segunda-feira, abril 02, 2007

Brasil vai captar no exterior recursos para obras do PAC

BRASÍLIA - Por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) está sendo reestruturada para auxiliar na captura de investimentos para os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade de investimento da agência, que era voltada principalmente para atender pequenas e médias empresas em projetos setoriais, vai se expandir.

Segundo o presidente da Apex, Juan Quirós, foi iniciada uma série de conversas em vários países para selecionar investidores potenciais. "Estamos selecionando os investidores para chamá-los para uma conversa individual", informou Quirós à Agência Estado.

De acordo com ele, a prospecção está sendo realizada na Inglaterra, países árabes, Espanha, Portugal e Estados Unidos. "Para cada um, apresentamos um cardápio de oportunidades". As áreas de maior interesse são portos e logística, infra-estrutura e gasodutos.

Nessas conversas, tem ficado cada vez mais claro o interesse dos estrangeiros pelo setor imobiliário brasileiro (predial e industrial). Quirós explicou que as empresas, em vez de comprar um terreno e construir, estão contratando empresas especializadas e alugam o espaço para colocar as máquinas e equipamentos.

Ele citou a Cyrela, a maior empresa de construção de São Paulo, que capta recursos de investidores, constrói prédios e os aluga. O rendimento é dos investidores.
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Para o presidente da Apex, o Brasil entrou numa nova fase de investimentos. "No passado, os investidores estrangeiros compravam ativos no Brasil, agora estão investindo em capital produtivo", afirmou.

Quirós acha que o Brasil ganhou visibilidade única nas negociações. "Os investidores operam a América Latina por meio do Brasil", disse. "O Brasil mostrou sua estabilidade econômica, inflacionária e trata seus investidores bem."

COMENTANDO A NOTICIA: Vejamos: de que forma esta captação se dará ? Financiamentos ? Oferta de parcerias em alguns projetos específicos na área de infra-estrutura ? Esta chamada para “conversas particulares” precisam ser melhor esclarecidas. E digo por que: não se pode sair por aí oferecendo condições e vantagens para investidores estrangeiros sem que se tenha agido da mesma forma em relação aos nacionais ! O Brasil tem agido desde modo há décadas, esquecendo-se de que no país existem muitos interessados em também participar, porém, sempre soterrados pela burocracia, peal alta carga de impostos e crédito caro. Oferecer “vantagens” para investidores externos, sem que se tenha dado às mesmas condições para os brasileiros, é no mínimo tremenda sacanagem. Uma falta de respeito e amor aos próprios brasileiros. ?Esperamos não ser esta a linha de conduta que se adotará nas tais “conversas particulares”. Além disto o governo precisa deixar bem claras e definidas as regras que nortearão os investimentos que se espera para a sua “imensa” lista de obras prioritárias. Precisa fixar normas legais sob a condição indispensável de que elas se manterão. Somos inconstantes neste aspecto, com a mania de se mudar a lei sob qualquer pretexto esdrúxulo, roubando assim a segurança jurídica necessária para a atração de investimentos. A burocracia excessiva e imbecil também precisa ser removida. Precisamos favorecer investimentos, sejam nacionais ou não, em atividades produtivas, capazes de gerar empregos e renda. É inadmissível sustentar uma taxa de desemprego já histórica na casa de 10%. Precisamos incentivar que mais e mais pessoas atuando na informalidade passem para o outro lado do balcão, até como forma de atenuar o crescente déficit da Previdência. Ou seja, o Brasil precisa parar de punir os que atuam nas atividades produtivas, necessitamos remover um pouco o exagerado peso do Estado sobre o trabalho para torná-lo mais dinâmico. Sem isso, não há conversa particular que resolva. A menos, é claro, que se esteja cada dia mais incentivando a desnacionalização do parque industrial brasileiro.