COMENTANDO A NOTÍCIA:
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José Dirceu, o cassado por corrupção, jamais saiu da cena política. Não por dilentatismo, não, porque para ele não se pode perder tempo com essas coisas. Dirceu é o poder em tempo integral. Considera que Lula está na presidência porque lhe deve isto. Ainda à frente da Casa Civil, portava-se e comportava-se como se o chefe de governo fosse ele, e mais ninguém. De certa forma, era mesmo. Mesmo que não declaradamente. E para ele o poder deve ser exercido na plenitude e da forma como entende seja o poder.
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Retornando à vida privada, jamais afastou-se do poder. Lobista, consultor empresarial, advocacia, tudo o que ele faz está inteiramente voltado ao ente público, privada só a fachada do escritório. Vejam o caso da eleição para presidente da Câmara. Ele elegeu um sucessor para Aldo Rebelo, seu companheiro de partido Arlindo Chinaglia, por entender que, com o petista, ficaria aberto o caminho para o seu retorno. Não lhe interessa o que pensa o presidente Lula: para José Dirceu o que importa é o que ele pensa ser melhor para José Dirceu, o resto joga-se no lixo. Claro que esta palhaçada e este circo todo pode comprometer a união da bancada governista. Mas e daí ? Lula que se vire, Dirceu quer o que lhe interessa.
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Pois bem, com apenas três dias de governo como governador de São Paulo, José Serra já virou alvo da crítica do terrorista, no melhor estilo trombadinha. E o que Serra fez para merecer o estilhaço ? Fez um discurso de posse como governador, criticando a política econômica de Lula. Alguma novidade no que Serra falou ? Não, nenhuma, foi coerente não com o discurso da oposição, até porque não temos oposição, quanto menos discurso para representá-la. Foi condizente com a realidade do país. Nada mais, nenhuma vírgula a acrescentar ou a retirar. E por que da reação, então ? Dirceu “viu” no discurso uma posição de Serra como candidato à 2010. E daí ? Acaso a crítica à política econômica de Lula é injusta ? Claro que não, é o que todo o país mais discute, e a tal ponto que Lula acena com um Plano de Aceleração do Crescimento. Mas Dirceu, do alto de sua maldade e má fé, pensa diferente. E até se fosse um recado para ser ele, Serra, candidato ao Planalto em 2010, o que tem isto demais ? Nada, até porque Lula assumiu em 2003 a presidência e jamais desceu do palanque. Sempre mirou chegar em 2006 como candidato à reeleição.
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A grande verdade nesta história toda é que apareceu, FINALMENTE, um discurso coerente e consistente de oposição ao governo Lula. Ufa, ! Bem como, o discurso de Serra teve repercussão e recepção positivas dentre as forças políticas e elite econômica do país. Conclusão: Serra pode tornar-se uma pedra no sapato no projeto de poder do PT. Então, o que se tem: políticos do petê reagiram, Dirceu não gostou, a imprensa zarolha alinhada também criticou. Então, ótimo. Bom para o país. Faz bem saber que poderemos ter uma oposição ao governo Lula. A saúde política brasileira agradece. Seja bem-vinda oposição. Por que demoraste tanto ?
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A seguir, nota da Tribuna da Imprensa e o comentário inteligente e pertinente do Reinaldo Azevedo.
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Dirceu acusa Serra de fazer campanha à presidência
Tribuna da Imprensa
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O ex-deputado José Dirceu (PT-SP) disse ontem, no blog que mantém na internet que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tomou posse na segunda-feira como candidato a presidente em 2010. Após um breve período de férias, Dirceu voltou a postar textos na manhã de ontem e considerou o discurso de Serra sobre estagnação, juros e câmbio "puro palanque tucano".
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"Lula reduziu os juros, que são os mais baixos da história do Brasil, e criou as condições para o inicio de um ciclo de desenvolvimento. O resto é discurso para 2010", afirmou. "Não dá para aceitar as demagogias de Serra. Como na Prefeitura de São Paulo, com a cobertura favorável da mídia, vamos viver de factóides. Governar mesmo, que é bom, nada", acrescentou.
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O ex-deputado do PT de São Paulo afirmou que o governo do estado se afunda em questões fiscais, vive uma crise de segurança pública, não consegue resolver o conflito da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) e é atormentado pelos alagamentos das grandes cidades durante o verão.
