Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo
Como a TV do PT cobriria a volta do Collor? Destacaria a patética retratação de Aloísio Mercadante, baixando a cabeça para o ex-chefe de PC Farias e admitindo que “houve excessos” no processo de impeachment? Ou daria uma editada nisso, para livrar o PT do pedido de desculpas mais humilhante da história?
Se tudo correr bem (ou mal), os companheiros de Lula terão finalmente a oportunidade de ensinar a imprensa burguesa a trabalhar. E de mostrar ao Brasil quais são os pensamentos certos e quais são os errados.
O projeto da TV do Executivo, em gestação dentro do governo e subsidiado intelectualmente pelo PT, será mais um passo importante na purificação da relação de Lula com o povo: sem jornalistas burgueses inconvenientes, sem entrevistas coletivas – sem intermediários, como o presidente gosta de dizer.
O custo da Tele-Lula está estimado em 250 milhões de reais. Em artigo no site do PT, o dirigente do partido Walter Pomar defende o projeto e sublinha a importância da comunicação como instrumento de dominação (os petistas só pensam naquilo), lembrando como Hollywood expandiu o american way of life. Preparem-se para a expansão do delubian way of life.
Entre outras idéias relacionadas à nova rede de TV e à “democratização dos meios de comunicação”, Pomar advoga a necessidade de “democratizar o emprego das verbas publicitárias de governos e empresas públicas”.
Como o governo central e as maiores empresas públicas já estão com o PT, aparentemente a Tele-Lula nasce também para evitar que os ricos anúncios estatais vão encher os cofres da mídia burguesa. O Banco do Brasil anuncia na Tele-Lula e banca diretamente a estrutura que vai difundir os pensamentos certos.
Aí fica tudo em casa, não precisa nem chamar o Marcos Valério.
Pomar acha que os movimentos sociais têm que ter sua própria mídia. Talvez a Tele-Lula possa começar a cumprir esse papel. No próximo quebra-quebra no Congresso Nacional promovido pelos vândalos do MLST, a nova emissora pode noticiar que “começou a revolução campesina”.
O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, cansou de alertar que a imprensa burguesa vive tentando boicotar o governo popular. Deve ser a tal conspiração da direita, para a qual alertou Delúbio Soares, quando recebeu as primeiras acusações de fraude contábil. A saída petista para essa injustiça é, como sempre, a pureza, ao melhor estilo Fórum de Porto Alegre: criar um canal só para as idéias certas. Burguês não entra.
O senador Tião Vianna, do PT, chegou a sugerir que, em vez de criar uma emissora nova, o governo investisse na rede pública de TV já existente. Não entendeu nada, o companheiro Tião.
A Radiobrás acaba de levar um puxão de orelhas do Estado-Maior lulista porque noticiou as denúncias do mensalão. O PT e o governo querem criar uma imprensa realmente livre, senador. Onde tenham total liberdade para divulgar os press releases presidenciais sem um editor chato fazendo contestações impertinentes.
Na Bolívia, o companheiro Evo está tendo que ameaçar encampar jornais. No Brasil, o camarada de armas Dirceu tinha que “falar por cima” com as grandes corporações da mídia. A Tele-Lula vem aí para acabar com essas dores de cabeça pequeno-burguesas.
Como a TV do PT cobriria a volta do Collor? Destacaria a patética retratação de Aloísio Mercadante, baixando a cabeça para o ex-chefe de PC Farias e admitindo que “houve excessos” no processo de impeachment? Ou daria uma editada nisso, para livrar o PT do pedido de desculpas mais humilhante da história?
Se tudo correr bem (ou mal), os companheiros de Lula terão finalmente a oportunidade de ensinar a imprensa burguesa a trabalhar. E de mostrar ao Brasil quais são os pensamentos certos e quais são os errados.
O projeto da TV do Executivo, em gestação dentro do governo e subsidiado intelectualmente pelo PT, será mais um passo importante na purificação da relação de Lula com o povo: sem jornalistas burgueses inconvenientes, sem entrevistas coletivas – sem intermediários, como o presidente gosta de dizer.
O custo da Tele-Lula está estimado em 250 milhões de reais. Em artigo no site do PT, o dirigente do partido Walter Pomar defende o projeto e sublinha a importância da comunicação como instrumento de dominação (os petistas só pensam naquilo), lembrando como Hollywood expandiu o american way of life. Preparem-se para a expansão do delubian way of life.
Entre outras idéias relacionadas à nova rede de TV e à “democratização dos meios de comunicação”, Pomar advoga a necessidade de “democratizar o emprego das verbas publicitárias de governos e empresas públicas”.
Como o governo central e as maiores empresas públicas já estão com o PT, aparentemente a Tele-Lula nasce também para evitar que os ricos anúncios estatais vão encher os cofres da mídia burguesa. O Banco do Brasil anuncia na Tele-Lula e banca diretamente a estrutura que vai difundir os pensamentos certos.
Aí fica tudo em casa, não precisa nem chamar o Marcos Valério.
Pomar acha que os movimentos sociais têm que ter sua própria mídia. Talvez a Tele-Lula possa começar a cumprir esse papel. No próximo quebra-quebra no Congresso Nacional promovido pelos vândalos do MLST, a nova emissora pode noticiar que “começou a revolução campesina”.
O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, cansou de alertar que a imprensa burguesa vive tentando boicotar o governo popular. Deve ser a tal conspiração da direita, para a qual alertou Delúbio Soares, quando recebeu as primeiras acusações de fraude contábil. A saída petista para essa injustiça é, como sempre, a pureza, ao melhor estilo Fórum de Porto Alegre: criar um canal só para as idéias certas. Burguês não entra.
O senador Tião Vianna, do PT, chegou a sugerir que, em vez de criar uma emissora nova, o governo investisse na rede pública de TV já existente. Não entendeu nada, o companheiro Tião.
A Radiobrás acaba de levar um puxão de orelhas do Estado-Maior lulista porque noticiou as denúncias do mensalão. O PT e o governo querem criar uma imprensa realmente livre, senador. Onde tenham total liberdade para divulgar os press releases presidenciais sem um editor chato fazendo contestações impertinentes.
Na Bolívia, o companheiro Evo está tendo que ameaçar encampar jornais. No Brasil, o camarada de armas Dirceu tinha que “falar por cima” com as grandes corporações da mídia. A Tele-Lula vem aí para acabar com essas dores de cabeça pequeno-burguesas.