Por Márcio Accioly, Alerta Total
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No instante em que se volta a investir na expansão territorial para a produção de cana-de-açúcar, a fim de suprir deficiência energética de nossos atuais colonizadores (desses novos tempos ditos modernos), é bom que se faça a releitura de clássicos da literatura. Começando-se por Celso Furtado e sua “Formação Econômica do Brasil”.
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É incrível como tendemos a repetir estratagemas e procedimentos, sejam eles proveitosos ou não. Como um mantra que inebria e oferece a sensação de expectativa mágica, os elementos são sempre os mesmos: Estado, escravidão e religião.
É incrível como tendemos a repetir estratagemas e procedimentos, sejam eles proveitosos ou não. Como um mantra que inebria e oferece a sensação de expectativa mágica, os elementos são sempre os mesmos: Estado, escravidão e religião.
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A cana-de-açúcar devastou gerações e parte significativa do Nordeste brasileiro. E vai acabar com o restante do país. Quem tem a oportunidade de atravessar o estado de Alagoas (principal referência), surpreende-se no deserto criado por essa monocultura que enriqueceu meia dúzia e deixou perpétua herança de inenarrável miséria.
A cana-de-açúcar devastou gerações e parte significativa do Nordeste brasileiro. E vai acabar com o restante do país. Quem tem a oportunidade de atravessar o estado de Alagoas (principal referência), surpreende-se no deserto criado por essa monocultura que enriqueceu meia dúzia e deixou perpétua herança de inenarrável miséria.
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Há situações que não têm como ser descritas. Somente a introspecção e o silêncio respeitoso possibilitam seu verdadeiro sentido.
Há situações que não têm como ser descritas. Somente a introspecção e o silêncio respeitoso possibilitam seu verdadeiro sentido.
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Silêncio diferente da cumplicidade de um Estado, cujo atual supremo mandatário, de forma irresponsável e apropriadamente etílica, colocou recentemente usineiros e assemelhados no panteão dos heróis.
Silêncio diferente da cumplicidade de um Estado, cujo atual supremo mandatário, de forma irresponsável e apropriadamente etílica, colocou recentemente usineiros e assemelhados no panteão dos heróis.
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No mundo avançado da ciência (e seu assombroso apuramento tecnológico), o comportamento do ser humano é exatamente igual ao das hordas primevas. Por mais verniz de civilização que faça questão de exibir.
No mundo avançado da ciência (e seu assombroso apuramento tecnológico), o comportamento do ser humano é exatamente igual ao das hordas primevas. Por mais verniz de civilização que faça questão de exibir.
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No último domingo (29), a Folha de S. Paulo publicou matéria assinada por Mauro Zafalon, apontando estudo da pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva (Unesp), em que aborda a situação dos cortadores de cana em São Paulo, estado mais rico de nossa Federação.
No último domingo (29), a Folha de S. Paulo publicou matéria assinada por Mauro Zafalon, apontando estudo da pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva (Unesp), em que aborda a situação dos cortadores de cana em São Paulo, estado mais rico de nossa Federação.
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O excesso de trabalho hoje imposto a esses cortadores, os quais são obrigados a colher 15 toneladas do produto por dia, faz com que seu período de vida útil na atividade seja “inferior à da época da escravidão”.
O excesso de trabalho hoje imposto a esses cortadores, os quais são obrigados a colher 15 toneladas do produto por dia, faz com que seu período de vida útil na atividade seja “inferior à da época da escravidão”.
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Mas quem se importa com isso? Quem toma conhecimento do fato? Que repercussão tal denúncia irá encontrar no meio dos contemplados com bolsas-esmolas e outras de cunho duvidoso, com o objetivo único de aliciar e manter tal cenário?
Mas quem se importa com isso? Quem toma conhecimento do fato? Que repercussão tal denúncia irá encontrar no meio dos contemplados com bolsas-esmolas e outras de cunho duvidoso, com o objetivo único de aliciar e manter tal cenário?
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Num planeta onde já se contabiliza contingente populacional de mais de seis bilhões de pessoas, com os recursos naturais se esgotando e as espécies animais se extinguindo (na invasão descontrolada de seus habitat), talvez tenha sido essa a fórmula encontrada pelas elites, na busca pelo equilíbrio.
Num planeta onde já se contabiliza contingente populacional de mais de seis bilhões de pessoas, com os recursos naturais se esgotando e as espécies animais se extinguindo (na invasão descontrolada de seus habitat), talvez tenha sido essa a fórmula encontrada pelas elites, na busca pelo equilíbrio.
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No primeiro censo demográfico, realizado em 1872, “existiam no Brasil aproximadamente um milhão e 500 mil escravos”.
No primeiro censo demográfico, realizado em 1872, “existiam no Brasil aproximadamente um milhão e 500 mil escravos”.
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Como se sabia que no início do século XIX o País contava com mais de um milhão de escravos, e que nos primeiros 50 anos do mesmo século foram importados mais de meio milhão, “deduz-se que a taxa de mortalidade era superior à de natalidade”.
Como se sabia que no início do século XIX o País contava com mais de um milhão de escravos, e que nos primeiros 50 anos do mesmo século foram importados mais de meio milhão, “deduz-se que a taxa de mortalidade era superior à de natalidade”.
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Morriam como moscas, vítimas de maus-tratos e trabalho excessivo. Expostos à fome, sede e doenças, exterminados pelos senhores de engenho e produtores de açúcar. Os mesmos que pagavam promessas e construíam igrejas com o dinheiro fruto desse massacre, sob as bênçãos do catolicismo.
Morriam como moscas, vítimas de maus-tratos e trabalho excessivo. Expostos à fome, sede e doenças, exterminados pelos senhores de engenho e produtores de açúcar. Os mesmos que pagavam promessas e construíam igrejas com o dinheiro fruto desse massacre, sob as bênçãos do catolicismo.
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Como moenda incansável, a história continua a triturar os mesmos corpos e a permanecer muda diante dos mesmos gritos, enrouquecidos na insensibilidade dos séculos. Nem mesmo a promessa de uma eternidade de bem-aventurança parece ser capaz de compensar tanto horror e sacrifício.
Como moenda incansável, a história continua a triturar os mesmos corpos e a permanecer muda diante dos mesmos gritos, enrouquecidos na insensibilidade dos séculos. Nem mesmo a promessa de uma eternidade de bem-aventurança parece ser capaz de compensar tanto horror e sacrifício.