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Dirceu criticou o fato de nenhum desses assuntos ter sido citado pelo governador de São Paulo. "O tucano Serra só falou do governo Lula e disse que governará São Paulo voltado para o Brasil. Quem estará voltado para São Paulo será o Brasil - e não o contrário", disse. Na avaliação do ex-deputado do PT, o governador "precisa fazer o dever de casa, que não fez na Prefeitura da capital (que abandonou depois de 15 meses), inclusive na área social, educação e saúde, pobreza e desemprego".
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Dirceu criticou também o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a quem acusou de ter deixando uma "herança pesada" nas áreas social e de segurança e de ter abandonado a Grande São Paulo. Sobre o recadastramento dos funcionários públicos estaduais, ação que Serra adotará para evitar o pagamento a fantasmas, o ex-deputado afirmou que, se existem, são fruto dos tucanos, que, segundo ele, administram o governo do estado desde 1982.
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"Grande parte dos atuais líderes do PSDB estava com Quércia (Orestes Quércia, ex-governador) e Fleury (Luiz Antônio Fleury Filho, deputado do PTB de São Paulo e ex-governador). É só conferir, começando pelo vice-governador Alberto Goldman (PSDB) e pelo chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho", finalizou.
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José Dirceu, o cassado por corrupção, jamais saiu da cena política. Não por dilentatismo, não, porque para ele não se pode perder tempo com essas coisas. Dirceu é o poder em tempo integral. Considera que Lula está na presidência porque lhe deve isto. Ainda à frente da Casa Civil, portava-se e comportava-se como se o chefe de governo fosse ele, e mais ninguém. De certa forma, era mesmo. Mesmo que não declaradamente. E para ele o poder deve ser exercido na plenitude e da forma como entende seja o poder.
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Retornando à vida privada, jamais afastou-se do poder. Lobista, consultor empresarial, advocacia, tudo o que ele faz está inteiramente voltado ao ente público, privada só a fachada do escritório. Vejam o caso da eleição para presidente da Câmara. Ele elegeu um sucessor para Aldo Rebelo, seu companheiro de partido Arlindo Chinaglia, por entender que, com o petista, ficaria aberto o caminho para o seu retorno. Não lhe interessa o que pensa o presidente Lula: para José Dirceu o que importa é o que ele pensa ser melhor para José Dirceu, o resto joga-se no lixo. Claro que esta palhaçada e este circo todo pode comprometer a união da bancada governista. Mas e daí ? Lula que se vire, Dirceu quer o que lhe interessa.
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Pois bem, com apenas três dias de governo como governador de São Paulo, José Serra já virou alvo da crítica do terrorista, no melhor estilo trombadinha. E o que Serra fez para merecer o estilhaço ? Fez um discurso de posse como governador, criticando a política econômica de Lula. Alguma novidade no que Serra falou ? Não, nenhuma, foi coerente não com o discurso da oposição, até porque não temos oposição, quanto menos discurso para representá-la. Foi condizente com a realidade do país. Nada mais, nenhuma vírgula a acrescentar ou a retirar. E por que da reação, então ? Dirceu “viu” no discurso uma posição de Serra como candidato à 2010. E daí ? Acaso a crítica à política econômica de Lula é injusta ? Claro que não, é o que todo o país mais discute, e a tal ponto que Lula acena com um Plano de Aceleração do Crescimento. Mas Dirceu, do alto de sua maldade e má fé, pensa diferente. E até se fosse um recado para ser ele, Serra, candidato ao Planalto em 2010, o que tem isto demais ? Nada, até porque Lula assumiu em 2003 a presidência e jamais desceu do palanque. Sempre mirou chegar em 2006 como candidato à reeleição.
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A grande verdade nesta história toda é que apareceu, FINALMENTE, um discurso coerente e consistente de oposição ao governo Lula. Ufa, ! Bem como, o discurso de Serra teve repercussão e recepção positivas dentre as forças políticas e elite econômica do país. Conclusão: Serra pode tornar-se uma pedra no sapato no projeto de poder do PT. Então, o que se tem: políticos do petê reagiram, Dirceu não gostou, a imprensa zarolha alinhada também criticou. Então, ótimo. Bom para o país. Faz bem saber que poderemos ter uma oposição ao governo Lula. A saúde política brasileira agradece. Seja bem-vinda oposição. Por que demoraste tanto ?
