terça-feira, fevereiro 20, 2007

Canção de despedida

O Dia Online

Família de analista atropelada após deixar bloco enterra foliona ao som de música preferida

Rio - Ao som de ‘Andança’, canção que costumava entoar em rodas de violão durante a adolescência, a analista de sistemas da Petrobras Jaqueline dos Santos Alves, 41 anos, foi enterrada ontem, no cemitério Parque da Colina, Niterói. Sua mãe, Francisca dos Santos, 68, que viu a filha ser atropelada na Rua Visconde Silva, em Botafogo, quando voltavam de um bloco carnavalesco, deixou sobre o caixão colares havaianos e do Cordão do Bola Preta usados por Jaqueline no sábado.

Maria, 8 anos, que estava com a mãe e a avó no momento do acidente, não quis ir ao cemitério. Os outros dois filhos de Jaqueline, Francisco, 14, e Fabiano, 12, estavam vestidos de preto e eram consolados pelos abraços do pai, o engenheiro de tráfego da CET-Rio Ricardo Lemos Gonzaga, 44.
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Bastante abalado, ele não quis dar declarações à imprensa. Dona Francisca limitou-se a dizer: “Está muito doído”. Cerca de 150 pessoas acompanharam o cortejo. O clima era de muita tristeza e indignação. O motorista da Parati preta que, segundo testemunhas, teria atropelado Jaqueline, fugiu sem prestar socorro à analista.

Sem filmagem
Uma parente de Jaqueline chegou a voltar ao posto de gasolina, localizado na esquina das ruas Visconde Silva e Conde de Irajá, para saber se câmeras do circuito interno poderiam ter gravado as cenas do acidente. As câmeras, porém, não registraram o momento em que o motorista subiu a calçada, atropelou Jaqueline, deu marcha à ré e fugiu.

Jaqueline deixou o bloco Empolga às 9h por volta das 20h de sábado e seguia para a casa do cunhado, no início da Rua Visconde de Caravelas, por onde o bloco havia passado, e onde estavam seu marido, familiares e amigos. Como ainda havia muita gente na rua e ela estava acompanhada da filha caçula e da mãe, a analista quis evitar o tumulto e preferiu dar a volta pelo quarteirão.

Jaqueline chegou a ser levada para o Hospital Miguel Couto, na Lagoa, de onde foi transferida para o Hospital Copa D’ Or, em Copacabana, mas não resistiu. Ela sofreu traumatismo craniano e fratura exposta de fêmur. Registro na 10ª DP (Botafogo).
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No Humaitá, uma criança, filho de uma ambulante, foi atropelada ontem por um veículo que saía do estacionamento de um prédio no Largo dos Leões, interditado ao trânsito. A criança teve ferimentos leves.

Carnaval era uma paixão
Jaqueline dos Santos Alves, seu marido, Ricardo Lemos Gonzaga e os três filhos viajariam ontem para descansar em um sítio da família, no interior do estado. De acordo com parentes, Jaqueline tinha uma personalidade muito alegre e adorava brincar o Carnaval.
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Ao se despedir da filha no enterro, dona Francisca estava tomada pela emoção: “Vai minha guerreira, minha foliona. Nós te amamos!”, conclamou. Ela também deixou sobre o caixão o lenço que usou para enxugar as lágrimas, quando soube que a filha havia morrido.