Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
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O governador Sérgio Cabral Filho começou sua gestão criando um factóide a seu favor: o de pedir ao governo federal que envie a Força Nacional para tentar pacificar a cidade. Foi uma demonstração cabal de que, primeiramente, rompe com o padrão Garotinho de tratar da segurança pública. E, em segundo, se mostra preocupado com o desamparo da população -daí, portanto, não ter hesitado em pedir ajuda.
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Cabral sabe perfeitamente que tudo não passa de pirotecnia. O combate à violência, ao tráfico, é complexo e não passa por um mero programa de tolerância zero, como Rudolph Giuliani impôs a Nova York. Tempos atrás, a inspetora Marina Magessi foi extremamente feliz ao afirmar que iluminação das ruas é caso, sim, de segurança pública. Que educação, saúde, saneamento básico, asfaltamento, são questões agregadas à segurança pública. Que o tratamento dos usuários de drogas é questão também de segurança pública, desde que visto como questão de saúde pública.
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Isto quer dizer que o combate à criminalidade, seja a dos traficantes, seja a das milícias, passa por algo que o Estado jamais fez: dar cidadania. Os investimentos na área social do governo Lula ficaram aquém até mesmo daquilo que foi aplicado durante o governo Fernando Henrique Cardoso - que não tinha lá tais preocupações. Cidadania não é Bolsa Família, mero paliativo como a eventual ação da Força Nacional de Segurança.
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Combater o crime passa por investir mais e pensar em superávit primário de menos, integrar o País no rumo do crescimento, conforme sonha Lula. Apesar da falta de criatividade e da incapacidade de a equipe econômica se livrar dos ditames acadêmicos, passa pela ousadia que prega o presidente. É a elaboração de um círculo virtuoso, como finalmente se deram conta.
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Até pode ser que o governador Sérgio Cabral esteja realmente empenhado e, fechado com o governo federal, se use da inteligência para fazer com que o Estado cumpra o papel que lhe cabe. Do contrário, terão mudado apenas as moscas, pois o discurso e a prática continuarão essencialmente os mesmos.
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Beicinho
Cesar Maia não gostou das declarações de Lula, que comparou a violência no Rio a atos de terrorismo. O prefeito considerou as palavras do presidente como sendo graves e prejudiciais à imagem não só da cidade, mas também do País no exterior.
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Prefeito: o que prejudica não são as declarações do presidente, mas o estado calamitoso em que está a segurança há muito tempo. Inclusive, a prefeitura tem parcela de culpa neste caos.
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Saio eu
A saída de Carlos Kawall do comando da Secretaria do Tesouro se deveu à falta de ousadia da equipe econômica puxada por Guido Mantega e Henrique Meirelles. No pacote econômico que seria anunciado no final do ano passado, um dos pontos mais importantes seria justamente uma boa quantidade de benefícios fiscais e mudanças de alíquotas que foram abortadas pelo acordo de R$ 380 para o salário mínimo.
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Kawall pretendia que o pacote econômico contemplasse o melhor de dois mundos. E achava que estava na hora de um freio de arrumação na questão fiscal. Com o adiamento do pacote, preferiu sair.
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Todo vapor
Ricardo Berzoini voltou com a corda toda. Reassumiu a presidência do PT e já colocou Arlindo Chinaglia (SP) como candidato à presidência da Câmara. Ignorou as gestões que vêm sendo feitas pelo Palácio do Planalto para debelar um levante de deputados peemedebistas, que pretendem fechar com Aldo Rebelo.
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Berzoini forma ponta e dupla com o ex-ministro José Dirceu. Se Chinaglia vencer a corrida eleitoral para a presidência da Câmara, podem anotar: receberá um pedido conjunto para anistiar Dirceu e Pedro Correia - Roberto Jefferson viria no vácuo - e restaurar-lhes os direitos políticos.
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Estamos aí
Berzoini reuniu a rapaziada no restaurante Feitiço Mineiro, onde a turma do PT sempre curtiu sossegada uma Germana, uma Pirapora ou uma Anísio Santiago. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) esteve lá para botar panos quentes em antigos desentendimentos.
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Quem também fez questão de atender ao convite de Berzoini foi Aldo Rebelo. Ninguém esperava, mas ele foi. E se sentou em frente à mesa de Arlindo Chinaglia, pouco se lixando para o mal-estar. Inclusive o presidente da Câmara fez questão de cumprimentá-lo.
