Os contraventores Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, Aniz Abrahão David, o Anísio, e Antônio Petrus Kalil, o Turcão, entraram ontem com pedido de habeas corpus para ter o mesmo privilégio dado aos magistrados suspeitos da venda de sentenças para casas de bingos. Eles querem responder ao processo em liberdade. Os três foram os primeiros interrogados ontem pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6º Vara Criminal Federal do Rio, e negaram as acusações que os levaram à prisão no último dia 13 na operação Hurricane da Polícia Federal.
Segundo os advogados de Guimarães e Anísio, os três contraventores deram depoimentos semelhantes, argumentando não conhecer os magistrados envolvidos no suposto esquema de compra de sentenças. Eles também admitiram o exercício da contravenção no passado, mas negaram explorar jogos ilegais atualmente.
Segundo o termo interrogatório, Guimarães disse "que é agente financeiro, que trabalha com ações e é consultor nesta área". Ele também admitiu que o sobrinho, Júlio Guimarães, é dono de uma casa de bingo, mas negou atuar no ramo ou ter possuído máquinas caça-níqueis. Anísio foi na mesma linha e disse que apenas aluga um imóvel em Copacabana para um bingo.
"Meu cliente foi muito bem, altivo e firme. O ônus da prova é do Ministério Público. Essa prova jamais será feita e meu cliente será inocentado", afirmou Nélio Machado, advogado de Guimarães, após mais de 3 horas de interrogatório. Guimarães foi o primeiro a ser ouvido. Em seguida, Anísio e Turcão.
Ubiratan Guedes, advogado de Anísio, disse que seu cliente também negou as acusações e disse à juíza que foi contraventor até a sua prisão em 1993. Desde então, disse, vive de investimentos financeiros e imobiliários. Segundo Guedes, Anísio ainda disse à juíza que gostaria de voltar a ser bicheiro se a atividade fosse legalizada. Advogados de Turcão não deram entrevistas. No termo interrogatório, o bicheiro disse que não tem bingos ou caça-níqueis e que "ainda trabalha com sua creche".
A audiência foi a primeira das sete previstas até o dia 7 de maio para o interrogatório dos 24 réus da ação penal que corre no Rio. Os que já foram interrogados podem acompanhar os depoimentos seguintes.
Liberdade
De acordo com o advogado de Anísio, Ubiratan Guedes, se os magistrados investigados no caso estão soltos, seu cliente tem o mesmo direito. "Aqueles que seriam, em tese, os corrompidos e teriam a obrigação, em tese, de defender o interesse público foram soltos, porque se entendeu que não cabia a prisão. Ora, se não cabia para aqueles que são funcionários públicos, obviamente não cabem para esses que estão aqui", disse Guedes.
Hoje, serão ouvidos José Renato Granado Ferreira e Paulo Roberto Ferreira Lino, dirigentes da Associação de Bingos do Rio, e o sobrinho de Guimarães, o contraventor Júlio Guimarães Sobreira.
Nélio Machado reclamou da carceragem da PF em Brasília, que classificou de "medieval". Enquanto os três contraventores eram ouvidos, os outros 14 presos trazidos de Brasília ontem tiveram de aguardar no ônibus que os transportou do Aeroporto do Galeão para o prédio da Justiça Federal. Segundo o advogado, eles permaneceram algemados nas poltronas. A Justiça Federal ofereceu um lanche. No final da tarde, os presos foram levados para o Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Machado também é advogado do desembargador José Ricardo Regueira e afirmou que os R$ 119.146,37 que ele recebeu dos bingos de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), "pode ser ganho de dinheiro com familiar, e provavelmente será". Machado argumentou que a família - "particularmente" a mulher do desembargador, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira, titular da 8ª Vara Federal - "frequenta e gosta de bingo". "Isso é não é fato criminoso. Nunca foi", declarou o advogado. Segundo a denúncia do Ministério da Polícia Federal (MPF), no entanto, "não é razoável acreditar que o denunciado, ou sua esposa, freqüentem quase que diariamente bingos e que ganhem, todos os dias, valores de tal monta que somados atinjam a elevada cifra de R$ 119.146,37".
Segundo os advogados de Guimarães e Anísio, os três contraventores deram depoimentos semelhantes, argumentando não conhecer os magistrados envolvidos no suposto esquema de compra de sentenças. Eles também admitiram o exercício da contravenção no passado, mas negaram explorar jogos ilegais atualmente.
Segundo o termo interrogatório, Guimarães disse "que é agente financeiro, que trabalha com ações e é consultor nesta área". Ele também admitiu que o sobrinho, Júlio Guimarães, é dono de uma casa de bingo, mas negou atuar no ramo ou ter possuído máquinas caça-níqueis. Anísio foi na mesma linha e disse que apenas aluga um imóvel em Copacabana para um bingo.
