Karla Correia, Jornal do Brasil
As pequenas propriedades familiares no campo concentram 1,5 milhão de trabalhadores infantis, sobretudo na faixa dos cinco aos nove anos de idade. Do total, 64,4% não recebem qualquer remuneração. A situação mais crítica está na região Nordeste, que tem quatro Estados nas cinco primeiras posições no ranking do trabalho infantil elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social.
Mas foram os Estados do Sul e do Centro-Oeste que apresentaram maior crescimento do trabalho infantil segundo a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) relativa a 2005. Divulgado no ano passado, o levantamento revela que a população de crianças com atividade laboral cresceu, por exemplo, 1,2 ponto percentual em Santa Catarina, Estado com forte tradição em agricultura familiar. A maior parte dessas crianças freqüenta a escola e usa o período fora de sala de aula para trabalhar.
De acordo com o Ministério do Trabalho, 92,6% das crianças trabalhadoras entre cinco e nove anos de idade estão matriculadas. O percentual cai para 84% na faixa entre 10 a 15 anos. Além disso, cerca de 219 mil crianças em todo o país trabalham como empregados domésticos fora de suas residências. Segundo Pedro Américo de Oliveira, coordenador no Brasil do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil da OIT, a operação bem-sucedida de fiscalização e repressão do trabalho infantil no setor formal provocou "deslocamento" da força de trabalho menor de 16 anos para atividades informais.
Sem o necessário investimento em educação e em um cenário de baixo crescimento da economia, acrescenta o especialista, as famílias passaram a ser as principais "empregadoras" de menores. Tal situação ocorre sobretudo na zona rural e em pequenas cidades nas regiões Nordeste e Norte, conforme Jane Araújo Vilani, procuradora do Ministério Público do Trabalho. Segundo Jane, os Ministérios Públicos Estaduais abriram inquéritos para investigar e mapear a situação do trabalho infantil nessas regiões.
Jane aposta que o trabalho rural e doméstico não aparece totalmente nas estatísticas. Permanece "escondido" pelos pais, que não têm opção, em determinados casos, a não ser a exploração de seus filhos.
- O fator cultural também contribui muito para esse quadro - declara o diretor do Departamento de Fiscalização do Ministério do Trabalho, Leonardo Soares.
Ele garante que o ministério tem investido também em ações de conscientização das famílias para diminuir o trabalho infantil.
- Diferentemente do trabalho escravo, a ocupação de menores é aceita pela sociedade e, às vezes, é bem vista. Vale, para esses casos, aquela moral do 'melhor trabalhar do que roubar'. (K.C.)
As pequenas propriedades familiares no campo concentram 1,5 milhão de trabalhadores infantis, sobretudo na faixa dos cinco aos nove anos de idade. Do total, 64,4% não recebem qualquer remuneração. A situação mais crítica está na região Nordeste, que tem quatro Estados nas cinco primeiras posições no ranking do trabalho infantil elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social.
Mas foram os Estados do Sul e do Centro-Oeste que apresentaram maior crescimento do trabalho infantil segundo a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) relativa a 2005. Divulgado no ano passado, o levantamento revela que a população de crianças com atividade laboral cresceu, por exemplo, 1,2 ponto percentual em Santa Catarina, Estado com forte tradição em agricultura familiar. A maior parte dessas crianças freqüenta a escola e usa o período fora de sala de aula para trabalhar.
De acordo com o Ministério do Trabalho, 92,6% das crianças trabalhadoras entre cinco e nove anos de idade estão matriculadas. O percentual cai para 84% na faixa entre 10 a 15 anos. Além disso, cerca de 219 mil crianças em todo o país trabalham como empregados domésticos fora de suas residências. Segundo Pedro Américo de Oliveira, coordenador no Brasil do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil da OIT, a operação bem-sucedida de fiscalização e repressão do trabalho infantil no setor formal provocou "deslocamento" da força de trabalho menor de 16 anos para atividades informais.
Sem o necessário investimento em educação e em um cenário de baixo crescimento da economia, acrescenta o especialista, as famílias passaram a ser as principais "empregadoras" de menores. Tal situação ocorre sobretudo na zona rural e em pequenas cidades nas regiões Nordeste e Norte, conforme Jane Araújo Vilani, procuradora do Ministério Público do Trabalho. Segundo Jane, os Ministérios Públicos Estaduais abriram inquéritos para investigar e mapear a situação do trabalho infantil nessas regiões.
Jane aposta que o trabalho rural e doméstico não aparece totalmente nas estatísticas. Permanece "escondido" pelos pais, que não têm opção, em determinados casos, a não ser a exploração de seus filhos.
- O fator cultural também contribui muito para esse quadro - declara o diretor do Departamento de Fiscalização do Ministério do Trabalho, Leonardo Soares.
Ele garante que o ministério tem investido também em ações de conscientização das famílias para diminuir o trabalho infantil.
- Diferentemente do trabalho escravo, a ocupação de menores é aceita pela sociedade e, às vezes, é bem vista. Vale, para esses casos, aquela moral do 'melhor trabalhar do que roubar'. (K.C.)