terça-feira, maio 15, 2007

Governo não vai enviar projeto sobre aborto

Roney Domingos Do G1, com informações da Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em coletiva de imprensa em Jundiaí, cidade no interior de São Paulo a 60 km da capital, que não pretende tomar nenhuma iniciativa para regularizar o aborto no país.

Questionado sobre o tema nesta segunda-feira (14), durante visita a fábrica de equipamentos de energia da multinacional Siemens, Lula disse: "O governo não vai enviar nenhum projeto sobre o aborto. No tempo certo, os congressistas é que vão resolver o que devem ou não fazer nessa área."

O debate sobre a legalização do aborto tem sido defendido pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O tema voltou a ser debatido após declarações do Papa Bento XVI , que chegou a falar em excomungar políticos mexicanos que defendem a legalização da prática. Temporão na ocasião evitou polemizar.

Lula, que já havia colocado o tema como uma questão de saúde pública, também. "O que eu quero ter como imagem é que a passagem do Papa pelo Brasil foi uma coisa extraordinária. Ficar discutindo temas que não estão na ordem do dia e que têm divergências, como pena de morte, aborto e célula-tronco. Ou seja, na medida certa e no tempo certo, os congressistas vão se acertando", disse.

Chinaglia diz que ainda não houve debate suficiente sobre aborto
Luciana Bonadio Do G1

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que ainda não houve debate suficiente no país sobre o aborto. “Se em algum momento (este tema) tiver que ser votado, será depois de um longo debate”, afirmou na Fazenda da Esperança, em Pedrinha, a 15 km do Centro de Guaratinguetá (172 km de São Paulo), onde acompanhou neste sábado (12) a visita do Papa Bento XVI.
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Chinaglia defendeu que o estado tem um papel diferente da Igreja. “É natural que eles defendam a vida a partir do momento que entendem ser o início. Mas o estado tem outro papel. O fato concreto é que tem católicas que morrem por prática de aborto”, disse.
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Como médico, o presidente da Câmara disse que tem a obrigação de tentar salvar vidas. “É preciso pensar que, no momento em que elas tomam esta decisão, o papel do estado é laico”, defendeu.
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Quando questionado se não tem medo de ser excomungado pelo Papa Bento XVI , Chinaglia disse que espera não correr esse risco. “Se eu viesse a tomar uma decisão, eu arcaria com as conseqüências. Mas eu prefiro trabalhar com a hipótese de que não serei excomungado.”
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia defendido posição semelhante antes da chegada do Papa ao país. Em entrevista a quatro rádios católicas em 7 de maio, o presidente afirmou que apesar de pessoalmente ser contrário ao aborto, é favorável a que o estado dê assistência às mulheres que optem por interromper a gravidez.