quarta-feira, março 07, 2007

A quatro meses, obras do Pan seguem atrasadas

O Dia

A 131 dias do início dos Jogos Pan-Americanos no Rio, as obras que permitirão que as competições aconteçam estão atrasadas. O cenário é mais árido no Complexo Esportivo da Vila Militar, onde o que se vê é o esqueleto de concreto pré-moldado.

Maio será o mês decisivo para os preparativos. O atraso nas principais obras esticou os prazos de inauguração das instalações.

No Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Engenho de Dentro, é a instalação da moderna cobertura metálica que está estourando o calendário.

Dividida em quatro hemisférios, a montagem da cúpula do Engenhão é motivo de tensão no canteiro de obras. A parte oeste levou 140 dias para ser coberta.
A leste, mais 40.

A colocação das telhas sobre os gols começa esta semana. Toda a cobertura, sustentada por arcos de 20 metros de diâmetro, estará no lugar em 20 de março.

"O início da instalação foi complicado e arriscado. Só existe outro estádio semelhante, o do Benfica, em Lisboa (Portugal). Tivemos que aprender a fazê-lo", explica o secretário municipal de Obras, Eider Dantas. Sexta-feira, protesto de operários paralisou temporariamente a já atrasada obra.

Melhor ir de trem
A demora se deve pelo extremo cuidado com a montagem da ousada arquitetura. Cada centímetro do material e nó de solda é radiografado e testado com líquido penetrante para verificar a solidez da estrutura.

A rigidez contribuiu para retardar mais a obra, cuja pedra fundamental foi lançada em dezembro de 2003. O custo saltou de R$ 166 milhões para R$ 350 milhões. Estima-se que o Engenhão esteja totalmente pronto em 15 de abril.

A escassez de prazo e de recursos deixou de fora do projeto a reurbanização do entorno do estádio. As obras se limitam à ampliação do sistema de drenagem e terminam em um mês.

A aposta principal é no uso do ônibus e do trem. "A estação do Engenho de Dentro terá saída para o estádio. Pela rampa que está sendo construída devem passar 25 mil pessoas por hora", afirma Eider.

Estacionamentos não serão muitos. A prefeitura busca 3 mil vagas em bairros próximos, como Méier e Cachambi. "Edifício-garagem com 1.680 vagas está em construção e idéia é criar mais quatro ou cinco estacionamentos e utilizar o do NorteShopping", explica Eider. O shopping, no entanto, fica a um quilômetro do estádio, que tem capacidade para 45 mil pessoas.

Autódromo
Iniciadas em abril, as obras estão em fase de finalização. O velódromo, que abrigará competições de ciclismo, deve ficar pronto em 30 de abril. Falta ainda a colocação do piso de pinho siberiano.

As cadeiras da arena multiuso já estão sendo instaladas. O complexo vai sediar os jogos de basquete, esportes aquáticos e ginástica.

Vila militar
Em maio, será realizada uma competição-teste de pentatlo no local. Será o segundo evento-teste das instalações. Até lá, deverão estar prontos os equipamentos de hipismo, tiro e natação.

A piscina, atualmente, está com as fundações prontas e a arena tem apenas arquibancadas de concreto montadas.

Maracanã
Na quarta-feira, o governo federal deve liberar R$ 100 milhões para assegurar a conclusão das obras do Complexo do Maracanã, que inclui ainda o Maracanãzinho, o Estádio Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare.

O parque, onde ficarão as competições de pólo aquático, é o único local de provas que já está pronto. O custo da reforma do complexo pode chegar a R$ 394 milhões.

Estádio de remo
A dragagem deve estar concluída na próxima semana. O estado ainda não começou a construir, no entanto, bloco de arquibancada no Estádio de Remo da Lagoa e o píer flutuante. O orçamento é de R$ 4,7 milhões.

Vila do Pan
A obra dos 1.480 apartamentos terminou esta semana. Faltam mobiliar imóveis e obras de infra-estrutura.