José Paulo Kupfer, NoMínimo
Anos-luz separam o sindicalismo que se levantou no ABC paulista há três décadas do que hoje mantém relação quase sempre promíscua com o governo. As melancólicas comemorações do 1º. de maio deste ano só reforçaram a convicção de que as resistências a uma reforma que dê autonomia e representatividade aos sindicatos são intransponíveis.
Os líderes que formaram, a partir de meados dos anos 70, na primeira linha do combate ao peleguismo – à frente o então torneiro mecânico Lula e hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – não só se distanciaram, irremediavelmente, da origem como são eles que, ocupando postos de destaque no governo, desinteressaram-se da construção de um sistema sindical livre e independente, como o outrora reivindicado.
Suas ausências das festas promovidas pelas duas maiores centrais sindicais, desencarnadas do caráter crítico e combativo dos velhos tempos, podem ser encaradas como a pá de cal simbólica na esperança de reformas modernizadoras e progressistas. Restou de tudo apenas a preocupação com o produto da pilhagem do imposto sindical.
A única “reforma” que se vislumbra envolve apenas o nome do tributo com o qual o sistema sindical se sustenta e o modo como passará a ser distribuído. O imposto sindical, como é popularmente conhecido, continuará como tal, retirando um dia de trabalho por ano do bolso dos trabalhadores, sindicalizados ou não, mas deve mudar de “contribuição sindical” para “contribuição negocial”. Além disso, o governo, que fica atualmente com 20% do imposto, destinará metade de sua parte às centrais sindicais.
A estrutura sindical brasileira é formada por 18 mil sindicatos. Metade do total, segundo estimativas de dirigentes da CUT, é de entidades fantasmas. Nem dois entre cada dez trabalhadores são sindicalizados, mas todos são disputados a tapa por mais de um sindicato, na hora da cobrança do imposto sindical.
Entende-se a razão da briga. O imposto sindical arrecada a bagatela de R$ 1 bilhão por ano. É esse dinheiro fácil e compulsório que está na base da multiplicação de sindicatos. Trata-se de uma proliferação cancerígena que avança velozmente. No primeiro mandato de Lula foram criados perto de 1.100 sindicatos. Desses, um total de 307, 24% a mais do que no ano anterior, só em 2006. Dá mais de um por dia útil.
É claro como a luz do dia que nenhuma reforma poderá ser digna do nome sem que se elimine o imposto sindical. Mas isso parece que vai ficar para as calendas.
Anos-luz separam o sindicalismo que se levantou no ABC paulista há três décadas do que hoje mantém relação quase sempre promíscua com o governo. As melancólicas comemorações do 1º. de maio deste ano só reforçaram a convicção de que as resistências a uma reforma que dê autonomia e representatividade aos sindicatos são intransponíveis.
Os líderes que formaram, a partir de meados dos anos 70, na primeira linha do combate ao peleguismo – à frente o então torneiro mecânico Lula e hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – não só se distanciaram, irremediavelmente, da origem como são eles que, ocupando postos de destaque no governo, desinteressaram-se da construção de um sistema sindical livre e independente, como o outrora reivindicado.
Suas ausências das festas promovidas pelas duas maiores centrais sindicais, desencarnadas do caráter crítico e combativo dos velhos tempos, podem ser encaradas como a pá de cal simbólica na esperança de reformas modernizadoras e progressistas. Restou de tudo apenas a preocupação com o produto da pilhagem do imposto sindical.
A única “reforma” que se vislumbra envolve apenas o nome do tributo com o qual o sistema sindical se sustenta e o modo como passará a ser distribuído. O imposto sindical, como é popularmente conhecido, continuará como tal, retirando um dia de trabalho por ano do bolso dos trabalhadores, sindicalizados ou não, mas deve mudar de “contribuição sindical” para “contribuição negocial”. Além disso, o governo, que fica atualmente com 20% do imposto, destinará metade de sua parte às centrais sindicais.
A estrutura sindical brasileira é formada por 18 mil sindicatos. Metade do total, segundo estimativas de dirigentes da CUT, é de entidades fantasmas. Nem dois entre cada dez trabalhadores são sindicalizados, mas todos são disputados a tapa por mais de um sindicato, na hora da cobrança do imposto sindical.
Entende-se a razão da briga. O imposto sindical arrecada a bagatela de R$ 1 bilhão por ano. É esse dinheiro fácil e compulsório que está na base da multiplicação de sindicatos. Trata-se de uma proliferação cancerígena que avança velozmente. No primeiro mandato de Lula foram criados perto de 1.100 sindicatos. Desses, um total de 307, 24% a mais do que no ano anterior, só em 2006. Dá mais de um por dia útil.
É claro como a luz do dia que nenhuma reforma poderá ser digna do nome sem que se elimine o imposto sindical. Mas isso parece que vai ficar para as calendas.