quinta-feira, janeiro 04, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Crescimento rápido ou utopia?
Jornal do Brasil
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Menos de 24 horas depois de o presidente Lula confirmar para janeiro o que chamou de "Programa de Aceleração do Crescimento" (PAC), um anúncio ministerial e uma análise das contas do Executivo indicam que, a depender do Orçamento, a aceleração terá que ser muito profunda. O anúncio, feito pelo ministro Guido Mantega tão logo o presidente prometeu "ampliar e agilizar o investimento público", é de que o governo vai continuar contingenciando os recursos previstos nas emendas parlamentares ao orçamento. A análise, divulgada ontem pela ONG Contas Abertas, conclui que o governo acumulou, nos últimos anos, R$ 17,1 bilhões em restos a pagar para investimentos.
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Apenas em 2006, diz o estudo baseado em dados parciais do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), o governo comprometeu-se a pagar (empenhou) mas não pagou R$ 13,1 bilhões previstos para investimentos. Os outros R$ 4 bilhões não pagos foram acumulados em exercícios anteriores a 2006.
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Se pagasse os restos acumulados e investisse o que prevê no Orçamento Fiscal da União para 2007, o governo Lula investiria neste ano R$ 44,4 bilhões. Mas o anúncio de novo contingenciamento sinaliza um corte de cerca de R$ 20 bilhões, entre verbas previstas nas emendas parlamentares e dotações incluídas na proposta original do Orçamento da União.
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O ministério com maior volume de restos a pagar em 2007 será o dos Transportes (R$ 3,6 bilhões), seguido das Cidades (R$ 3,1 bilhões) e da Saúde (R$ 3 bilhões).
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De acordo com a análise do Contas Abertas, os três programas orçamentários com maior volume de restos a pagar são o de "Saneamento Ambiental Urbano" (R$ 1,347 bilhões), "Manutenção da Malha Rodoviária Federal" (R$ 1,315 bilhões) e "Urbanização, Regularização e Integração de Assentamentos Precários" (R$ 1,044 bilhões).
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Em entrevista rápida concedida ontem, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, disse que o pacote econômico "não terá medidas surpreendentes para causar estupefação na sociedade". Entre outros pontos vai incluir, segundo o ministro, previsão de investimentos em setores ligados à informática e aumentará a lista de benefícios para a construção civil.
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América Latina vai perder mais investimentos para a Ásia
Por Jamil Chade, Agência Estado
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Nos próximos quatro anos, a América Latina continuará a perder espaço como destino de investimentos estrangeiros para a Ásia, apesar de todas as suas potencialidades. A constatação é da consultoria KPMG, que em um levantamento com executivos de todo o mundo, apontou que as economias latino-americanas sofrerão uma queda no que se refere ao peso da região no total de investimentos recebidos no mundo. O Brasil deverá se manter líder entre os latino-americanos na atração de investimentos, seguido pelo México.
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Segundo o estudo, a redução da importância da América Latina como destino no volume mundial de investimentos será de 0,7%, enquanto a Ásia observará um aumento de 3,4% no seu peso até 2010. Em 2006, as economias latino-americanas receberam apenas 61 bilhões de dólares em investimentos, apesar de contar com 528 milhões de consumidores, 14% da oferta de petróleo do mundo e 50% das terras aráveis do planeta. Os investimentos ficaram bem abaixo do volume captado pelos asiáticos: mais de 60 bilhões de dólares apenas na China e outros 10,7 bilhões no Vietnã.
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Na região latino-americana, o Brasil vai se manter como principal destino dos investimentos. Em 2006, o volume oficial estimado é de 18 bilhões de dólares.
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No levantamento feito pela consultoria, 26% das empresas afirmaram que iniciariam novos projetos no país até 2010. No México, a taxa seria de 19%. Brasil e México são responsáveis por quase 50% de todos os recursos estrangeiros que entram na região.
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Mas, mesmo assim, Brasil e México não conseguirão evitar uma queda do peso da América Latina no cenário internacional. Existe uma percepção entre os investidores de que há uma resistência em relação às reformas estruturais nas economias latino-americanas e dificuldades em manter a segurança para os investidores que queiram se aventurar na região.
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Outros obstáculos para se investir na região são a falta de planejamento de longo prazo por muitos governos, que impede que empresas do setor de alta tecnologia estejam dispostas a produzir na América Latina, e a falta de garantias em termos de propriedade intelectual.
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O levantamento ainda mostra que outra diferença entre a América Latina e a Ásia é a formação de profissionais e o nível de educação. No caso latino-americano, os sistemas educativos deficientes exigem que muitas multinacionais destinem recursos para formar seus funcionários. Cerca de 60% dos entrevistados também se queixam de corrupção e da necessidade de subornar autoridades para conseguir operar nos países da região.
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Se em 2005 e 2006 os investimentos já foram inferiores aos da Ásia, os próximos quatro anos devem ampliar a diferença entre as duas regiões. Isso porque o crescimento da América Latina, que foi de 5,8% em 2005 - um dos melhores das últimas décadas - será reduzido para uma média de 3,7% entre 2007 e 2010, contra mais de 8% na China e na Índia.
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Busato: o País precisa combater a impunidade

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"O Brasil precisa deixar de ser o país que só combate a violência a cada vez que há um caso mais explosivo e brutal, para ser um país que toma medidas efetivas contra esse problema e que não conviva com a impunidade", afirmou hoje (03) o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato. Para ele, ações como aumento de penas ou convocação das Forças Armadas para combater a criminalidade - defendidas respectivamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral - não são a solução para o problema da violência. "É evidente que num primeiro momento com as Forças Armadas nas ruas haverá um certo conforto visual em relação à necessidade de segurança que o povo tem, mas é claro que isso não resolve a situação. Temos que atacar o problema de fundo", sustentou Busato.