Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Agora que o presidente Lula parece a poucas horas de anunciar reformas no ministério, Brasília está coberta por imensa nuvem de gafanhotos. É bom esclarecer que nenhum é daqui. Vieram de fora, dos estados. Querem, os gafanhotos, ministérios, cargos de segundo escalão da administração federal e onde mais possam encontrar alguma plantinha verde para deglutir.
O PT tenta impor Marta Suplicy, de preferência no Ministério das Cidades, horta reivindicada pelos gafanhotos do PP, que já a ocupam. Mas querem mais: o Ministério da Reforma Agrária, com Walter Pinheiro, da Pesca, com José Fritsh, dos Direitos Humanos, com Luiz Eduardo Greenhalg ou Irini Lopes, das Relações Institucionais, com Jorge Viana, além da presidência da refinaria Alberto Pasqualini, com Miguel Rosseto, da BR Distribuidora, com José Eduardo Dutra e mil e outras diretorias nas estatais. Não falam em Tarso Genro para a Justiça porque não precisa, já é dele. Além dos ministros e assessores que continuarão.
O PMDB manterá as Comunicações e as Minas e Energia, com Hélio Costa e Silas Rondeau, e avança em cima da Integração Nacional, com Geddel Vieira Lima. A esquadrilha, porém, está faminta e exige no mínimo mais um ministério. O PTB faz mira na Agricultura, com a certeza de que continuará com o Turismo, de Valfredo Mares Guia. E o PC do B não abre mão dos Esportes.
A nuvem de gafanhotos não tem fim. Algum desses gafanhotos, perdão, novos ministros, já pensou em plantar programas ou adubar novas idéias?
Violência
Reúnem-se esta semana os grupos de trabalho do Senado e da Câmara que tinham 45 dias para elaborar medidas destinadas a combater a violência e a insegurança pública. Tinham 45 porque agora só têm 40, como na próxima semana terão 33, e assim por diante. Num período de quinze dias, entre massacres e balas perdidas, em todo o País, provavelmente mais de 200 pessoas morreram. Três horrores, porém, chocaram ainda mais: o menino, no Rio, arrastado por sete quilômetros por um carro conduzido por animais; a menina, em São Paulo, morta a tiro no colo do avô, por assaltantes; e o bebê, em Joinville, afogado na pia batismal de um templo adventista, por um tarado.
Deixando à margem os que o Congresso irá preparar, para somar-se aos apresentados há anos, mas ainda não votados, pergunta-se: que tratamento dar aos bandidos responsáveis por tantos crimes hediondos repetidos todos os dias? Porque não adianta dizer que esses bandidos são vítimas da crise social, da falta de ensino regular, da miséria e até da fome.
Alegar direitos humanos para um só desses animais significa tripudiar sobre os direitos humanos do cidadão que sofre das mesmas mazelas e se mantém acorde com as leis nacionais. É preciso que parlamentares ganhem coragem para enfrentar a bandidagem, interrompendo qualquer benefício legal para os que forem capturados, estabelecendo penas capazes de ir da prisão perpétua ao isolamento por muitas décadas.
A finalidade da pena pode ser de preservar o futuro tanto quanto de reparar o passado, mas, nesses casos, pela expulsão permanente ou prolongada do convívio social. Caberá à Justiça papel tão importante quanto o do legislador. Qual milagre maior capaz de acontecer, o Legislativo legislar ou o Judiciário aplicar a lei?
Cercados
A visita de Bush levanta questão que o neoliberalismo e a globalização darão de ombros, certamente nem abordada pelo visitante com Lula, mas muito grave. Já reparou o leitor estar o território nacional quase cercado por bases americanas? Da Colômbia ao Peru, da Bolívia ao Paraguai, dizem que também no Uruguai, pontificam tropas americanas estacionadas a poucos quilômetros de nossas fronteiras. Armadas até os dentes, a pretexto do combate ao narcotráfico e ao contrabando, mas prontas para qualquer ação.
Dirão alguns que as bases nada representam, porque se os EUA decidissem por alguma ação bélica contra o Brasil, bastaria mandarem um porta-aviões para nossas costas. Cada um tem aviões de caça e bombardeio em número várias vezes superior a nossas esquadrilhas. Se enviassem um só submarino, movido a energia atômica e capaz de ficar um ano submerso, o único remédio depois de quinze minutos de guerra seria transformar nossos guerreiros em guerrilheiros. Coisa que parece já estar sendo feita. Assim, os gringos entrariam, mas poderiam não sair...
