terça-feira, maio 15, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

Os recuos de um falastrão no teatro das massas.

Regulamentação das greves: recuo histórico.
Hoje os servidores do IBAMA, pouco mais de 6 mil, entraram em greve contra o projeto de modificações que o governo Lula está encenando naquele órgão, tirando-lhes, dentre outras coisas, a autonomia para a concessão de licenças ambientais, que passariam a ser responsabilidade de um tal Instituto Chico Mendes. Ou seja, a questão ambiental brasileira deixaria de ser competência do governo federal, e passaria a ser privada... do PT. Em outras palavras: o país estaria trocando uma política de Estado por uma partidária. Para quem sonha com a eternização no Poder, seria meio caminho andado.

Claro que a greve de servidores públicos, em qualquer instância do serviço público, é sim um atentado ao cidadão que paga impostos, que precisa do serviço que os impostos que lhe são arrancados sustentam, e não pode por isso, ver-se prejudicado e desassistido por questões que não lhe dizem respeito. Daí porquê, aqui não se lerá nenhum apoio a greve de servidores públicos. Ah, mas está garantida na Constituição ? E daí, isto a torna legal, sim, mas é um privilégio que vai contra a sociedade, até porque quem fez a constituição estava mais preocupado em garantir privilégios, do que estabelecer um equânime regime de quotas de direitos e deveres.

Em frente. Quando Paulo Bernardo trouxe à discussão a necessidade de se regulamentar o direito de greve dissemos aqui que o assunto era oportuno, mas o momento oportunista. Por que, quando outros governantes ocuparam o Planalto, e tentaram fazer a mesma coisa, isto é, regulamentar o direito de greve dos servidores públicos, o mesmo PT se levantou contra e fez o mais estardalhaço ? Que isto feria os “direitos” dos “bacanas” ? Agora, sentindo e provando do próprio veneno, não falta um Paulo Bernardo afirmar que a greve no IBAMA é política ! Pois bem, qual delas não é ? O ministro do Planejamento sabe muito bem do que fala: ele, seus companheiros e o presidente, quando na oposição, sempre promoveram além de arruaças, greves políticas, na tentativa de desestabilizar qualquer governo. Daí que experimentarem o gostinho do mesmo veneno que ministraram aos outros, não deve ser nada agradável. Daí o porquê de agora eles “concordarem” em regulamentar a greve. Claro que a iniciativa do governo não se dá por tentar defender o interesse da população que sempre foi a única prejudicada pelas greves políticas, baderneiras, delinqüentes e irresponsáveis que o PT patrocinou e promoveu ao longo da história. Trata-se de uma atitude de auto-defesa bastante cretina por sinal.

O recuo na questão do aborto
Lula declarou hoje que o governo não enviará projeto em favor do aborto para o Congresso. E se justificou nos seguintes termos: “(...)Discutir temas que não estão na ordem do dia para serem discutidos, que têm divergências, como pena de morte, como aborto, como célula-tronco, na medida certa e no tempo certo, os congressistas vão se acertando e vão aprovando as coisas".

Puro teatro de sua excelência. Primeiro, conforme que vocês leram num post mais abaixo, o assunto vem sendo empurrado pelo Congresso há pelo menos 16 anos, e lá não faltam projetos contra e favor, inclusive de parlamentares petistas. O que, conforme comentamos, desmente com “catega” a afirmação do Chinaglia de que o assunto merece ser mais debatido. Isto é feito há 16 anos e o cara não sabia ? É de se perguntar ao Chinaglia onde ele andou este tempo todo que não “percebeu” que o assunto está dentro do Congresso bem vívido !

Aliás, este é o problema desta tropa delinqüente: sempre que se sentem pressionados se saem com a cantilena de que “é preciso ampliar o debate”. No caso, para esta boa “gente”, o debate se encerra quando todos concordam com suas teses. Eles detestam serem contrariados !

