López.

Seu tetravô foi Cristóbal Mendoza, o primeiro presidente do país. Também é sobrinho, em alguns graus de distância, de Simon Bolívar, o histórico líder venezuelano.

Ele fundou o Voluntad Popular em 2009, partido onde ocupa atualmente o cargo de coordenador nacional.

Antes, tinha sido prefeito da cidade de Chacao entre 2000 e 2008 e chegou a fundar o Primero Justicia – de Capriles.

Sua família é da elite venezuelana, ligada aos setor industrial e petrolífero.

Documentos da embaixada dos EUA em Caracas, vazados pelo WikiLeaks, o descrevem como “arrogante, vingativo e sedento por poder”. 

Leopoldo Lopez, um dos líderes da oposição venezuelana, 
entra em um veículo blindado da Guarda Nacional em Caracas

Na mira de Chavéz
Desde 2005, López está na mira do governo venezuelano.

Em 2008, teve suas atividades políticas suspensas ao ser acusado de uso irregular de verbas públicas. O governo o acusou de receber verba da petrolífera PDVSA, onde sua mãe era gerente.

Um relatório do Departamento de Defesa dos EUA, na ocasião, apontou que a acusação era infundada e uma tentativa de Chávez de eliminar a oposição.

López recorreu da suspensão na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que decidiu, em 2011, que ele deveria receber seus direitos políticos de volta.

Assim, se candidatou às primárias presidenciais. Contudo, o governo venezuelano não respeitou a decisão e o impediu de se candidatar.

Em 2012, apoiou Capriles nas eleições contra Chávez e, depois, contra Maduro.