Programas sociais: aos poucos a verdade aparece – 1ª Parte
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Durante a campanha eleitoral de 2006, várias vezes se disse que Lula havia metido os pés na questão de programas sociais. Não se disse que eles não eram necessários. O que se disse e se criticou foi o uso eleitoreiro que se fez dos programas, inclusive com sua própria descaracterização original.
No governo FHC, em função de inúmeras mudanças pelas quais o país precisou atravessar, os percalços advindos de cinco crises de liquidez internacional, as empresas sofreram enormes ajustes e reajustes. Sempre que isto acontece, a conseqüência perversa e que primeiro desponta é o desemprego. Já se tinha o seguro desemprego que no período foi como que consolidado para cobrir as primeiras necessidades. Porém, se viu, isto só não era possível.
Foi criada um rede ampla de benefícios à população pobre que num primeiro momento socorria a miséria extrema com que milhões viviam no país. Mas, por outro lado, por serem justamente programas sociais, o objetivo de cada um era permitir que as pessoas encontrassem a porta de saída, acrescentando qualidade de vida através dos benefícios recebidos.
Sendo assim, o bolsa escola por exemplo impunha a obrigatoriedade de se manter as crianças matriculadas na rede pública de ensino, cobrando não apenas a matrícula, como também a freqüência. Fruto disto, em pouco tempo, saltamos de cerca de 83,0% de alunos em idade escolar efetivamente matriculadas, para algo em torno de 98,0%. Os demais ainda impunham outras obrigações como o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, elogiadíssimo pela UNESCO, que teve o dom de reduzir a percentuais mínimos, o uso de crianças em trabalhos de adultos. Outras conquistas como a redução da mortalidade infantil, encontraram o caminho via rede de programas sociais.
Ao assumir a presidência, Lula encontrou todos os programas plenamente implantados, e em vigor. Contudo, querendo melhorar, estragou. E pela simples razão que adotou por objetivo o uso eleitoreiro dos programas que, assim perderam sua eficácia.
Lula traçou como meta atingir 11 milhões de famílias. Ao assumir não chegavam a 8 milhões. Esta elevação para ser obtida em tão curto espaço de tempo só seria possível mediante a eliminação de barreiras, e foi justamente que os programas sociais passaram a assistencialistas e eleitoreiros. Justificou-se este brutal acréscimo com a reeleição, porém, aqueles aquém o programa se destinava, roubou-lhes a consciência.
Vejam: para posar como pai do povo, Lula tratou de reunir todos os programas, com objetivos distintos e destinados a beneficiários, em apenas um único programa, mudando-lhe o nome para Bolsa Família. Eliminada as barreiras tratou de assegurar que a universalização de atendimento se ampliasse até os 11 milhões pretendidos, riscando fora as exigências originais. Moral da história: os índices conseguidos nos indicadores começaram a despencar.
E, lamentavelmente, um deles diz respeito as crianças. A queda acentuada de crianças envolvidas com trabalho infantil, que durante dez anos vinham despencando vertiginosamente, desde 2004 não param de crescer. Triste, muito triste, para um governo que recebeu o país com tudo para experimentar um crescimento vertiginoso, não apenas na economia, mas sobretudo no plano social e, até diria, no educacional.
Nas reportagens a seguir reproduzidas, todas no Jornal do Brasil deste domingo, está a prova de que Lula tinha, rigorosamente, como alvo principal ao mexer na rede de programas sociais que encontrou, apenas o alvo eleitoreiro.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Durante a campanha eleitoral de 2006, várias vezes se disse que Lula havia metido os pés na questão de programas sociais. Não se disse que eles não eram necessários. O que se disse e se criticou foi o uso eleitoreiro que se fez dos programas, inclusive com sua própria descaracterização original.
No governo FHC, em função de inúmeras mudanças pelas quais o país precisou atravessar, os percalços advindos de cinco crises de liquidez internacional, as empresas sofreram enormes ajustes e reajustes. Sempre que isto acontece, a conseqüência perversa e que primeiro desponta é o desemprego. Já se tinha o seguro desemprego que no período foi como que consolidado para cobrir as primeiras necessidades. Porém, se viu, isto só não era possível.
Foi criada um rede ampla de benefícios à população pobre que num primeiro momento socorria a miséria extrema com que milhões viviam no país. Mas, por outro lado, por serem justamente programas sociais, o objetivo de cada um era permitir que as pessoas encontrassem a porta de saída, acrescentando qualidade de vida através dos benefícios recebidos.
Sendo assim, o bolsa escola por exemplo impunha a obrigatoriedade de se manter as crianças matriculadas na rede pública de ensino, cobrando não apenas a matrícula, como também a freqüência. Fruto disto, em pouco tempo, saltamos de cerca de 83,0% de alunos em idade escolar efetivamente matriculadas, para algo em torno de 98,0%. Os demais ainda impunham outras obrigações como o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, elogiadíssimo pela UNESCO, que teve o dom de reduzir a percentuais mínimos, o uso de crianças em trabalhos de adultos. Outras conquistas como a redução da mortalidade infantil, encontraram o caminho via rede de programas sociais.
Ao assumir a presidência, Lula encontrou todos os programas plenamente implantados, e em vigor. Contudo, querendo melhorar, estragou. E pela simples razão que adotou por objetivo o uso eleitoreiro dos programas que, assim perderam sua eficácia.
Lula traçou como meta atingir 11 milhões de famílias. Ao assumir não chegavam a 8 milhões. Esta elevação para ser obtida em tão curto espaço de tempo só seria possível mediante a eliminação de barreiras, e foi justamente que os programas sociais passaram a assistencialistas e eleitoreiros. Justificou-se este brutal acréscimo com a reeleição, porém, aqueles aquém o programa se destinava, roubou-lhes a consciência.
Vejam: para posar como pai do povo, Lula tratou de reunir todos os programas, com objetivos distintos e destinados a beneficiários, em apenas um único programa, mudando-lhe o nome para Bolsa Família. Eliminada as barreiras tratou de assegurar que a universalização de atendimento se ampliasse até os 11 milhões pretendidos, riscando fora as exigências originais. Moral da história: os índices conseguidos nos indicadores começaram a despencar.
E, lamentavelmente, um deles diz respeito as crianças. A queda acentuada de crianças envolvidas com trabalho infantil, que durante dez anos vinham despencando vertiginosamente, desde 2004 não param de crescer. Triste, muito triste, para um governo que recebeu o país com tudo para experimentar um crescimento vertiginoso, não apenas na economia, mas sobretudo no plano social e, até diria, no educacional.
Nas reportagens a seguir reproduzidas, todas no Jornal do Brasil deste domingo, está a prova de que Lula tinha, rigorosamente, como alvo principal ao mexer na rede de programas sociais que encontrou, apenas o alvo eleitoreiro.