domingo, abril 29, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

O que um político é? Mero empregado da sociedade.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Chega a ser nojento quando nos deparamos com políticos que se consideram acima da sociedade que lhe outorgou o mandato. Deveriam, antes da arrogância, refletirem sobre o papel que lhes cabe representar. O mandato de qualquer político não é eterno, não é vitalício e pode ser cassado pelo povo em qualquer eleição. Muitos, aliás, já tiveram este dissabor. Mas não adianta: as lições e os exemplos para esta categoria de “seres humanos” parecem não ser suficientes ao seu entendimento.

É de rir quando um político se arvora na base do “sabe com quem você está falando?”, como se o uso cretino e ameaçador do seu cargo pudesse lhe valer a alforria dos crimes que cometem, das ilegalidades que insistem em acumular no exercício do mandato. Mas afinal, quem esta figura tão sem pudor e escrúpulos, categoria de pessoas para as quais a mentira, a demagogia, o cinismo, a falta de princípios, são valores permanentes, e sem os quais não sentiriam tão onipotentes ?

Na verdade, o político, seja ele quem desde o simples assessor “nomeado” até o presidente da república, passando por vereadores, deputados, senadores, e até ministros e secretários de estado por que nomeados por aqueles todos, nada mais são do que simples empregadinhos da sociedade. Tanto quanto o lixeiro, que talvez nos faça mais falta do que os políticos todos. Imaginem uma cidade sem policiamento. Ou sem professores. Ou sem médicos. Seria ruim, não é mesmo ? Mas deputado faz falta na vida de todos nós ? Não, não faz. Ás vezes sequer nos lembramos de sua existência por tão irrelevantes que são.

Claro que se você pensar que uma sociedade organizado precisa de leis, que precisam ser discutidas, votadas e que há despesas comuns na sociedade que precisam ser administradas, então, estamos diante de um condomínio imenso onde se precisará de um síndico e alguns auxiliares para manter este condomínio em ordem, limpo, e para fazer com que as regras e normas da boa convivência sejam respeitadas por todos. O Estado, apesar de sua grandeza, nada mais é do que um imenso condomínio. Portanto, mesmo o “sindico” geral que no Estado chama-se Presidente nada mais são do simples empregados que a sociedade escolhe para administrar contas, serviços e as regras e normas. Não se justifica, deste modo, que os políticos se arvorem em “elite”. Porque, no fundo, eles não elite coisa nenhuma. Esta valorização com que se apregoam terem, nada mais é do que um injustificada arrogância.

No Brasil é preciso que se comece a discutir qual a real importância da existência dos políticos, porque deles sequer se exige formação superior, 1 mandato de prática registrada em carteira, domínio de pelo menos mais um idioma, nem tampouco tem se exigido disponibilidade integral para o trabalho. Então por que esta valoração de um trabalho que sequer exige experiência e formação especializada ? Pensem em um minuto como seria o país sem a existência desta “categoria” sem prática nem habilidade ? Será que valem tanto quanto se dizem valer ? Será que a sociedade não poderia frear suas ganâncias, seus roubos, seus privilégios, seus trambiques ? Claro e deve também limitar a ação política inclusive na fixação de seus raios de ação. Primeiro, que político em tempo integral é uma desnecessidade. Vejam a turma do Congresso Nacional, formado de deputados federais e senadores: começam a trabalhar apenas na terça feira à tarde, ficam em Brasília apenas até quinta-feira, e se houver feriado no meio da semana, esticaram a folga até o máxima que suas imoralidades admitirem.

Então, não se justifica também que sejam imunes às leis vigentes no país, com a cretina cobertura da imunidade parlamentar. Se a ação legislativa comportar ações que mereçam este manto, vá lá, até se compreende: mas foras disto, o restante do tempo político é apenas um cidadão comum, portanto, o que fizer fora da atividade parlamentar, não pode ser abrigada sob a imunidade parlamentar, excrescência existente apenas no Brasil e em países atrasados. Nos países do primeiro mundo isto há muito tempo foi abolido. E não se sabe de nenhum prejuízo para sua atividade legislativa.