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A seguir, nota da Tribuna da Imprensa e o comentário inteligente e pertinente do Reinaldo Azevedo.
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Dirceu acusa Serra de fazer campanha à presidência
Tribuna da Imprensa
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O ex-deputado José Dirceu (PT-SP) disse ontem, no blog que mantém na internet que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tomou posse na segunda-feira como candidato a presidente em 2010. Após um breve período de férias, Dirceu voltou a postar textos na manhã de ontem e considerou o discurso de Serra sobre estagnação, juros e câmbio "puro palanque tucano".
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"Lula reduziu os juros, que são os mais baixos da história do Brasil, e criou as condições para o inicio de um ciclo de desenvolvimento. O resto é discurso para 2010", afirmou. "Não dá para aceitar as demagogias de Serra. Como na Prefeitura de São Paulo, com a cobertura favorável da mídia, vamos viver de factóides. Governar mesmo, que é bom, nada", acrescentou.
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O ex-deputado do PT de São Paulo afirmou que o governo do estado se afunda em questões fiscais, vive uma crise de segurança pública, não consegue resolver o conflito da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) e é atormentado pelos alagamentos das grandes cidades durante o verão.
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Dirceu criticou o fato de nenhum desses assuntos ter sido citado pelo governador de São Paulo. "O tucano Serra só falou do governo Lula e disse que governará São Paulo voltado para o Brasil. Quem estará voltado para São Paulo será o Brasil - e não o contrário", disse. Na avaliação do ex-deputado do PT, o governador "precisa fazer o dever de casa, que não fez na Prefeitura da capital (que abandonou depois de 15 meses), inclusive na área social, educação e saúde, pobreza e desemprego".
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Dirceu criticou também o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a quem acusou de ter deixando uma "herança pesada" nas áreas social e de segurança e de ter abandonado a Grande São Paulo. Sobre o recadastramento dos funcionários públicos estaduais, ação que Serra adotará para evitar o pagamento a fantasmas, o ex-deputado afirmou que, se existem, são fruto dos tucanos, que, segundo ele, administram o governo do estado desde 1982.
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"Grande parte dos atuais líderes do PSDB estava com Quércia (Orestes Quércia, ex-governador) e Fleury (Luiz Antônio Fleury Filho, deputado do PTB de São Paulo e ex-governador). É só conferir, começando pelo vice-governador Alberto Goldman (PSDB) e pelo chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho", finalizou.
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Dirceu e o fascismo do PT
Por Reinaldo Azevedo
Engraçado o destaque que os sites noticiosos estão dando à “análise” de José Dirceu em seu blog. Segundo ele, o governador José Serra tomou posse como candidato à Presidência da República. É mesmo? Dirceu é realmente um analista frio, ousado e que corre grandes riscos. Taí uma constatação que realmente perturba. A mim, por exemplo, tal hipótese jamais ocorreria. Falta agora o ex-ministro de Lula afirmar que Aécio Neves também é candidato...
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Dirceu e o fascismo do PT
Por Reinaldo Azevedo
Engraçado o destaque que os sites noticiosos estão dando à “análise” de José Dirceu em seu blog. Segundo ele, o governador José Serra tomou posse como candidato à Presidência da República. É mesmo? Dirceu é realmente um analista frio, ousado e que corre grandes riscos. Taí uma constatação que realmente perturba. A mim, por exemplo, tal hipótese jamais ocorreria. Falta agora o ex-ministro de Lula afirmar que Aécio Neves também é candidato...
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O gracejo, evidentemente, esconde o lado doloso da “análise” de Dirceu, hoje um consultor da iniciativa privada. Trata-se de um esforço para desqualificar a traulitada que Serra deu na política econômica. Aliás, o próprio Dirceu já fez crítica no mesmo sentido. Como sabemos, os petistas querem ter o monopólio do direito de governar e também de pensar alternativas. É o projeto gramsciano. Gramsci, o pai da teoria do totalitarismo perfeito, queria que o partido fosse a única fonte de onde emanassem tanto as verdades afirmativas do poder como as negativas.
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Como lembro no meu bate papo com Diogo Mainardi, a máxima petista pode ser uma adaptação da recomendação do filósofo fascista Giovanni Gentile. Ele preconizava: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Troque-se “Estado” por partido, e teremos o fascismo do PT.