domingo, abril 29, 2007

Uma comissão com pouca ética

Em 2005 eles foram julgados e condenados no Conselho de Ética pelo mergulho livre na mesada orientada pelo Planalto, conforme denúncia do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. Covardemente, renunciaram ao mandato. E voltaram eleitos para a Câmara. Valdemar Costa Neto, ex-comandante do PL, hoje PR (ironicamente, o Partido da República), e Paulo Rocha, sempre PT, repetiram o feito ontem. O mesmo Conselho de Ética da Câmara que os condenou no passado, agora sequer reabriu o inquérito sobre a participação da dupla de mensaleiros no episódio que envergonha a Casa, a sociedade e a política.

Por 9 votos a 4, os integrantes do Conselho entenderam que a dupla foi absolvida pelos eleitores e, portanto, não deve ser julgada nessa nova legislatura. De roldão, estenderam a benesse a João Magalhães, do PMDB mineiro, envolvido no escândalo dos sanguessugas. Este nem chegou a ser julgado no ano passado. Seu processo foi arquivado no fim de janeiro.

O trio custa R$ 312 mil por mês ao erário, com salários e uma volumosa lista de benefícios - de combustível a auxílio-moradia, mais despesas de telefones, assessores, gráfica... Com o aval de seus pares no Conselho de Ética poderão completar o mandato, sem sustos? Não. A denúncia do procurador-geral sobre o esquema de pagamento de mesadas foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal. Os dois mensaleiros estão citados na relação de 40 indiciados. São acusados de corrupção passiva e peculato.

A Justiça caminha a passos lentos. Mas se faz. Se o caso não ganhar poeira na gaveta dos ministros do Supremo, Valdemar Costa Neto e Paulo Rocha terão de responder no tribunal o que seus colegas evitaram que respondessem da tribuna. Se condenados, os parlamentares somarão apenas mais um item à descrença geral com o Poder Legislativo. E os deputados terão perdido mais uma chance de fazer as pazes com a sociedade.

COMENTANDO A NOTICIA: Se é para abençoar canalhas e corruptos., o melhor seria ou mudar o nome do tal Conselho, ou simplesmente extingui-lo. Naquele antro a ética morre de vergonha.