BRASÍLIA - Agora que o presidente Lula parece a poucas horas de anunciar reformas no ministério, Brasília está coberta por imensa nuvem de gafanhotos. É bom esclarecer que nenhum é daqui. Vieram de fora, dos estados. Querem, os gafanhotos, ministérios, cargos de segundo escalão da administração federal e onde mais possam encontrar alguma plantinha verde para deglutir.
O PT tenta impor Marta Suplicy, de preferência no Ministério das Cidades, horta reivindicada pelos gafanhotos do PP, que já a ocupam. Mas querem mais: o Ministério da Reforma Agrária, com Walter Pinheiro, da Pesca, com José Fritsh, dos Direitos Humanos, com Luiz Eduardo Greenhalg ou Irini Lopes, das Relações Institucionais, com Jorge Viana, além da presidência da refinaria Alberto Pasqualini, com Miguel Rosseto, da BR Distribuidora, com José Eduardo Dutra e mil e outras diretorias nas estatais. Não falam em Tarso Genro para a Justiça porque não precisa, já é dele. Além dos ministros e assessores que continuarão.
O PMDB manterá as Comunicações e as Minas e Energia, com Hélio Costa e Silas Rondeau, e avança em cima da Integração Nacional, com Geddel Vieira Lima. A esquadrilha, porém, está faminta e exige no mínimo mais um ministério. O PTB faz mira na Agricultura, com a certeza de que continuará com o Turismo, de Valfredo Mares Guia. E o PC do B não abre mão dos Esportes.
A nuvem de gafanhotos não tem fim. Algum desses gafanhotos, perdão, novos ministros, já pensou em plantar programas ou adubar novas idéias?
Violência
Reúnem-se esta semana os grupos de trabalho do Senado e da Câmara que tinham 45 dias para elaborar medidas destinadas a combater a violência e a insegurança pública. Tinham 45 porque agora só têm 40, como na próxima semana terão 33, e assim por diante. Num período de quinze dias, entre massacres e balas perdidas, em todo o País, provavelmente mais de 200 pessoas morreram. Três horrores, porém, chocaram ainda mais: o menino, no Rio, arrastado por sete quilômetros por um carro conduzido por animais; a menina, em São Paulo, morta a tiro no colo do avô, por assaltantes; e o bebê, em Joinville, afogado na pia batismal de um templo adventista, por um tarado.
Deixando à margem os que o Congresso irá preparar, para somar-se aos apresentados há anos, mas ainda não votados, pergunta-se: que tratamento dar aos bandidos responsáveis por tantos crimes hediondos repetidos todos os dias? Porque não adianta dizer que esses bandidos são vítimas da crise social, da falta de ensino regular, da miséria e até da fome.
Alegar direitos humanos para um só desses animais significa tripudiar sobre os direitos humanos do cidadão que sofre das mesmas mazelas e se mantém acorde com as leis nacionais. É preciso que parlamentares ganhem coragem para enfrentar a bandidagem, interrompendo qualquer benefício legal para os que forem capturados, estabelecendo penas capazes de ir da prisão perpétua ao isolamento por muitas décadas.
A finalidade da pena pode ser de preservar o futuro tanto quanto de reparar o passado, mas, nesses casos, pela expulsão permanente ou prolongada do convívio social. Caberá à Justiça papel tão importante quanto o do legislador. Qual milagre maior capaz de acontecer, o Legislativo legislar ou o Judiciário aplicar a lei?
Cercados
A visita de Bush levanta questão que o neoliberalismo e a globalização darão de ombros, certamente nem abordada pelo visitante com Lula, mas muito grave. Já reparou o leitor estar o território nacional quase cercado por bases americanas? Da Colômbia ao Peru, da Bolívia ao Paraguai, dizem que também no Uruguai, pontificam tropas americanas estacionadas a poucos quilômetros de nossas fronteiras. Armadas até os dentes, a pretexto do combate ao narcotráfico e ao contrabando, mas prontas para qualquer ação.
Dirão alguns que as bases nada representam, porque se os EUA decidissem por alguma ação bélica contra o Brasil, bastaria mandarem um porta-aviões para nossas costas. Cada um tem aviões de caça e bombardeio em número várias vezes superior a nossas esquadrilhas. Se enviassem um só submarino, movido a energia atômica e capaz de ficar um ano submerso, o único remédio depois de quinze minutos de guerra seria transformar nossos guerreiros em guerrilheiros. Coisa que parece já estar sendo feita. Assim, os gringos entrariam, mas poderiam não sair...