"Meu cliente foi muito bem, altivo e firme. O ônus da prova é do Ministério Público. Essa prova jamais será feita e meu cliente será inocentado", afirmou Nélio Machado, advogado de Guimarães, após mais de 3 horas de interrogatório. Guimarães foi o primeiro a ser ouvido. Em seguida, Anísio e Turcão.
Ubiratan Guedes, advogado de Anísio, disse que seu cliente também negou as acusações e disse à juíza que foi contraventor até a sua prisão em 1993. Desde então, disse, vive de investimentos financeiros e imobiliários. Segundo Guedes, Anísio ainda disse à juíza que gostaria de voltar a ser bicheiro se a atividade fosse legalizada. Advogados de Turcão não deram entrevistas. No termo interrogatório, o bicheiro disse que não tem bingos ou caça-níqueis e que "ainda trabalha com sua creche".
A audiência foi a primeira das sete previstas até o dia 7 de maio para o interrogatório dos 24 réus da ação penal que corre no Rio. Os que já foram interrogados podem acompanhar os depoimentos seguintes.
Liberdade
De acordo com o advogado de Anísio, Ubiratan Guedes, se os magistrados investigados no caso estão soltos, seu cliente tem o mesmo direito. "Aqueles que seriam, em tese, os corrompidos e teriam a obrigação, em tese, de defender o interesse público foram soltos, porque se entendeu que não cabia a prisão. Ora, se não cabia para aqueles que são funcionários públicos, obviamente não cabem para esses que estão aqui", disse Guedes.
Hoje, serão ouvidos José Renato Granado Ferreira e Paulo Roberto Ferreira Lino, dirigentes da Associação de Bingos do Rio, e o sobrinho de Guimarães, o contraventor Júlio Guimarães Sobreira.
Nélio Machado reclamou da carceragem da PF em Brasília, que classificou de "medieval". Enquanto os três contraventores eram ouvidos, os outros 14 presos trazidos de Brasília ontem tiveram de aguardar no ônibus que os transportou do Aeroporto do Galeão para o prédio da Justiça Federal. Segundo o advogado, eles permaneceram algemados nas poltronas. A Justiça Federal ofereceu um lanche. No final da tarde, os presos foram levados para o Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Machado também é advogado do desembargador José Ricardo Regueira e afirmou que os R$ 119.146,37 que ele recebeu dos bingos de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), "pode ser ganho de dinheiro com familiar, e provavelmente será". Machado argumentou que a família - "particularmente" a mulher do desembargador, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira, titular da 8ª Vara Federal - "frequenta e gosta de bingo". "Isso é não é fato criminoso. Nunca foi", declarou o advogado. Segundo a denúncia do Ministério da Polícia Federal (MPF), no entanto, "não é razoável acreditar que o denunciado, ou sua esposa, freqüentem quase que diariamente bingos e que ganhem, todos os dias, valores de tal monta que somados atinjam a elevada cifra de R$ 119.146,37".
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Quanto as alegações cretinas dos advogados, nem vale a pena comentar. É a tentativa de livrar seus “clientes” de serem julgados pelos crimes que praticaram. Agora quanto aos privilégios que os bicheiros reivindicam, é claro, que na cabeça deles, sendo os magistrados parceiros dos mesmos crimes, por que a uns a justiça é complacente e concede o privilégio de responderem em liberdade e a outros não ? Se o crime é o mesmo a punição deveria ser também. Mas, o corporativismo sempre acaba falando mais alto para a nossa “justiça”. Ela sempre pune aos do andar de baixo e mantém impunes os de cima. Manter impunes os “colegas” significa o mesmo que negligenciar sua função pública. É prevaricação, omissão e um convite aberto à que o crime permanece se espalhando de forma incontrolável.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Quanto as alegações cretinas dos advogados, nem vale a pena comentar. É a tentativa de livrar seus “clientes” de serem julgados pelos crimes que praticaram. Agora quanto aos privilégios que os bicheiros reivindicam, é claro, que na cabeça deles, sendo os magistrados parceiros dos mesmos crimes, por que a uns a justiça é complacente e concede o privilégio de responderem em liberdade e a outros não ? Se o crime é o mesmo a punição deveria ser também. Mas, o corporativismo sempre acaba falando mais alto para a nossa “justiça”. Ela sempre pune aos do andar de baixo e mantém impunes os de cima. Manter impunes os “colegas” significa o mesmo que negligenciar sua função pública. É prevaricação, omissão e um convite aberto à que o crime permanece se espalhando de forma incontrolável.