quarta-feira, março 07, 2007

Lula convida Geddel para Integração

Correio Braziliense
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu ontem uma série de conversas a fim de concluir a reforma ministerial. Ele recebeu o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que foi convidado para assumir o Ministério da Integração Nacional. Depois disso, convocou o presidente do PMDB, Michel Temer, para um encontro hoje à tarde no Palácio do Planalto.
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Com Geddel confirmado na Integração Nacional, Lula vai negociar com Temer o restante da cota do partido na Esplanada dos Ministérios. A bancada do PMDB deseja mais uma pasta, mas Lula ainda não sinalizou se vai acatar o pedido. Previdência e Agricultura são cobiçadas pelo partido. Reinhold Stephanes é cotado para a Previdência, cargo que já ocupou no governo Fernando Henrique Cardoso.
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Caso a escolha recaia sobre a Agricultura, um integrante da bancada ruralista será indicado. Dessa forma, a bancada do PMDB na Câmara teria dois ministros, igualando-se à bancada do Senado, contemplada com as pastas das Comunicações e de Minas e Energia. Como a bancada do PMDB não se sente representada pela indicação praticamente certa de José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde, deseja ser contemplada com uma destas pastas. Temporão é indicação do governador do Rio, Sérgio Cabral, e será debitado na cota pessoal de Lula.
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AnúncioSinalizando que pretende acertar-se com Temer, a principal preocupação do Palácio do Planalto é não se indispor com os dois grupos que disputam o poder no PMDB. O Palácio do Planalto apostava na vitória de Nelson Jobim. Porém, diante do fortalecimento da candidatura de Temer, decidiu acelerar a reforma ministerial.Lula e seus assessores políticos estudam a melhor maneira de anunciar a reforma ministerial. Caso se antecipe e divulgue os nomes esta semana, o gesto pode ser interpretado como uma indelicadeza contra os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), que bancam a candidatura de Jobim. Uma das opções é fechar o acordo com Temer e anunciar as nomeações somente depois da eleição pela presidência do PMDB, para não caracterizar um abandono da candidatura de Nelson Jobim por parte do governo.
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Lula busca uma forma de compensar o PSB e o deputado Ciro Gomes (CE), que trabalhava para manter no Ministério da Integração Nacional seu sucessor, o ministro Pedro Brito. Geddel, que substituirá Brito, garantiu a Lula empenho no principal projeto da pasta, a transposição do rio São Francisco, mesmo com a forte resistência da Bahia ao projeto. Uma das opções estudadas pelo governo é a criação de uma pasta que seria responsável pelos portos e aeroportos do país. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), é um dos cotados para o novo posto.

Cidades
Com a questão do PMDB bem encaminhada, Lula partiu para o último entrave da reforma: uma vaga na Esplanada para a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. O PT pressiona o presidente Lula a nomeá-la para o Ministério das Cidades. Ontem, durante rápido encontro com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, mais uma vez Lula falou das dificuldades de abrir espaço para a prefeita. Berzoini não gostou do que ouviu e saiu mal-humorado da reunião.
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Lula prometeu o Ministério das Cidades para o PP. Em conversa com lideranças do partido, teria confirmado a manutenção do ministro Márcio Fortes no cargo. Antes do Ministério das Cidades, o PT tentou levar Marta Suplicy para o Ministério da Educação, mas Lula vetou o pleito, alegando que não tiraria um técnico da pasta, o ministro Fernando Haddad.