sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Maduro suspende porte de armas e militariza acesso a Táchira

O Globo 
Com El País

Presidente ameaça decretar estado de exceção após protestos
Para ministro, população está sendo submetida a toque de recolher virtual com manifestações

Rodrigo Abd / AP 
Manifestante enfrenta a nuvem de gás lacrimogêneo 
e canhões de água em Altamira, Caracas 

CARACAS — Com protestos e confrontos registrados no estado de Táchira, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, decidiu suspender a permissão para porte de armas, ordenar a militarização das vias de acesso à capital, San Cristóbal, e enviar reforços da Guarda Nacional à região, fronteira com a Colômbia. Numa rede nacional de rádio e TV, Maduro advertiu ainda que estava preparado para enviar tanques e decretar estado de exceção no local se fosse necessário.

Segundo o ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodriguez Torres, a população de San Cristóbal estaria submetida a uma espécie de toque de recolher, devido aos protestos que se repetem diariamente.

Na quarta, grupos de manifestantes bloquearam uma ponte que liga Táchira a Cúcuta, na Colômbia, mas nesta quinta-feira o trânsito entre os dois países estava normal.

Segundo o governo, o prefeito de San Cristóbal, o opositor Daniel Ceballos, teria responsabilidade no caos que ocorre na cidade. A prefeirura não estaria recolhendo o lixo, que então seria usado para fazer fogueiras e fechar ruas. Segundo Maduro, a oposição quer tornar Táchira na “Bengasi da Venezuela”.

— Não vamos permitir isso. Defenderemos Táchira com nossa própria vida se necessário — disse o presidente.

San Cristóbal foi uma das primeiras cidades onde começaram as manifestações, que incuíram ataques à casa do governador José Gregorio Vielma Mora, que apoia o governo. a prisão de três estudantes, levados a um presídio estadual, se tornou combustível para mais manifestações.