segunda-feira, abril 02, 2007

O PAC da mitologia, o retrocesso da subserviência

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

500 BILHÕES para o crescimento, 560 para "AMORTIZAR A DÍVIDA"

Dentro de 1 ano, no máximo, teremos a discussão sobre eleição e reeeleição. Provocada certamente pelo governo e por Lula, pessoalmente. Nessa onda, muitos interesses. Os que já se reeelegeram agirão dependendo do momento. Prefeitos e governadores que não se beneficiaram desse princípio (?) dirão: "Acabar a reeeleição? Ótimo. Mas depois da minha reeeleição". O que não deixa de ser razoável e até compreensível.

Lula, reeeleito e no segundo mandato, lutará por duas opções.

1 - O terceiro mandato, já tentado e não conseguido por FHC, Menem e Fujimori. Agora, digamos, reforçado (?) pela proposta ININTERRUPTA de Chávez da Venezuela.

2 - Se não conseguir mais 4 anos (o quadro ainda é incipiente e o tempo de decisão, distante), lança um candidato, tenta elegê-lo e voltar em 2014, com 68 anos. A mesma idade de Serra candidato em 2010.

Para isso, Lula precisa eleger seu sucessor (única chance, Dona Dilma, não digo isso agora com o PAC, mas muito antes, quando escrevi que Lula deveria colocá-la como vice) e conseguir ser indicado novamente em 2014.

Se Lula obtiver o terceiro mandato, se elege FACILMENTE como se elegeu agora. E a explicação é simplíssima. Eleito em 2002, Lula ficou 4 anos sem fazer nada, rigorosamente omisso e displicente.

No primeiro turno de 2006, teve 49% dos votos. 30 dias depois teve 61%. Como explicar a não ser pelo carisma, capacidade de comunicação e de transformar OMISSÃO em REALIZAÇÃO?

De agora até 2010 não fará nada, ou melhor, repetirá rigorosamente o NÃO FAZER dos primeiros 4 anos. Esse PAC é a reunião em apenas um bloco de tudo o que deveria ser feito rotineiramente com os recursos do orçamento. Afinal, qual é a novidade desse PAC que como "papagaio de pirata" vai relacionando o que fará e que chama de INVESTIMENTO NA INFRA-ESTRUTURA?

O governo, que não sai do lugar e não vai sair mesmo, utilizou toda a sua artilharia para ENDEUSAR e MISTIFICAR esse PAC. Concentrou o fogo de barragem nos números. E gritou bem alto, de forma a abafar os protestos que sabia que não viriam. Jornais, rádios e televisões, os últimos cedidos graciosa e generosamente pelo próprio governo, se calaram subservientemente.

Os números pareciam assombrosos, positivos e construtivos: 500 BILHÕES em 4 anos. Mas decompostos, esses números são insignificantes. Dão apenas 125 BILHÕES por ano, o que é uma "miséria-miserável". Muito menos do que está no orçamento para as mesmas realizações que estão nesse PAC.

Mas se decompostos os números são insignificantes, comparados, são criminosos. Pois se em 4 anos destina 500 BILHÕES para o PAC, nos mesmos 4 anos acumula 560 BILHÕES para pagamento dos juros que não devemos. No mínimo, no mínimo 140 BILHÕES por ano, o que na escola primária (que 80 milhões não freqüentam) chega a 560 BILHÕES.

PS - Que País é esse, que reserva mais dinheiro para pagamento dos juros do que para o desenvolvimento?

PS 2 - Perdão, 140 BILHÕES por ano não é para PAGAMENTO dos juros e sim para AMORTIZAÇÃO. O cidadão-contribuinte-eleitor entra com a metade, ROUBADO através do vergonhoso "superávit primário". A outra metade é jogada em cima da própria DÍVIDA, que no fim do ano estará em 2 TRILHÕES. Bem antes do fim do mandato de Lula, chegando aos 3 TRILHÕES. Que República.