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O governador Sérgio Cabral Filho começou sua gestão criando um factóide a seu favor: o de pedir ao governo federal que envie a Força Nacional para tentar pacificar a cidade. Foi uma demonstração cabal de que, primeiramente, rompe com o padrão Garotinho de tratar da segurança pública. E, em segundo, se mostra preocupado com o desamparo da população -daí, portanto, não ter hesitado em pedir ajuda.
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Cabral sabe perfeitamente que tudo não passa de pirotecnia. O combate à violência, ao tráfico, é complexo e não passa por um mero programa de tolerância zero, como Rudolph Giuliani impôs a Nova York. Tempos atrás, a inspetora Marina Magessi foi extremamente feliz ao afirmar que iluminação das ruas é caso, sim, de segurança pública. Que educação, saúde, saneamento básico, asfaltamento, são questões agregadas à segurança pública. Que o tratamento dos usuários de drogas é questão também de segurança pública, desde que visto como questão de saúde pública.
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Isto quer dizer que o combate à criminalidade, seja a dos traficantes, seja a das milícias, passa por algo que o Estado jamais fez: dar cidadania. Os investimentos na área social do governo Lula ficaram aquém até mesmo daquilo que foi aplicado durante o governo Fernando Henrique Cardoso - que não tinha lá tais preocupações. Cidadania não é Bolsa Família, mero paliativo como a eventual ação da Força Nacional de Segurança.
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Combater o crime passa por investir mais e pensar em superávit primário de menos, integrar o País no rumo do crescimento, conforme sonha Lula. Apesar da falta de criatividade e da incapacidade de a equipe econômica se livrar dos ditames acadêmicos, passa pela ousadia que prega o presidente. É a elaboração de um círculo virtuoso, como finalmente se deram conta.
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Até pode ser que o governador Sérgio Cabral esteja realmente empenhado e, fechado com o governo federal, se use da inteligência para fazer com que o Estado cumpra o papel que lhe cabe. Do contrário, terão mudado apenas as moscas, pois o discurso e a prática continuarão essencialmente os mesmos.
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Beicinho
Cesar Maia não gostou das declarações de Lula, que comparou a violência no Rio a atos de terrorismo. O prefeito considerou as palavras do presidente como sendo graves e prejudiciais à imagem não só da cidade, mas também do País no exterior.
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Prefeito: o que prejudica não são as declarações do presidente, mas o estado calamitoso em que está a segurança há muito tempo. Inclusive, a prefeitura tem parcela de culpa neste caos.
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Saio eu
A saída de Carlos Kawall do comando da Secretaria do Tesouro se deveu à falta de ousadia da equipe econômica puxada por Guido Mantega e Henrique Meirelles. No pacote econômico que seria anunciado no final do ano passado, um dos pontos mais importantes seria justamente uma boa quantidade de benefícios fiscais e mudanças de alíquotas que foram abortadas pelo acordo de R$ 380 para o salário mínimo.
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Kawall pretendia que o pacote econômico contemplasse o melhor de dois mundos. E achava que estava na hora de um freio de arrumação na questão fiscal. Com o adiamento do pacote, preferiu sair.
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Todo vapor
Ricardo Berzoini voltou com a corda toda. Reassumiu a presidência do PT e já colocou Arlindo Chinaglia (SP) como candidato à presidência da Câmara. Ignorou as gestões que vêm sendo feitas pelo Palácio do Planalto para debelar um levante de deputados peemedebistas, que pretendem fechar com Aldo Rebelo.
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Berzoini forma ponta e dupla com o ex-ministro José Dirceu. Se Chinaglia vencer a corrida eleitoral para a presidência da Câmara, podem anotar: receberá um pedido conjunto para anistiar Dirceu e Pedro Correia - Roberto Jefferson viria no vácuo - e restaurar-lhes os direitos políticos.
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Estamos aí
Berzoini reuniu a rapaziada no restaurante Feitiço Mineiro, onde a turma do PT sempre curtiu sossegada uma Germana, uma Pirapora ou uma Anísio Santiago. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) esteve lá para botar panos quentes em antigos desentendimentos.
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Quem também fez questão de atender ao convite de Berzoini foi Aldo Rebelo. Ninguém esperava, mas ele foi. E se sentou em frente à mesa de Arlindo Chinaglia, pouco se lixando para o mal-estar. Inclusive o presidente da Câmara fez questão de cumprimentá-lo.