segunda-feira, maio 07, 2007

Biodiesel pode agravar o problema

Jornal do Brasil

Uma das principais bandeiras do governo pode provocar retrocesso na política de erradicação do trabalho infantil. O alerta é da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), para quem o avanço da cultura de cana-de-açúcar, movido pelo boom do etanol, pode aumentar a exploração do trabalho de menores de 16 anos na lavoura.

- Nos últimos 14 anos, foram retiradas 100 mil crianças dos canaviais, mas o crescimento da cultura de cana pode fazer essa força de trabalho voltar para o campo - diz a senadora.

Lúcia quer que a Comissão de Direitos Humanos do Senado monitore a expansão da lavoura de cana-de-açúcar no país, para evitar o crescimento do trabalho infantil.

- O governo retirou a bolsa-trabalho infantil do Peti e só deixou o benefício do Bolsa Família para amparar crianças retiradas do ambiente de trabalho - declara a senadora. - Isso vai fazer falta agora que existe uma nova fronteira agrícola em expansão.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), o investimento do governo em educação não tem sido suficiente para manter as crianças longe do trabalho. Faltam escolas com turno integral e escolas técnicas que possam habilitar os jovens para melhores postos de trabalho no futuro.

- Não é que o governo não tenha avançado no combate ao trabalho infantil, mas falta investimento em áreas básicas da educação - diz Paim. - O resultado não é um trabalho 'invisível' como se prega. Está nas crianças vendendo bala nos semáforos.

O senador petista defende a necessidade de novas políticas para aumentar a formalização dos postos de trabalho.

- Precisamos pensar seriamente em desonerar a folha de pagamento para incentivar a formalidade. As empresas que trabalham na sombra não se inibem em contratar força de trabalho irregular. Existem 2,5 milhões de crianças trabalhando que comprovam isso.