sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Setor de serviços perde ritmo em 2013 e avança 8,5%, revela IBGE

Liane Thedim, Nelson Lima Neto e Lucianne Carneiro 
O Globo

Em 2012, alta havia sido de 10%. Segundo pesquisa do instituto, em dezembro crescimento foi de 8,4%
Serviços prestados às famílias tiveram desaceleração no último mês de 2013 

Editoria de Arte

RIO - A receita do setor de serviços brasileiro fechou o ano passado com alta acumulada de 8,5%, informou o IBGE nesta quarta-feira. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), houve avanço de 8,4% em dezembro, na comparação com igual mês de 2012, ou seja, houve desaceleração em relação a outubro (8,8%) e novembro (8,8%). No quatro trimestre, a variação acumulada foi de 8,7%. Frente a 2012, também houve queda no ritmo, já que no ano o setor cresceu 10%.

Segundo Nilo Lopes, técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, o crescimento do emprego e da renda abaixo do esperado, aliado ao avanço da inflação e ao crescimento menor da economia:

— Houve desaceleração nas variáveis básicas econômicas, que afetaram o comércio em geral. E certamente o setor de serviços também sofre com essa queda.

O economista da MCM Consultores Leandro Padulla diz que o setor está sofrendo uma acomodação:

— É a mesma acomodação que observamos no PIB (Produto Interno Bruto) de serviços, que cresce a taxas menores. Há um crescimento mais lento da renda, que acaba afetando esse setor, assim como houve redução da confiança a partir do segundo semestre — analisa.

Na sua avaliação, o cenário para 2014 é muito semelhante ao observado em 2013. Padulla acredita que o crescimento do setor de serviços deve se manter no mesmo ritmo, mas vê risco de desaceleração.

— O consumo cai em função da taxa de inflação, que esteve mais alta durante grande parte do ano e que corrói a renda, e desaceleração da economia brasileira, que não alcançou a taxa de crescimento esperada para 2013. Isso é natural. O número foi mais tímido do que esperado em função disso — acrescenta o professor Ricardo Teixeira, coordenador de MBA da FGV.

Em 2013, o salário médio do trabalhador aumentou apenas 1,8%, menos da metade dos 4,2% de 2012, no menor ganho desde 2005, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada em janeiro pelo IBGE. Entre novembro e dezembro, o rendimento caiu 0,7% e fechou o ano em R$ 1.966,90.

Setor de serviços perde ritmo em 2013 e receita cresce 8,5%, segundo o IBGE.
  
— A desaceleração do setor de serviços no ano passado pelo IBGE confirmou o que vemos também na confiança de serviços, aqui pela FGV. Foi um ano de acomodação — afirmou a economista do Ibre/FGV Renata Carvalho Silva.

Sua expectativa é de que 2014 seja de comportamento moderado no setor de serviços. O índice de Confiança de Serviços caiu 0,9% em janeiro, frente a dezembro, para 117,2 pontos, bem abaixo da média histórica de 124,8 pontos para o indicador.

Renata chamou atenção para o recuo no ritmo de crescimento de serviços técnico-profissionais, que passou de 4,2% em novembro para 0,4% em dezembro. Esse grupo reúne atividades como consultoria e serviços jurídicos.

Um dado positivo, no entanto, é a alta de 11,5% de serviços de transportes em dezembro, frente a 10,2% em novembro.

— Este é um setor que tende a acompanhar o movimento geral da economia. Está acelerando mais que os outros, o que pode ser um indício de retomada da economia mais à frente — aponta Renata.

No ano, o segmento Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio foi o que acumulou o maior crescimento (10,8%), com destaque para os transportes aquaviário (18%) e aéreo (16,8%). Já os serviços prestados às famílias, entre eles de alojamento e alimentação, avançaram 10,2% no ano passado.

Serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 8,1% em 2013, os de informação e comunicação, 6,9%, e outros serviços (como lavanderias, atividades esportivas e cabeleireiros), 5,9%. Este último segmento é o único da pesquisa a apresentar leve tendência de alta.

— Os serviços dos correios e postagem ganharam muito com a utilização das compras pela internet. É um mercado em grande expansão. Todas as compras de pequeno e médio porte são entregues via postagem e esse serviço vem crescendo. A tendência é de bons índices para os próximos meses — afirma o técnico do IBGE.

O instituto revisou o dado de novembro — em janeiro, o IBGE havia anunciado que o setor crescera 8,6% naquele mês frente a outubro.

Porém, se observado apenas o mês de dezembro, frente ao mesmo mês de 2012, os serviços prestados às famílias registraram desaceleração, com variação inferior às taxas de outubro (12,6%) e novembro (10,1%): 9,5%.

Quatro estados apresentaram variação negativa em dezembro: Roraima (-4,9%), Amapá (-4,0%), Sergipe (-3,7%) e Mato Grosso (-1,1%). As maiores taxas de crescimento foram no Distrito Federal (25,1%), Santa Catarina (12,6%) e Rondônia (12,5%). Goiás (11,4%) e Tocantins (10,7%) também tiveram taxas expressivas. O setor no Rio de Janeiro cresceu 5,9%.

Desde o terceiro trimestre de 2013, a PMS faz parte dos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Na primeira vez em que o IBGE levou em consideração os dados do setor, que responde por mais de 60% da economia brasileira, a economia recuou 0,5%. A introdução dos novos dados também fez com que o PIB do trimestre anterior fosse revisado em 0,1 ponto percentual.

A pesquisa foi iniciada em janeiro de 2011 e apresenta indicadores a partir de janeiro de 2012. O levantamento abrange atividades do segmento empresarial não financeiro exceto os setores da saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram).