domingo, abril 29, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

A covardia de Chinaglia
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), não pretende apenas processar o comentarista Arnaldo Jabor por ter chamado os deputados de canalhas. O que Chinaglia quer é infernizar a vida de Jabor.

E foi com essa intenção que Chinaglia propôs aos demais deputados, durante o show de Frank Aguiar nessa quarta-feira, que também processem, em seus estados, o comentarista da rádio CBN e da Rede Globo.

Assim, Jabor não terá mais sossego. Terá que viajar constantemente para os 27 estados para responder ao processo.

Na verdade há um recurso jurídico que Arnaldo Jabor pode lançar mão para evitar o desgaste: basta que solicite a fusão de todas ações num único fórum, Brasília ou São Paulo, onde o crime se deu e onde tem residência fixa e trabalho permanente.

Mas isso é com ele e seu advogado. Contudo, a crítica de Jabor ao consumo infame de gasolina pelos deputados nos dois primeiros meses do ano, pode até ser discutida, porém, Arlindo Chinaglia deveria ao menos respeitar quando a sociedade discorda de ações que nada engrandecem o parlamento. A questão do consumo de gasolina deveria merecer do presidente da Câmara um ação enérgica contra aqueles que abusaram e extrapolaram sua competência. Deveria Chinaglia agir contra os deputados de ação desonesta, e não contra aquele que por ser cidadão e também, como os demais eleitores do países, é dono do mandato do senhores deputados. Afinal, Chinaglia quem na verdade paga os salários e os privilégios imorais praticados por deputados e senadores ? Quem detém o mandato no qual você se acha calcado ? Antes de ser jornalista, Arnaldo Jabor é cidadão, trabalhador (muito mais que vocês que estão no Congresso), e mesmo que isto o machuque senhor Chinaglia, Jabor é o contribuinte do qual o Estado recolhe inapelavelmente 145 dias de trabalhos para manter a mamata em que você e mais de 500 apanigüados se acham empossados. Portanto, se alguém aqui deveria ser processado e por mais de 100 milhões de ações, seriam os deputados que como você, torraram um dinheiro que não lhes pertence, e que é cobrado para retornar à população na forma de serviços decentes e não esta indignidade com que vocês entregam para o povo. Agora, querer usar a força do Estado sobre um crítico que estava no seu papel profissional e de cidadão de condenar a ação desonesta dos deputados que provavelmente não gastaram em gasolina coisa nenhuma do que apresentaram na forma de notas fiscais de combustível, perdoe-me, senhor Chinaglia, como se chama isto ? Como se chama a cão de ser reembolsado por despesas ficticiamente realizadas ? Como se chama a ação de apresentar notas fiscais forjadas para demonstrar despesas não realizadas ? Apenas para lembrá-lo: esta ação está perfeitamente caracterizada no código penal brasileiro.

O Estado, senhor Chinaglia, deve ser usado para o bem da sociedade e não para calar o seu direito de criticar o estado quando este se excede na sua ação de servir. O Estado deve ser usado com equilíbrio, decência e dentro do que a lei prevê. E não para aplacar ódios e ressentimentos contra aqueles que divergem e criticam a desonestidade das pessoas investidas de carguinhos merrecas e dos quais o legítimo dono chama-se povo brasileiro. Não seja covarde, enfrente a crítica com altivez, uma vez que Jabor apenas expressou o que a própria opinião pública pensa sobre os políticos brasileiros. Basta que você faça uma pequena leitura sobre recente pesquisa de opinião para descobrir o que o povo pensa da instituição Congresso e mais ainda sobre os políticos nacionais. Não se acredite tão cheio desta altivez idiota que você não a possui. Não enterre ainda mais na vala da descrença perante a sociedade a instituição que você deveria respeitar e honrar por ser uma casa de representação popular e não uma charneca para disputas pessoais nascidas de picuinhas geradas por divergência de opinião. Jabor disse aquilo que se pensa a respeito dos muitos desmandos e canalhices cometidas diariamente no interior e nos subterrâneos do Congresso Nacional. Portanto, senhor Chinaglia respeite a opinião da sociedade e trate de corrigir as mazelas cometidas por parlamentares que não honram o mandato que o povo lhe confiou. Não use covardemente de artimanhas e subterfúgios para colocar mordaça nas vozes destoantes dos “valores” sombrios com que parlamentares se valem para locupletar-se de forma canalha e ilegal.