Mas o assunto não fica por aí: em plena campanha eleitoral, Lula colocou na “ordem do dia” uma tal reforma política. Apanágio para curar os males da corrupção política no país. Fosse lá por 2003 ou 2004, tudo bem. Vamos discutir a relação. Mas recordando: Lula vivia alguns tormentos com a história até hoje não explicado de umas cartilhas que custaram a “bagatela” de 11,0 milhões, denunciadas pelo TCU, e que nunca apareceram. Lula precisava mudar o foco da discussão, já que não desgrudava o olho da reeleição.

Em dezembro, iniciou-se uma discussão no campo da “democracia direta”, dentro da mesma tática que Hugo Chavez vinha implementando na Venezuela. Além de sobrar cretinice nos argumentos, o que não faltou, foram especialistas para baterem palmas à idéia. Dentre outros assuntos se discutia que a questão do aborto, dentre outros assuntos, deveria receber um plebiscito. O povo é quem decidiria. Pois bem, no início deste ano, a imprensa toda publicou uma pesquisa de opinião que demonstrava que o povo brasileiro, em torno de 70% pelo menos, era contrário ao aborto. Foi uma ducha de água nos planos da democracia direta. Pouco a pouco Lula e seus asseclas, foram arrefecendo o ânimo em relação tanto a tal reforma política quanto à idéia de democracia direta. Diante da possibilidade bastante clara e visível de uma acachapante derrota nas urnas, preferiram pisar no freio.

O atual ministro da saúde logo ao assumir, trouxe o assunto do aborto para o “debate”. Seria uma nova tentativa. Diante de tudo o que o papa Bento XVI disse contrariamente ao aborto, e pela receptividade dada pela grande maioria da população, novo recuo. Está claro que prosperar no assunto traria indesmentíveis prejuízos políticos. Mas o assunto não está morto. Da mesma forma como os parlamentares se aproveitaram na calada da noite e com a chegada de Bento XVI para aumentarem seus salários, o aborto aguardará um momento mais “oportuno” para ser aprovado. Inicia-se agora aquele jogo de bastidores em que o assunto será preparado nos porões do sub-mundo para serem enfiados goela abaixo dos brasileiros, apesar da maioria ser literalmente contra.

Recuar num assunto não significa esquecê-lo.Não para o PT.
Sempre que se vê pressionado pela opinião pública, o governo Lula puxa o freio de mão e recua. Mas, jamais abandona a idéia de fazer valer sua visão de mundo. Faz parte de seu projeto de poder, tanto o aborto, como eliminar os venenos que jogou nos colos dos outros, como ainda a diabólica pretensão de “democratização dos meios de comunicação”, idéia da qual não vai se afastar, e que trocada em miúdos significa censura, pura e simples cerceamento ao direito de livre manifestação.

Para o governo Lula não interessa a opinião pública, não interessa a conveniência do povo brasileiro. A política para eles deve ser usada para impor suas idéias a todos, e impedir que as mesmas sejam contrariadas. Para eles o que conta é sua visão estreita de mundo. Sejam nos projetos ou nos métodos de fazê-los vingar, eles quando muito, promovem um recuo para mais adiante retornarem com força total. Na questão do aborto, Lula deve ter sido informado dos inúmeros projetos existentes no Congresso. Ele conta com maioria ampla na Câmara de Deputados. Bastará eleger um projeto e tocá-lo em frente. Escolhe-se um “laranja” para empunhar a bandeira e pronto: ele aprovará o projeto contido no seu programa de governo há muito tempo, e empurra o preço político para o Congresso. Basta que vocês leiam atentamente o que significa a frase “(...)como pena de morte, como aborto, como célula-tronco, na medida certa e no tempo certo, os congressistas vão se acertando e vão aprovando as coisas(...)”.

Claro que a agenda para o Congresso Lula tratou de montar ele mesmo: aborto, pena-de-morte e só faltou falar da censura, mas esta última nem precisava uma vez que ele já está cuidando disto, e em várias direções. Portanto, estes recuos de Lula são encenação de um falastrão que sempre fala a tolice mais oportunista a depender do público que o ouve. São perfumaria para esconder o odor que exala de suas ações. Acreditem: este odor está muito próximo do enxofre puro. O tempo pode ser adiado, o roteiro pode ser alterado, nunca o projeto. Mefistófeles não seria quem é renunciando a sua própria razão de existir...